Resumo
- O anúncio de 9 de fevereiro de 2010 disse que o Buzz, dentro do Gmail, configuraria automaticamente o usuário para seguir quem ele mais contatava por e-mail ou chat. Segundo a queixa da FTC, algumas pessoas ainda podiam ser seguidas ou aparecer em perfis públicos após escolher “Nah, go to my inbox” ou “Turn off Buzz”.
- O Google reconheceu em março de 2011 falhas de transparência e controle. A FTC aprovou definitivamente o acordo em outubro; a ordem impôs consentimento expresso para certos novos compartilhamentos, um programa de privacidade e avaliações independentes por vinte anos. O Google anunciou o encerramento do Buzz e de sua API.
A lista veio pronta, mas de outro contexto
No lançamento, o Google vendeu o Buzz como conversa social dentro do Gmail. O usuário não precisava montar um círculo de contatos. O produto já o seguiria com base nas pessoas para quem mais escrevia e com quem mais conversava. Para a empresa, a rede social estava escondida sob o e-mail, esperando apenas ser revelada. Para quem enviava e recebia mensagens, esse histórico tinha sido criado para trocar correspondência, não para exibir uma relação em público.
A frequência de contato informa o funcionamento de uma caixa de entrada; ela não escolhe a plateia de um perfil social. Um destinatário pode ser colega, professor, serviço de saúde ou alguém com quem se discute um problema. Transferir essa ligação para uma lista de seguidores muda seu significado. A conveniência para o produto consistia em tratar um rastro privado como resposta antecipada à pergunta que caberia fazer ao usuário.
A queixa administrativa da FTC descreveu o procedimento. Ela afirmou que nomes e contatos do Gmail foram usados para povoar o Buzz e que, em muitos casos, as pessoas ganharam seguidores sem aviso prévio ou chance de consentir. A tela inicial dizia que já seguiam os contatos com quem mais conversavam. Para entrar na caixa de e-mail, era necessário escolher entre experimentar Buzz e “Nah, go to my inbox”. A segunda opção parecia uma recusa. Segundo a FTC, ainda deixava algumas pessoas expostas a serem seguidas ou a aparecer em perfis públicos de quem havia aderido ao serviço.
A agência relatou milhares de reclamações sobre a revelação de contatos de e-mail. A escala exata de contas afetadas não aparece nesses documentos, mas o mecanismo é claro. Uma relação formada para falar em privado podia ganhar outro público por uma decisão do operador da plataforma. O botão de recusa não controlava todos os lugares onde a relação apareceria.
Um interruptor apagou a aba, não todos os vínculos
A queixa examinou também “Turn off Buzz”. O clique retirava a aba do Gmail. Para alguns usuários que haviam entrado no Buzz, a queixa dizia que seus nomes continuavam listados como seguidores nas páginas Buzz e nos perfis das pessoas para quem mais escreviam. A tela do próprio usuário ficou mais limpa; a tela de outras pessoas podia conservar a associação. Desligar a vista e desfazer a relação são tarefas separadas.
No pronunciamento de março de 2011, o Google reconheceu que o lançamento ficou abaixo de seus padrões de transparência e controle, disse ter feito ajustes e anunciou acordo com a FTC. A empresa aceitou revisões independentes a cada dois anos e consentimento afirmativo antes de certas mudanças na forma de compartilhar informações pessoais. A velha promessa de que o programa resolveria tudo sozinho passava a ter um limite operacional.
A FTC comparou Buzz com políticas já dadas aos usuários. A política do Gmail ligava o armazenamento de mensagens e contatos à prestação do e-mail. A política geral prometia pedir consentimento antes de usar informações pessoais para outro propósito. A agência acusou o Google de empregar esses dados para a rede social sem a permissão prometida. O acordo final traduziu a disputa em obrigações para produtos futuros.
O produto terminou; o calendário da ordem continuou
A FTC aprovou o acordo em definitivo em 24 de outubro de 2011. A Parte II da ordem exige explicação clara, separada e consentimento afirmativo antes de certo compartilhamento novo de dados identificáveis com terceiros, quando ele resultar de mudança de produto e contrariar a prática declarada na coleta. A Parte III determina um programa documentado de privacidade. A Parte IV traz uma avaliação inicial e depois avaliações independentes bienais durante vinte anos.
Pouco antes, em 14 de outubro, o Google havia dito que desligaria Buzz e sua API em algumas semanas para se concentrar em Google+. As publicações existentes poderiam ser vistas no Google Profile e baixadas pelo Takeout. O comunicado não especificou o último dia exato. Mesmo com a rede fechada, a obrigação de pensar na origem e no novo uso dos dados continuou para a empresa que administrava Gmail e outros serviços.
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