Resumo
- O compromisso europeu de 2009 exigia que o Windows Update encontrasse usuários elegíveis com Internet Explorer como navegador padrão. A lógica de detecção não acompanhou a chegada do Windows 7 SP1.
- A Comissão concluiu que 15,3 milhões de usuários ficaram sem a tela por catorze meses. A correção usou cerca de meia página de código; a multa foi de €561 milhões.
Uma promessa com endereço de entrega
A Comissão Europeia explicou em dezembro de 2009 quem receberia a escolha: usuários de Windows XP, Vista e 7 no Espaço Econômico Europeu cujo navegador padrão fosse o Internet Explorer. A tela viria pelo Windows Update e apresentaria doze navegadores; cinco apareceriam primeiro, outros sete exigiriam rolagem lateral. A lista seria revista a cada seis meses. O acordo tinha forma jurídica, mas sua entrega dependia de uma seleção feita por software.
A decisão final de 2013 descreve dois componentes: código de detecção nos servidores de atualização e um programa que exibiria a tela no computador. A distribuição começou em 23 de fevereiro de 2010. Os engenheiros deixaram lembretes para atualizar o detector quando novos Service Packs saíssem. O pacote pronto no servidor não ajudaria um usuário que o detector deixasse invisível.
SP1 entrou no mercado; o detector ficou no passado
O Windows 7 SP1 saiu em 22 de fevereiro de 2011. PCs novos com a versão pré-instalada chegaram depois aos consumidores europeus. A regra deveria reconhecer os aparelhos elegíveis com SP1, mas não foi alterada. O processo interno ampliou o engano: uma ferramenta automática incluiu a tela de escolha numa lista de componentes supostamente presentes no SP1. Ela não estava no SP1. Um funcionário havia marcado a tarefa; outro preparou o lançamento seguindo a lista errada. A troca de responsabilidades falhou no ponto onde a obrigação dependia da engenharia.
O relatório de dezembro de 2011 ainda dizia que a distribuição havia sido completada. A Microsoft reconheceu mais tarde que deveria ter relatado os usuários perdidos. A Comissão também registra uma correção no total acumulado de instalações: cerca de 471 milhões, em vez de 525.214.680 informadas antes. Mesmo uma cifra imensa não revela quem ficou fora do filtro.
Computadores sem pacote, pessoas sem escolha
Na declaração de julho de 2012, a Microsoft falou em aproximadamente 28 milhões de PCs com SP1 que não tinham recebido o software. Explicou que o Windows Update usava lógica de detecção, admitiu que ela não fora revisada e disse que a distribuição da correção começara em 3 de julho. O número de PCs sem instalação era mais amplo do que a população obrigada a ver a tela: era preciso estar no EEE e manter o IE como navegador padrão.
A Comissão separou essas bases. Considerou aproximadamente 30 milhões de não-instalações, mas 15,3 milhões de usuários afetados pela falta da tela. Fixou o descumprimento de 17 de maio de 2011 a 16 de julho de 2012, catorze meses. Cerca de meia página de código corrigiu o detector, e a entrega estava essencialmente concluída em 16 de julho. Em 6 de março de 2013 veio a multa de €561 milhões.
A meia página é um detalhe cruel: havia uma promessa vinculante, um programa pronto e relatórios periódicos. A escolha só apareceu para quem a regra de distribuição conseguiu enxergar.
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