Resumo

  • O comunicado do GAC de 26 de outubro registra que, por causa de limites orçamentários, novas medidas de interpretação em língua de sinais nas reuniões da ICANN dependem temporariamente da vontade e do apoio dos países anfitriões.
  • Um levantamento do próprio GAC recebeu 146 respostas entre 1.569 convidados: 11 pessoas apontaram benefício pessoal possível e 39 conheciam alguém que poderia se beneficiar. É preciso definir idioma, sessões e financiamento.

O país muda, o crachá muda, o idioma de sinais pode mudar. A conta também, ao que parece. No comunicado emitido após a reunião de Bali, o Comitê Consultivo Governamental da ICANN informa que seu grupo de direitos humanos continua buscando interpretação em língua de sinais, mas que a limitação de orçamento deixa a continuidade, ao menos provisoriamente, nas mãos de países dispostos a apoiar o serviço.

Há um motivo concreto para levar a discussão da sala de boas intenções para a planilha. O estudo de viabilidade do GAC, publicado em 2024, relata que representantes de comunidades surdas tinham dificuldade para acompanhar legendas em tempo real, rápidas e sem a expressão corporal de quem fala. A interpretação também permite que participantes que usam sinais intervenham na sessão. O questionário enviado a 1.569 pessoas trouxe 146 respostas: 11 identificaram benefício para si e 39 para alguém conhecido. Para 49 respondentes, o serviço era muito importante para compreender e participar; outros 36 o consideraram bastante importante ou importante.

O mesmo estudo aponta um detalhe que um contrato genérico pode atropelar: a língua de sinais de interesse tende a ser a do local da reunião, abrindo a porta à comunidade surda da cidade anfitriã. Os participantes também divergiram sobre a duração desejada; alguns queriam sessões específicas, outros a reunião inteira. Escolher intérpretes, enquadrar a transmissão, permitir intervenções e publicar os horários são decisões de produção, não acessórios de última hora.

A política de serviços linguísticos da ICANN já organiza interpretação oral nas seis línguas institucionais para as plenárias e inclui português na sala do GAC. A pauta do grupo em setembro mencionava um teste proposto de interpretação em sinais na ICANN87. O comunicado de Bali trouxe a condição financeira posterior. Os critérios de escolha de sede levam em conta apoio financeiro do anfitrião, mas não atribuem a ele uma obrigação padronizada de prover esse serviço. A ajuda local pode funcionar; o desenho do programa e o orçamento geral continuam sendo decisões da ICANN.

A ICANN88 ocorrerá em Lisboa de 13 a 18 de março de 2027. O programa de serviços terá de dizer qual língua de sinais será oferecida, em quais sessões, de que forma participantes presenciais e remotos poderão usar o serviço e quem pagará a operação. Quando a conferência troca de cidade, o acesso à palavra não deveria pegar a mala e voltar ao ponto de partida.

Registros originais: comunicado de Bali do GAC; estudo de viabilidade do GAC; pauta de setembro; política de idiomas da ICANN; critérios para sedes; calendário.