Resumo

  • Em 12 de agosto, o NomCom anunciou dois diretores da ICANN, um diretor da PTI, dois integrantes do ALAC e um integrante de cada conselho da ccNSO e da GNSO.
  • A ICANN publicou a geografia e o gênero agregados de 223 candidaturas. Antes, havia informado 47 entrevistas aprofundadas, sete finalistas para o Conselho da ICANN e quatro para a PTI, sem mostrar o funil completo de cada vaga.
  • O ciclo testou um método sistemático para avaliar as competências coletivas do Conselho. Segundo o NomCom, ele foi apenas uma entrada analítica, ao lado de diversidade, equilíbrio regional, sucessão e compatibilidade pessoal.
  • Confidencialidade protege pessoas, não exige opacidade do processo. As regras permitem divulgar dados não identificáveis, e o Year in Review e a pesquisa com candidatos seguem previstos até outubro.

Sete resultados para funções diferentes

Catherine Adeya e Niel Harper foram escolhidos para o Conselho da ICANN; Tomslin Samme-Nlar, para o Conselho da Public Technical Identifiers; Francesca Bosco e Emanuel Lukawiecki, para o At-Large Advisory Committee; Wafa Dahmani, para o Conselho da ccNSO; e Alan Woods, para o Conselho da GNSO. Os mandatos começam após a ICANN87, em outubro.

Essas vagas não são intercambiáveis. O Conselho da ICANN dirige os negócios da corporação; a PTI supervisiona o desempenho das funções de nomes da IANA; o ALAC leva interesses de usuários individuais à ICANN; e ccNSO e GNSO operam em sistemas de políticas distintos. Cada escolha deve ser analisada contra a missão da função e a composição do órgão que a recebe.

As regiões do comunicado tampouco formam uma tabela automática de justiça. As duas vagas do ALAC eram reservadas à Europa e à América do Norte. A ccNSO pediu atenção a dimensões não regionais de diversidade, pois suas eleições já produzem representação geográfica. A GNSO disse que as competências exigidas eram mais importantes que a origem, sem abandonar a diversidade. Comparar diretamente a distribuição regional dos 223 candidatos com os sete escolhidos ignoraria essas condições.

O mesmo cuidado vale para gênero. Do universo, 22,4% se declararam mulheres, 76,2% homens e 1,3% preferiram não responder. O comunicado não informa o gênero autodeclarado dos selecionados. Nomes ou fotografias não preenchem esse dado.

O recorde mede alcance, não adequação

As 223 candidaturas completas chegaram entre 18 de dezembro de 2025 e 18 de fevereiro de 2026. O conjunto era 41,3% da Ásia, Austrália ou ilhas do Pacífico, 27,4% da África, 12,5% da América Latina ou Caribe, 10,3% da Europa e 8,5% da América do Norte; 11% indicaram dois ou mais países.

Esses números ajudam a avaliar o recrutamento. Não mostram quantos candidatos eram aptos para cada função, quais competências eram raras nem como o interesse se distribuiu entre sete cargos. Somar vagas diferentes em um único denominador não produz uma taxa útil de seleção.

O relato de maio abriu parte do caminho. Das 223 inscrições, 47 pessoas avançaram para entrevistas aprofundadas. Depois, sete finalistas disputaram duas vagas no Conselho da ICANN e quatro disputaram uma vaga na PTI. Também foram fechadas listas e suplências para os outros quatro cargos, mas sem divulgação dos totais.

É possível ver a entrada, uma etapa comum e dois grupos finais. Falta o percurso por vaga: candidaturas elegíveis, avanço para entrevistas, critérios que realmente tiveram peso e lacuna que a composição final procurou preencher.

A crítica de Lu Heng à transformação de participação em mandato serve aqui como regra de evidência, não como negação da autoridade formal do NomCom. O poder de nomeação vem do Estatuto da ICANN. O número 223 comprova participação no recrutamento; sozinho, não comprova que as necessidades públicas orientaram o exercício desse poder.

Um método novo pede uma explicação sobre seu efeito

Para as duas vagas do Conselho da ICANN, o NomCom criou uma matriz de competências e experiência a partir da orientação do Board Governance Committee e das contribuições da comunidade. Em seguida, analisou o perfil coletivo dos diretores atuais com informações públicas e modelou cenários alternativos para os assentos em fim de mandato.

É uma evolução promissora. Um comitê anual pode partir de uma base comum, distinguir a necessidade institucional do apelo de um currículo e perguntar o que uma pessoa acrescenta ao conjunto. O NomCom pretende recomendar que o ciclo de 2027 formalize a metodologia, ajuste competências e pesos, atualize perfis e avalie ferramentas de IA.

O modelo, porém, não escolheu os nomes. Diversidade, equilíbrio regional, sucessão de comitês e compatibilidade de personalidades também entraram na deliberação. Por isso, uma explicação agregada é valiosa: que lacunas foram encontradas, quais viraram prioridade, quando outro fator superou o modelo e qual contribuição coletiva é esperada dos selecionados?

Responder não exige notas individuais. Sem a ligação, o método pode ser chamado de rigoroso, mas não se sabe se orientou o resultado, confirmou uma intuição ou cedeu a outras restrições.

Manter os dados privados e tornar a decisão inteligível

A confidencialidade tem propósito. Profissionais qualificados podem não se candidatar se uma tentativa malsucedida se tornar pública. Referências, verificações e conversas francas também exigem proteção. As Operating Procedures vedam a divulgação de identidades, entrevistas e deliberações, salvo exceções controladas e o anúncio final.

As mesmas regras afirmam que o processo deve ser transparente enquanto os dados dos candidatos permanecem confidenciais. Elas autorizam a publicação de procedimentos e estatísticas que não identifiquem indivíduos.

Há, portanto, bastante espaço. O NomCom pode informar os números por etapa e cargo quando não houver risco de reidentificação; indicar os critérios efetivamente aplicados; registrar alterações de método; explicar como incorporou orientações dos órgãos receptores; e descrever, em termos agregados, o papel do teste de competências. Nada disso exige nomes, notas, citações de entrevista ou divergências internas.

Não se propõe transformar julgamento colegiado em algoritmo. Uma composição depende de combinações, e nem toda qualidade relevante admite um peso confiável. A exigência é mais simples: demonstrar que os critérios públicos foram instrumentos de decisão, e não apenas linguagem institucional.

O prazo justo termina em outubro

O calendário de 2026 mantém uma fase de relatórios entre julho e outubro, com avaliações do NomCom, Year in Review e pesquisa com candidatos. O relatório de 2025 já divulgou números mais detalhados de entrevistas e etapas finais sem identificar pessoas não escolhidas.

A conclusão de hoje é provisória. Os nomes e alguns agregados estão disponíveis; a matriz entre necessidade, avaliação e composição ainda não. Se o relatório de outubro completar o funil por função, explicar os critérios usados e registrar o efeito do método de competências, o anúncio de agosto terá sido a primeira parte de uma sequência responsável.

Se apenas repetir 223, as porcentagens e os sete nomes, alcance de recrutamento e legitimidade continuarão separados. O melhor produto não seria uma pontuação artificial de indivíduos, mas uma matriz reutilizável: função, necessidade publicada, fonte, etapa, achado agregado, consideração concorrente, efeito esperado e questão ainda aberta.

Fontes