Resumo
- No início de 2014, o Open Food Facts reorganizou sua coleção por países. Antes, cada produto ficava em um único site, definido pelo idioma principal.
- Para ampliar o acervo britânico, voluntários fotografaram produtos no Reino Unido e acrescentaram mercadorias encontradas em Paris. O relato de dezembro de 2014 registra a passagem de 200 para 1.200 produtos britânicos em três meses.
Uma das maneiras de ajudar uma base de alimentos britânicos foi entrar numa loja de M&S em Paris. O Open Food Facts contou essa colaboração francesa em seu balanço de dezembro de 2014. A internet atravessava fronteiras; alguém ainda precisava atravessar a rua e virar a embalagem.
O projeto se preparava para o Food Open Data Challenge do Reino Unido. Em meados de agosto, sua base tinha 20 mil produtos no total e só 200 britânicos. Para quem pretendia montar um serviço voltado ao público local, faltava mercadoria digital. A equipe procurou conhecidos no Reino Unido, tirou milhares de fotos em lojas britânicas e recebeu também contribuições feitas nas lojas parisienses.
Três meses depois, havia 1.200 produtos britânicos, segundo o relato. Era mais material para demonstrar aplicações e construir protótipos. A equipe continuava pedindo uma comunidade de colaboradores e usuários dos dados. O mutirão havia enchido parte da prateleira; a manutenção precisava de companhia.
A embalagem falava mais línguas que a ficha
Havia outra dificuldade, escondida na arrumação. Cada produto ganhava um idioma principal e aparecia em apenas um site por idioma. O relatório de atividades publicado em junho de 2015 lembrou o absurdo prático: mesmo uma embalagem com doze línguas só entrava em uma dessas divisões.
Produtos do Quebec, da Bélgica, da Suíça, da Argélia e do Marrocos ficavam junto dos franceses. A língua da descrição acabava mandando no lugar da ficha. Para quem queria saber o que encontraria à venda por perto, essa mistura exigia paciência de arquivista.
O desequilíbrio já aparecia no apelo de fevereiro de 2013. Nove meses depois do lançamento público, ocorrido em 19 de maio de 2012, o Open Food Facts anunciava mais de 5 mil produtos e 300 colaboradores. Havia dez idiomas em diferentes estágios de tradução e 4.500 produtos registrados em francês. O pedido incluía traduzir páginas e aplicativos, reunir produtos locais suficientes para usos úteis e atrair gente que contribuísse ou reutilizasse os dados.
No início de 2014, o projeto mudou a organização para países, com subdivisões de idioma quando necessárias. Um produto passou a poder aparecer em vários países, além de integrar uma visão mundial. Categorias compartilhadas e multilíngues vieram ajudar na busca. O relatório exemplificou a ligação entre iogurtes de morango descritos em francês e em inglês, junto das categorias maiores de iogurtes e laticínios. O iogurte ganhou mobilidade sem precisar trocar de identidade.
Quem volta depois da foto?
Em março de 2015, o projeto informou ter 35 mil produtos de 112 países e territórios, e apontou a falta de volume útil em muitas coleções nacionais. A campanha Open Food Hunt, lançada em fevereiro, buscava desenvolver comunidades locais. Em julho, o novo site Scan Party mostrava os colaboradores em ação, ajudava a organizar encontros de coleta e reunia notícias dos grupos.
O gesto era pequeno e importante: dar rosto ao trabalho que os totais escondiam. Uma base mundial de alimentos precisava de boas divisões entre países e idiomas, mas também de pessoas com celular, tempo e motivo para voltar. A próxima informação útil podia estar no verso de um pacote que ainda ninguém tinha fotografado.
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