Resumo
- A Versão 2 (RASCUNHO) do Documento de Governança dos RIR foi publicada em 28 de agosto de 2025 e sucede a ICP-2, adotada em 4 de junho de 2001 [0][1].
- O rascunho substitui a unanimidade por um mecanismo de Revisão de Reconhecimento com revisão independente por terceiros quando a unanimidade falhar (Seção 2.3(a)) [3][4].
- As auditorias periódicas passam a ser exigidas pelo menos a cada três anos, conduzidas por auditor independente nomeado pela ICANN (Seção 4.2); a Versão 3 posteriormente ampliou esse ciclo para cinco anos [0][8].
- A continuidade de emergência (Seção 5.1) exige acordo unânime das demais RIRs e da ICANN, com limite de 90 dias, renovável [0][3].
- A Versão 3 renumerou os efeitos de desreconhecimento (6.3 → 6.8) e retificação/revisão periódica (7.2/7.3 → 7.3/7.4), sinalizando que o texto permanece em evolução [7][8].
De onde vem o documento
O Documento de Governança sucede a ICP-2 — "Critérios para o Estabelecimento de Novos Registros Regionais da Internet", adotada em 4 de junho de 2001 [0][6]. A Versão 2 (RASCUNHO) foi publicada pelo NRO NC em 28 de agosto de 2025 e seu título completo — "Governança para o Reconhecimento, Operação e Desreconhecimento dos Registros Regionais da Internet" — difere do primeiro rascunho de abril, que usava "Manutenção" em vez de "Operação" [0][1][6].
O primeiro rascunho foi publicado em 14 de abril de 2025; uma consulta comunitária e um processo de comentário público da ICANN correram de 14 de abril a 27 de maio de 2025, e a Versão 2 incorporou esse feedback e consultas organizadas pelas próprias RIRs [2][3][4].
O que a Versão 2 mudou em relação à Versão 1
Reconhecimento sem unanimidade. A Versão 1 exigia unanimidade entre as RIRs existentes para recomendar o reconhecimento de um candidato. A Versão 2 introduziu uma Revisão de Reconhecimento com revisão independente por terceiros quando a unanimidade falhar (Seção 2.3(a)) [3][4].
Procedimentos de implementação. A Versão 2 adicionou Procedimentos de Implementação (Seção 1.3) que não podem contradizer nem sobrepor qualquer termo do Documento [3][4].
Critério de "melhoria material". Novo critério (Seções 2.5 e 3.1(f)) que permite a uma candidata contestada demonstrar progresso em vez de conformidade total desde o início [3].
Limiares de desreconhecimento. A Versão 2 ajustou os limiares de proposta de desreconhecimento para 25% dos membros ou 2.000 membros, o que for menor, e adicionou o direito da RIR afetada de responder publicamente [3][4].
Papel ampliado da ICANN. A Versão 2 amplia o papel da ICANN — publicação de objeções e revisões, início de propostas de desreconhecimento, início de auditorias ad hoc e consentimento à continuidade de emergência — e adiciona um dever geral de boa-fé e tratamento justo (Seções 2.3(b), 2.4, 2.8, 5.1) [3][4].
Continuidade de emergência. A Seção 5.1 introduz um operador temporário de emergência, exigindo acordo unânime das demais RIRs e da ICANN, limitado a 90 dias, renovável [0][3].
Estrutura de obrigações e remedies
As Seções 3.1 e 4.1 listam critérios de reconhecimento (qualificação regional, apoio de detentores de recursos e da comunidade) e requisitos operacionais contínuos, incluindo independência financeira e operacional, governança, transparência, desempenho, continuidade e reuniões [0]. A Seção 4.2 exige auditorias independentes pelo menos a cada três anos, com auditor nomeado pela ICANN; a Versão 3 posteriormente mudou o ciclo para cinco anos [0][8].
A Seção 6.2 estabelece uma presunção em favor da reabilitação sobre o desreconhecimento — o desreconhecimento é um último recurso — e a Seção 6.3 define seus efeitos: transição (handoff), cessação da responsabilidade de serviço da RIR, perda de adesão ao NRO e um possível cronograma de implementação [0][7][8]. A Versão 3 renumerou esse artigo para 6.8 [8].
As emendas exigem acordo unânime da ICANN e das RIRs, após consulta às suas respectivas comunidades (Seção 7.1); a Seção 7.2 trata da retificação, renumerada para 7.3 na Versão 3, com a Revisão Periódica movida de 7.3 para 7.4 [1][8].
Por que isso importa
A mudança estrutural mais significativa é a ruptura com a unanimidade: sob a Versão 1, uma única RIR podia bloquear o reconhecimento de um concorrente; sob a Versão 2, a objeção apenas desencadeia uma revisão independente. Combinada com limiares de desreconhecimento mais baixos e um papel de auditoria da ICANN, a segunda versão cria caminhos tanto para entrada quanto para saída que simplesmente não existiam sob a ICP-2.
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