Resumo

  • O acordo de junho de 2000 dividiu os registros antigos de .ca em duas rotas. As “demais” inscrições expirariam se o titular não solicitasse o mesmo nome por um registrador certificado pela CIRA e não aceitasse os novos contratos dentro do período de carência.
  • A CIRA deveria montar o novo registro com dados fornecidos diretamente pelos titulares; a base da UBC servia apenas para comparar e verificar essas informações. A CIRA assumiu sua própria diligência sobre direitos e privacidade.

Análise

Em 1987, John Demco, da University of British Columbia (UBC), recebeu a responsabilidade pelo .ca. Com um comitê de voluntários espalhado pelo Canadá, manteve o registro por uma década. Na véspera da transferência, a IANA contava cerca de 120 mil nomes. O operador podia mudar em 1º de dezembro; o acordo não prometia que todos os registros antigos atravessariam a mudança sem ação dos titulares.

A reforma começou antes desse prazo. No Net97, em Halifax, a comunidade canadense discutiu como reorganizar o domínio. O relatório do Canadian Domain Name Consultative Committee descreveu uma razão concreta para a insatisfação: obter um .ca costumava levar cerca de uma semana, mais que em outras administrações de DNS. Após consulta pública, o comitê recomendou uma organização sem fins lucrativos e um modelo com registradores. A CIRA foi constituída em dezembro de 1998 e reconhecida pelo Government of Canada em março de 1999.

O Transition Agreement de junho de 2000 separou os titulares em dois grupos. A UBC podia cobrar por registros feitos desde 1º de maio; para essa coorte, a continuidade exigia aceitar o contrato da CIRA durante o período de carência e firmar acordo com a UBC ou outro registrador, desde que ele obtivesse certificação e assinasse com a CIRA. Para “todos os demais registros”, a cláusula era mais dura: o titular teria de pedir a pré-inscrição do mesmo nome por um registrador certificado e aceitar os dois contratos antes do fim da carência. Sem essa solicitação, o nome expiraria.

Não era uma reinicialização universal, mas uma obrigação concentrada em uma coorte.

A nova operação também não trataria o banco da UBC como uma lista pronta para assumir. Pelo artigo 4, a CIRA formaria o registro com informações fornecidas diretamente pelos titulares; a base antiga serviria, durante a carência, para comparar e verificar essas novas informações. Pelo artigo 5, a UBC não garantia a base nem o direito de uso, e a CIRA teria de examinar por conta própria os direitos de terceiros e a privacidade. Os direitos sobre a base passariam à CIRA na data operacional, com uma licença de volta para a UBC.

O preâmbulo do acordo já registrava 86.976 inscrições; em 30 de novembro, a IANA contava cerca de 120 mil nomes. Os documentos não dizem quantos titulares da coorte sujeita à nova solicitação mantiveram seus nomes ou os deixaram expirar; essa contagem mostraria o tamanho do trabalho de continuidade entregue a eles.

As Canadian Presence Requirements da CIRA começaram em novembro de 2000. A política atual diz que titulares já registrados pela UBC eram considerados aptos segundo esses requisitos quando solicitavam o novo registro. Isso preservava a elegibilidade, sem preencher a solicitação ou aceitar contratos em nome do titular.

Em 1º de dezembro, a CIRA assumiu o registro construído para crescer além da equipe voluntária de UBC. O controle institucional atravessou a data; para uma parte dos nomes, a continuidade só atravessava com um pedido feito pelo titular. A mudança de operador foi centralizada. A tarefa de manter cada registro, não.

Fontes