Resumo

  • Em 2006, o responsável pelo Ask A Biologist apontava a falta de tempo como um dos grandes desafios de manter o serviço.
  • O e-mail comum encaminhava perguntas a especialistas e permitia ajustar respostas à escolaridade do leitor; os pedidos também inspiravam materiais.

As mensagens de agradecimento eram uma das melhores partes do trabalho. Encontrar tempo para continuar era uma das mais difíceis. No relato publicado por Arizona State University em fevereiro de 2006, Charles Kazilek descrevia essa combinação ao falar do Ask A Biologist. O público tinha uma porta aberta para a ciência. Alguém precisava ficar cuidando da porta.

A iniciativa nascera em 1997, numa única página do site da School of Life Sciences de Arizona State University. Professores e estudantes de pós-graduação ajudavam como voluntários a responder perguntas. Segundo o balanço de 2006, já haviam sido atendidas mais de 18 mil questões de estudantes da educação básica e seus professores. O orçamento continuava pequeno, e Kazilek permanecia o principal desenvolvedor e cuidador do projeto.

A organização por trás dessa entrada aparece com mais detalhe no artigo que ele próprio escreveu em 2010. As perguntas passavam por um endereço de e-mail comum e seguiam para professores ou pós-graduandos com a especialidade adequada. A caixa compartilhada evitava que uma única pessoa fosse soterrada pela correspondência. A curiosidade precisava de distribuição, além de entusiasmo.

Havia ainda uma oportunidade de revisão. A resposta podia ser retrabalhada para ficar adequada à série escolar de quem perguntava. O cientista conhecer o assunto era uma parte da solução; conseguir explicá-lo para uma criança dava outro serviço. Um endereço intermediário criava espaço para cuidar dos dois.

A comunicação por mensagem também permitia separar os relógios. O site podia receber perguntas o dia inteiro, enquanto o especialista encontrava tempo para elaborar uma explicação ou reunir material para um professor. O botão tinha disponibilidade de sobra. Os voluntários tinham pesquisa, aulas e outros compromissos de gente de verdade.

Em 2010, Kazilek relatava o apoio de mais de 150 cientistas e especialistas ao serviço de perguntas. O leitor não precisava descobrir sozinho qual deles procurar. E muitas vezes queria saber algo sobre a pessoa que responderia: mais de um quarto das consultas tratava de carreiras em biologia. O trabalho cotidiano, as disciplinas estudadas, as influências e as oportunidades viravam assunto. A profissão também despertava curiosidade científica.

Os pedidos recebidos ajudavam a montar o próprio site. Alunos queriam testes de conhecimento, e surgiram quizzes. Pais e avós buscavam atividades para crianças pequenas, e vieram páginas para colorir. Nos exemplos de Kazilek, o público fazia mais do que consumir explicações: dava pistas concretas sobre o que ainda faltava produzir.

Entrevistas, jogos, fotos, vídeos e recursos para professores ampliaram a oferta. Ilustradores, escritores e tradutores se juntaram aos cientistas. Com o aumento das informações na web, alguns visitantes também chegavam com respostas diferentes e queriam ajuda para compreendê-las. A conversa exigia atenção ao caminho que o leitor já havia percorrido.

Ao aconselhar outros projetos em 2006, Kazilek insistia em planejar a sobrevivência com o mesmo cuidado dedicado à criação. O Ask A Biologist tornou uma parte do conhecimento universitário acessível porque manteve funcionando esse trabalho de bastidores: receber, encaminhar, revisar e aprender com a correspondência. O agradecimento era bem-vindo. O próximo e-mail precisava encontrar alguém.