Summary

  • Tony Bates criou o CIDR Report, e Philip Smith assumiu sua revisão. Atas da APNIC de 2002 registram Smith apresentando novidades do relatório; uma fala de 2006 mostra outro grupo usando sua edição semanal em pesquisa de roteamento.
  • Na avaliação da APNIC de 2026, o relatório já sai diariamente e expõe rotas mais específicas redundantes. Essas rotas continuam crescendo, sinal de que a velha pressão pública perdeu tração.

Uma rede anuncia um bloco grande e, dentro dele, um pedaço menor. Quando o caminho AS é igual nos dois anúncios, o pedaço acrescenta uma linha à tabela global e oferece uma pergunta incômoda: que trabalho aquela linha está fazendo? O CIDR Report transformou a pergunta num hábito público. Cada operadora podia ver sua contribuição para uma conta que todos carregam.

A história começa antes de Smith. Geoff Huston credita a Tony Bates a ideia original, a Smith uma revisão e a si mesmo a etapa seguinte. Nas atas da reunião APNIC 14, Smith apresentou os debates do Routing SIG, entre eles atualizações do relatório. A cena importa: o instrumento de medida estava dentro da conversa de quem precisava manter BGP funcionando, e não preso a uma vitrine acadêmica.

Em 2006, na APNIC 22, um palestrante contou que sua equipe pegou o relatório semanal de Philip e acrescentou uma etapa a um estudo de caminhos AS. É um elogio concreto. Outro grupo conseguia tirar o relatório da página, usá-lo como matéria-prima e produzir uma pergunta nova. Uma tabela que viaja de mão em mão ganha utilidade própria.

Hoje, a APNIC Labs produz o relatório a partir de uma visão BGP observada no AS131072. Ele compara o tamanho da tabela com possibilidades de agregação, acompanha mudanças da semana e lista redes com muitas rotas mais específicas. Em março de 2026, essa observação encontrou 461.596 anúncios cujo caminho AS coincidia com o do bloco que os abrangia. As páginas individuais examinam possíveis retiradas levando em conta a engenharia de tráfego desejada.

Huston descreve a aposta social do relatório: tornar a prática visível e deixar que o próprio operador ou seus pares façam a cobrança. Seu balanço de 2026 encontra crescimento persistente das rotas mais específicas tanto em IPv4 quanto em IPv6. O instrumento mede; a vontade de ajustar anúncios parece menor. Smith ajudou a manter o espelho limpo. A mão que altera o roteador pertence a cada rede.

O legado é mais interessante que uma história de sucesso automático. Bates iniciou o espelho, Smith o tornou parte do trabalho semanal, Huston ainda o atualiza. A tabela põe uma linha extra diante dos olhos de todos. O operador decide se ela merece ficar, e agora precisa ter uma resposta melhor que “ninguém percebeu”.