Resumo

  • A tabela final do Applicant Support Program registra 56 candidaturas plenamente aprovadas entre 78 enviadas e, em separado, 99 organizações que iniciaram o processo sem apresentar candidatura. Nenhum desses números, isoladamente, prova o sucesso ou o fracasso da divulgação.
  • A GNSO pediu referências prévias de conversão, dados por etapa e pesquisas que distingam uma saída informada de uma dificuldade de percurso. Uma concordância de coortes protegida pode tornar a análise verificável sem expor pessoas, strings pretendidas ou documentos confidenciais.

Em 26 de agosto, a ICANN encerrou o Applicant Support Program, ASP, da rodada 2026 com uma comparação poderosa. Cinquenta e seis entidades se qualificaram para assistência financeira e não financeira; em 2012, apenas uma das três candidaturas havia se qualificado. Ao todo, a edição atual recebeu 78 candidaturas das cinco regiões da ICANN. Segundo o anúncio, o aumento da divulgação e do engajamento “parece ter valido a pena”.

Há um resultado concreto. Redução de tarifas, aconselhamento, capacitação e acesso a serviços profissionais voluntários podem alterar a capacidade de uma organização com poucos recursos de chegar à rodada principal de new gTLDs.

Mas a página final guarda outro total. Noventa e nove organizações aparecem na situação “Processo iniciado — nenhuma candidatura ASP enviada”. Elas chegaram a abrir o processo e não passaram à apresentação formal para avaliação.

Não se trata de uma contagem de fracassos. Algumas podem ter entendido a proposta e decidido, com razão, não continuar. Outras podem ter apenas explorado o sistema, perdido o prazo ou encontrado restrições documentais, jurídicas, linguísticas, técnicas ou financeiras. A publicação final não distribui esses motivos, e o material consultado não permite atribuí-los.

As 99 organizações não são evidência contra a ICANN. São a população ausente na prova pública da interpretação feita pela instituição.

O quadro final não contém o denominador da divulgação

Entre as 78 candidaturas enviadas, 56 foram plenamente aprovadas, 15 foram encerradas ainda incompletas, quatro foram retiradas e três foram consideradas inelegíveis. Dentro desse denominador de candidaturas apresentadas, a taxa de aprovação é de 71,8%.

A distribuição das 56 aprovações foi de 30 na Ásia/Austrália/Pacífico, 14 na América do Norte, sete na África, quatro na Europa e uma na América Latina e Caribe. Por tipo, 25 eram micro ou pequenas empresas de economias menos desenvolvidas, 24 eram organizações sem fins lucrativos ou equivalentes, seis eram pequenas empresas de impacto social ou benefício público e uma era uma organização de povos indígenas ou tribais.

Os quadros descrevem o estado final e uma categoria de qualificação. Não mostram quantas organizações elegíveis em cada região foram alcançadas, entenderam a oferta, iniciaram o processo, utilizaram apoio ou decidiram parar depois de se informar.

As unidades também variam. A coluna estatística usa “número de candidaturas”, enquanto a nota das 99 usa organizações. O comunicado chama as 56 aprovadas de entidades. A métrica posterior da GNSO conta candidaturas de gTLD delegadas com sucesso, não candidatos ou strings. Somar 99 e 78 para criar uma taxa de início até envio pressuporia uma correspondência de um registro por organização que a definição pública não garante.

Uma taxa só pode ser comparada quando numerador e denominador contam a mesma unidade em uma janela estável.

A orientação da GNSO já contém o teste necessário

A recomendação sobre conhecimento e divulgação não se resume a impressões ou aprovações finais. Ela pede taxas de conversão proporcionais a referências do setor, com métricas específicas acordadas previamente com a função de comunicação da ICANN e os prestadores relevantes.

Também menciona cliques, consultas, inscrições e pesquisas sobre qualidade e clareza das informações. A pergunta decisiva é se o destinatário compreendeu a mensagem e tomou uma decisão informada de prosseguir ou se retirar.

Essa distinção evita dois erros opostos. A ICANN não pode transformar todo contato em êxito. Quem critica o programa não pode transformar toda saída em falha institucional.

Há ainda dois momentos posteriores. Na contratação e delegação, o piso é de dez candidaturas, ou 0,5% de todas as candidaturas de gTLD delegadas com sucesso, vindas de participantes apoiados. Depois da delegação, devem ser examinados os resultados regionais, a continuidade operacional por três anos e a experiência de participantes apoiados bem-sucedidos e não bem-sucedidos.

As 56 aprovações de apoio ainda não satisfazem nem frustram esses indicadores. Qualificação no ASP não é candidatura paga na rodada principal, avaliação aprovada, string delegada ou operação de registro mantida por três anos.

Houve monitoramento; falta a ligação final

A ICANN não trabalhou sem observação. Seu relatório abrangente de outubro de 2025 listou dados de eventos, redes sociais, tráfego do site, tempo em cada etapa, engajamento por e-mail, uso de serviços voluntários e uma pesquisa com candidatos. O documento identificou uma dificuldade real: muitos participantes avançavam devagar no início, e era difícil distinguir curiosidade de intenção séria ou localizar o ponto de bloqueio.

Em maio de 2025, cinco perguntas foram enviadas a todas as pessoas então participantes. Quatro responderam, mencionando navegação no sistema, documentação e exigências jurídicas. A ICANN procurou quem pediu ajuda, atualizou orientações, investigou problemas e antecipou o acesso a assistência voluntária.

Isso é evidência de monitoramento e correção. Não é uma amostra representativa. O próprio relatório observa que quatro respostas talvez não reflitam quem não completou o processo.

Até outubro, o programa havia criado estados ativo e inativo, mensagens regulares, relatórios de idade das etapas e novas pesquisas. Em janeiro de 2026, o Board informou ao GAC que a equipe fazia contatos semanais e que ainda era cedo para avaliar o objetivo de delegação. Em julho, a ICANN avisou que casos parados por ações obrigatórias pendentes seriam encerrados depois do prazo principal, caso não fossem reativados.

Existe, portanto, um registro operacional. O que falta na superfície pública final é a correspondência entre classe de divulgação, estado de entrada, ajuda oferecida ou usada, duração da etapa e saída como desistência informada, inatividade, incompletude no prazo, retirada, inelegibilidade ou motivo desconhecido.

Publicar concordância, não arquivos de candidatos

A solução não é divulgar os nomes das 99 organizações, suas strings pretendidas, provas financeiras, mensagens com conselheiros ou material de avaliação. Esses elementos podem exigir sigilo para proteger tanto indivíduos quanto a participação futura.

Uma concordância protegida pode registrar a versão da métrica e a unidade de cada etapa; datas de entrada, transição, oferta e uso de ajuda; classes de origem da divulgação, quando legalmente disponíveis; região e tipo de entidade de forma agregada; idade da etapa e última ação pendente; classes limitadas de saída; convites, respostas e não respostas de pesquisas; e a referência, sua data de aprovação e o método de comparação.

Na versão pública, bastam agregados, definições e supressão de células pequenas. Equipes e parceiros regionais continuariam escolhendo idioma, canal, evento, mentor e mensagem. A concordância padronizaria apenas a evidência necessária para comparar o resultado com a métrica que a comunidade já aceitou.

O Board autorizou até US$ 5 milhões e, depois, até outros US$ 4,9 milhões provenientes dos leilões de 2012, para que o programa pudesse apoiar até 75 participantes qualificados. Cinquenta e seis aprovações não explicam a capacidade remanescente: demanda menor, critérios rigorosos, economia prudente e perdas evitáveis continuam sendo hipóteses abertas.

Um marco admite comemoração. Uma medição precisa resistir quando o narrador muda. A ICANN publicou o marco e sua própria governança descreveu o teste. Resta unir os dois.

Fontes

  1. Blog da ICANN sobre os resultados, 26 de agosto de 2026
  2. Estatísticas finais do Applicant Support Program
  3. Visão geral do Applicant Support Program
  4. Página do processo de candidatura ao ASP
  5. Relatório de recomendações da GNSO sobre Applicant Support
  6. Relatório abrangente da ICANN sobre candidatos, 3 de outubro de 2025
  7. Comentários do Board para a interação Board–GAC de 12 de janeiro de 2026
  8. Atualização da ICANN sobre o ASP, 15 de outubro de 2025
  9. Resolução do Board sobre financiamento do ASP, 26 de março de 2026
  10. Visão geral da rodada 2026 de novos gTLDs
  11. Atualização de julho de 2026 do ASP para a SubPro IRT