Resumo

  • O RFC 1166 registrava números de rede e sistemas autônomos em julho de 1990. O * antes de um número indicava uma rede IP independente; sua interconexão com a internet exigia uma solicitação separada.
  • O quadro de números designados para ARPA-Internet e DDN-Internet somava 4.210 redes. Outro quadro, para internet e usos independentes, totalizava 18.781. O título de cada quadro decide o que seu total descreve.

O registro de julho de 1990, assinado por Sue Kirkpatrick, Mary Stahl e Mimi Recker, tinha o peso de uma lista telefônica. Contava números de rede e sistemas autônomos de gateways. E trazia uma lista telefônica de verdade: endereço, telefone e e-mail do Hostmaster no DDN Network Information Center. Se a informação impressa envelhecesse, havia alguém a quem perguntar. O futuro da rede ainda atendia chamadas.

Cada rede ou sistema autônomo registrado vinha acompanhado de um responsável e uma caixa postal eletrônica. As referências entre colchetes levavam a documentos e ao NIC Handle, identificador consultável pelo WHOIS/NICNAME. O contato podia trocar de endereço; o serviço e o Hostmaster indicavam onde encontrá-lo. A função do livro era manter números distintos e pessoas localizáveis, não congelar uma tarde de julho para sempre.

Na página cinco, os editores explicavam o alfabeto do catálogo. R marcava pesquisa, D defesa, G governo civil e C comércio. Depois vinha o sinal que mudava a conversa: o asterisco antes do número. Havia redes ligadas à internet de pesquisa ou à rede operacional e havia redes independentes usando IP, muitas delas comerciais. O asterisco identificava as independentes. A linha C*3.rrr.rrr.rrr de GE-INTERNET reunia classificação comercial e condição independente em duas marcas. Não era um enfeite tipográfico; era a legenda da porta.

O administrador de uma rede independente devia solicitar separadamente permissão para interconectá-la com a internet. O documento ainda dizia que essas redes ficariam fora das tabelas de trabalho dos hosts e gateways da internet. A atribuição do número respondia qual identificador único a rede usaria. A autorização de interconexão respondia quem aceitaria o caminho operacional compartilhado. São decisões vizinhas no processo, mas têm papéis diferentes. O RFC fez a distinção caber numa página que qualquer operador podia consultar.

Os totais da página 101 dão ao asterisco uma calculadora. O quadro “designados para ARPA-Internet e DDN-Internet” listava 4.210 números de rede: 29 classe A, 1.209 classe B e 2.972 classe C. O quadro “alocados para internet e usos independentes” trazia 18.781: 34, 2.533 e 16.214, respectivamente. Na linha comercial, o primeiro tinha 253, o segundo 10.264. Todos são números de rede daquela data. Ler a coluna ampla como uma fila de conexões já liberadas transformaria uma convenção explícita em ficção estatística.

O livro ainda cuidava das mudanças de número. Durante uma transição, o número antigo podia permanecer na lista com um T após ele e -TEMP no nome. Era uma forma de deixar pista para equipamentos e tabelas que ainda apontassem para o identificador anterior. O registro não precisava fingir que uma alteração administrativa apagava instantaneamente cada configuração espalhada pela rede.

Num capítulo próprio, os números de sistemas autônomos identificavam grupos de gateways por meio de um campo de 16 bits no Exterior Gateway Protocol. A lista associava valor, nome e contato. Assim como no catálogo de redes, o identificador servia melhor quando se sabia quem poderia responder por ele. O RFC se apresentava como relatório de situação, sujeito a atualizações; o Hostmaster e o WHOIS davam continuidade ao que as páginas não acompanhavam em tempo real. O asterisco ficou como sua melhor piada operacional: cabia numa tecla, mas impedia que uma entrada no livro passasse por convite à festa.