Resumo

  • O acordo do Lycos anunciado pela Carnegie Mellon em junho de 1995 combinou direitos exclusivos sobre a tecnologia, pagamento inicial, participação da universidade e instalação obrigatória na região de Pittsburgh.
  • O serviço de busca já era gratuito para o público. A nova empresa manteria o acesso livre enquanto vendia publicidade e licenciava o catálogo e componentes tecnológicos importantes.

A busca veio antes da empresa

A exigência de endereço é a linha mais marcante do anúncio da Carnegie Mellon University de junho de 1995: a nova empresa do Lycos teria de ficar na região de Pittsburgh. O mesmo texto descreve o acordo tecnológico. A CMU assinou uma licença exclusiva com a CMG@Ventures, que recebeu direitos exclusivos sobre a tecnologia Spider do Lycos. A universidade receberia um pagamento inicial e participação acionária na Lycos, Inc. A busca pública, informou a CMU, continuaria gratuita.

O Lycos já funcionava como projeto antes de virar empresa. Em um artigo de agosto de 1994, Michael Mauldin e John Leavitt o descreveram como um experimento de busca no espaço de documentos da Web. Um explorador da Web já estava em operação; o indexador seria conectado mais tarde naquele mês. O sistema reduzia cada documento a um registro compacto: título, cabeçalhos, palavras de maior peso, linhas iniciais, tamanho em bytes e número de palavras. A proposta era tornar uma Web extensa pesquisável sem armazenar uma cópia completa de cada página.

O projeto tinha uma máquina para rodar porque a Carnegie Mellon reaproveitou uma. Uma atualização de 26 de agosto na página do Lycos mantida por Mauldin diz que a universidade destinou ao serviço uma SPARCstation antes usada na fase I do ARPA Tipster. O equipamento passou de um programa de pesquisa para uma ferramenta pública antes da existência do acordo empresarial.

O catálogo cresceu depressa, mas os números mediam coisas diferentes. Em 20 de setembro, a página do projeto registrou 547.675 URLs únicas depois da fusão dos resultados de busca. Uma atualização de dezembro descreveu 1.493.787 URLs encontrados entre 21 de novembro e 27 de dezembro. Desses, 216.008 documentos tinham sido efetivamente buscados; outros 1.277.779 URLs ainda não explorados tinham descrições. O catálogo conseguia localizar uma página antes de o Lycos recuperar seu conteúdo.

Em junho de 1995, a CMU afirmou oferecer gratuitamente à comunidade da Internet um catálogo e uma ferramenta de busca desde outubro de 1994. O comunicado registrou mais de 400 mil usuários por semana e mais de três milhões de hits. Eram números divulgados pela universidade sobre um serviço com público e histórico de operação.

O plano de receita da nova empresa acompanhava a promessa de acesso gratuito. A Lycos, Inc. venderia publicidade e licenciaria o catálogo e componentes tecnológicos centrais. Mauldin permaneceria na CMU como consultor e diretor do conselho técnico da empresa; integrantes da equipe principal entrariam na nova companhia. O acordo manteve pesquisa, equipe e desenvolvimento comercial em contato, atribuindo a cada um um papel próprio.

Esse é o ponto decisivo do negócio. Os leitores continuariam usando o serviço sem pagar. A empresa poderia comercializar a tecnologia e o catálogo que o sustentavam. A CMU receberia dinheiro de imediato e uma parcela do valor futuro, além de manter a nova empresa na região. O anúncio público não informa o percentual acionário nem o alcance completo da licença; por isso, não dá para calcular o ganho esperado pela universidade ou listar todos os direitos que ficaram com a CMU. O registro deixa claros os termos anunciados: exclusividade tecnológica, instalação local, participação universitária e busca gratuita.

A busca acessada pelo navegador atravessava a rede. A empresa por trás dela precisava ter sede na região de Pittsburgh.