Resumo

  • O estudo analisou 1.752 adultos não turistas que responderam a questionários em 14 cabinas selecionadas. Os resultados falam sobre os usuários desses pontos, não sobre toda a população peruana.
  • A sessão compartilhada custava menos que uma conexão individual, mas o preço da hora, a distância até a cabina e a estabilidade do enlace continuavam limitando o acesso.

Análise

Uma conexão doméstica exigia computador, linha telefônica e pagamento recorrente. A cabina pública oferecia outra unidade: o usuário pagava pelo tempo de uso de um terminal em um espaço compartilhado. O operador concentrava os custos dos equipamentos, do local e da conectividade; o cliente evitava o investimento inicial. A despesa, porém, não desaparecia. Ela passava a ser cobrada a cada sessão.

O estudo de 2001 elaborado por FAO, UIT e Banco Interamericano de Desenvolvimento comparou os modelos. Em 1998, vinte horas mensais de conexão discada individual custavam US$ 40,45, perto de 10% da renda mensal média por habitante. Esse cálculo não incluía a compra de um computador nem a instalação da linha telefônica. As mesmas vinte horas em uma cabina custavam aproximadamente US$ 28 em 1998, ou 7% dessa renda; a preços de 2000, o relatório estimava US$ 14, ou 4%. São comparações de anos diferentes. Não se deve apresentar 4% como a tarifa de 1998.

Mesmo esse custo menor podia pesar para famílias pobres. Uma nota do relatório estima em cerca de US$ 126 a renda mensal familiar dos estratos mais pobres e calcula que vinte horas de cabina consumiriam 12% desse valor. Era possível usar menos horas, mas o acesso continuava condicionado ao dinheiro disponível e à existência de um ponto próximo.

A pesquisa também tem um limite claro: ela começou com usuários de cabinas que responderam ao questionário. Das 1.752 respostas analisadas, 1.349 vieram de quatro espaços universitários. No total, 1.337 participantes — 76,3% — disseram ser estudantes. Os autores atribuem parte dessa concentração às quatro grandes cabinas universitárias. A nota de rodapé acrescenta contexto: estudantes também eram numerosos nos locais não universitários, com uma proporção de 69,3% nos pontos de resposta baixa e 70,4% nos pontos não universitários de resposta alta, exceto o caso rural da AEDES.

Isso não transforma o levantamento em amostra nacional. O relatório considerou provável que as respostas representassem usuários de oito dos catorze locais, que tiveram boa participação. Seis cabinas comerciais responderam pouco — talvez cerca de 10% de seus usuários — e não podiam representar nem os próprios clientes. Quem nunca visitou um desses espaços não aparece na contagem. O estudo é útil para caracterizar alguns usuários; não mede quem ainda estava sem acesso.

Também não havia uma franquia única da Red Científica Peruana. O relatório descreve vínculos comerciais da RCP com aproximadamente cem cabinas, mas afirma que o modelo de franquia frequentemente atribuído ao Peru não se desenvolveu. Operadores locais precisavam equilibrar preço, ocupação e manutenção. Em fevereiro de 2000, a hora custava S/2,5–3 em Lima e nas capitais provinciais; em Urubamba, onde havia uma única cabina, o valor era S/7. Nas áreas rurais, interrupções de conectividade e custos operacionais elevados complicavam a oferta. O terminal podia ser compartilhado; o enlace precisava continuar funcionando.

A mudança histórica foi oferecer Internet como uma sessão comprada localmente, sem exigir que cada família montasse uma conexão doméstica. A pesquisa registra quem entrou em alguns desses espaços e quanto o uso podia custar. Não registra o país inteiro.

Fontes