Resumo

  • Kobe concedeu à Mitsui Fudosan e à Kumagai Gumi um arrendamento de 10 a 20 anos para cerca de 3 km e 17 mil m² de um antigo túnel de correia; o aluguel anual é de ¥7.572.000.
  • A equipe prevê iniciar o serviço no fim de 2027 e mira capacidade máxima futura de recebimento de 20 MW. A energia da primeira etapa, o orçamento de conversão e os clientes contratados não foram divulgados.

Sete milhões, quinhentos e setenta e dois mil ienes por ano: esse é o preço público do espaço para o futuro centro de dados subterrâneo de Kobe. A cidade concedeu aproximadamente três quilômetros de um antigo túnel de correia, com cerca de 17 mil metros quadrados. A conta simples dá ¥445 por metro quadrado ao ano, ou ¥37 por mês. Como a área é aproximada, o valor unitário também é. Ainda assim, é uma manchete tentadora. O orçamento da obra, por sua vez, continua fora do quadro.

O túnel carregava terra escavada das montanhas até a costa, ajudando a construir bairros residenciais, distritos industriais e a área aterrada do aeroporto de Kobe. A correia parou em setembro de 2005. Kobe já havia recebido ideias de reaproveitamento em 2006; a cidade voltou a sondar o mercado em agosto de 2025 e publicou um resumo em fevereiro de 2026. A licitação atual transforma essa busca longa em um uso definido: a Mitsui Fudosan lidera a ocupação de um trecho, com a Kumagai Gumi como integrante do grupo. As empresas planejam módulos de centro de dados em contêineres; a Getworks deverá operar a instalação.

A Mitsui afirma que a temperatura no túnel permanece entre 15°C e 20°C durante o ano. O projeto prevê resfriamento a água com recirculação de água subterrânea. A Pacific Consultants, parceira técnica, informa que a maior parte da área fica a mais de 40 metros de profundidade. A antiga rota da terra agora terá de acomodar energia, água de resfriamento, fibra e o calor produzido pelos servidores.

Kobe divulgou um prazo possível de arrendamento entre 10 e 20 anos, sem apontar no aviso da adjudicação qual duração definitiva foi contratada. O município publicou o aluguel anual e o vencedor do processo com condições de uso. As empresas planejam começar a primeira etapa no fim de 2027. Os 20 MW são um teto futuro de capacidade de recebimento: não representam a potência da abertura, a carga de TI, a demanda de clientes nem uma conexão já energizada.

O aluguel barato paga o endereço. Não paga a conversão do túnel, os equipamentos elétricos, os circuitos de refrigeração, os geradores de emergência, a fibra, a segurança, a construção ou o financiamento. Não há orçamento público para a obra, potência inicial, preço de eletricidade, clientes contratados, ocupação prevista ou receita. ¥37 mensais por metro quadrado é a linha mais fácil da planilha; não é a linha que decide o retorno.

Os riscos estão divididos. Kobe oferece um ativo público e recebe aluguel; Mitsui e Kumagai desenvolvem e constroem; a Getworks deverá tocar os contêineres. Um atraso na energia ou na obra pode deixar a instalação com aluguel baixo e receita de centro de dados igual a zero. Contratos de clientes antes da compra dos equipamentos dão uma base à expansão. Construir primeiro deixa capital e sistemas de resfriamento esperando os racks serem ocupados.

A próxima atualização que importa deve trazer a potência da primeira etapa, o custo da conversão, a carga de clientes já contratada e a data de energização. Esses dados dirão se Kobe encontrou um ativo reaproveitado com boa economia ou apenas um endereço barato para uma obra cara.

Fontes: adjudicação da cidade de Kobe; comunicado da Mitsui Fudosan; detalhes da Pacific Consultants; histórico do túnel, cidade de Kobe.