Resumo
- A SEC propõe revogar a regra 206(4)-5, que pode impedir um assessor de investimentos de receber remuneração de um cliente governamental por dois anos após certas contribuições políticas, e eliminar as exigências específicas de registro dessas contribuições.
- A proposta ainda não é definitiva. O prazo para comentários termina em 9 de novembro; o teste de governança é saber se políticas próprias de cada firma e as normas que permanecem manterão salvaguardas verificáveis sem o peso geral da regra atual.
No processo S7-2026-31, a Securities and Exchange Commission propõe retirar um gatilho federal que conecta certas contribuições políticas à capacidade de um assessor ser remunerado por atender um cliente governamental. A SEC publicou a proposta em 3 de setembro e a levou ao Federal Register em 10 de setembro. O processo continua classificado como proposta, com comentários até 9 de novembro de 2026. A Comissão ainda não revogou a regra.
A regra 206(4)-5 geralmente estabelece um período de dois anos sem remuneração quando um assessor ou associado coberto contribui para determinados candidatos ou ocupantes de cargos eletivos que possam influenciar a escolha de um assessor por uma entidade governamental. Ela também restringe certas formas de solicitação e coordenação de negócios públicos. Há exceções, incluindo limites para pequenas contribuições e um processo para pedir dispensa. A regra 204-2 exige que assessores registrados mantenham registros específicos de associados cobertos, clientes governamentais, contribuições e pagamentos a pessoas que buscam negócios públicos.
O pacote proposto revogaria a regra 206(4)-5 e excluiria da regra 204-2 esses registros específicos de contribuições políticas. Permaneceriam as proibições contra fraude, os deveres fiduciários previstos na Advisers Act, as regras de conformidade e o código de ética. Leis federais, estaduais e locais distintas sobre corrupção, contratação pública e financiamento eleitoral também continuariam valendo. A SEC afirma que cada firma seguiria tratando os riscos por meio de políticas e procedimentos ajustados à sua própria exposição.
Outros documentos — políticas de conformidade, revisões anuais, registros do código de ética e contratos com clientes — continuariam guardados e disponíveis à Comissão durante inspeções.
A justificativa da SEC trata de dificuldades concretas. A regra é complexa, pode ser difícil identificar associados cobertos e agentes públicos relevantes, e uma pequena contribuição ou uma doação anterior ao emprego pode afetar uma contratação ou a disponibilidade de assessores para fundos públicos de pensão mesmo quando o risco material é baixo. A SEC também aponta que algumas firmas restringem contribuições além do que a regra exige, com possível impacto sobre a expressão política lícita. São argumentos e estimativas da Comissão, não prova de que toda contribuição seja inofensiva ou de que todos os controles atuais sejam excessivos.
A alternativa não é a ausência de normas. O desenho passaria de uma consequência federal comum, acionada por um evento, e seus registros dedicados para controles definidos por cada assessor, sob deveres gerais do mercado de valores mobiliários e outras leis aplicáveis. A flexibilidade pode refletir melhor os riscos de cada firma. Também pode dificultar a comparação de salvaguardas e dos documentos disponíveis para fiscalização entre empresas e jurisdições.
O processo público distingue participação de autoridade decisória. Ele reúne comentários e memorandos de reuniões com funcionários da SEC, incluindo uma manifestação de 16 de outubro do assessor independente Michael W. Bishop, contrário à revogação integral. Ele argumenta que uma vedação preventiva pode tratar de influências difíceis de demonstrar como uma troca concluída. É a posição de um comentarista, não uma pesquisa representativa nem uma conclusão da SEC. Um memorando sobre reunião com o Investment Company Institute registra participação, não aprovação da Comissão. A decisão regulatória continua sob responsabilidade da SEC.
A proposta também abre espaço para alternativas mais limitadas. A SEC pergunta se deveria ajustar os limites de contribuição, as definições, o período retrospectivo, a vedação de dois anos ou os registros a conservar. São opções submetidas à consulta, não obrigações já adotadas. O próximo ponto é saber se os comentários identificam controles menos onerosos, mas ainda visíveis à fiscalização, e se a decisão final preservará registros comparáveis.
Fontes
- Processo regulatório S7-2026-31 da SEC
- Texto da proposta IA-6994
- Anúncio da proposta pela SEC
- Processo de comentários públicos
- Comentário de Michael W. Bishop de 16 de outubro
- Memorando da SEC sobre reunião com o ICI
- Declaração da comissária Hester M. Peirce
- Declaração do comissário Mark T. Uyeda
- Perguntas frequentes da SEC sobre a regra atual
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