Resumo

  • Um memorando assinado por cinco instituições em agosto de 2006 formou uma coalizão para criar uma rede de pesquisa e educação nos Emirados; os campi ainda não estavam conectados por isso.
  • O financiamento de abril de 2009, o contrato de construção com a Etisalat em julho e as primeiras conexões universitárias relatadas em junho de 2010 foram etapas distintas.

É comum condensar a história de uma rede em um único ano de fundação. No caso da Ankabut, isso confunde um acordo institucional com um serviço que já pudesse ser usado. Segundo a história publicada pela própria rede, os centros de ensino dos Emirados já tinham acesso à Internet. Faltava uma rede nacional dedicada à pesquisa e à colaboração, além de ligações com redes de pesquisa no exterior. A proposta, portanto, não era levar a Internet ao país pela primeira vez, mas organizar uma infraestrutura compartilhada para uma finalidade acadêmica específica.

O Instituto de Tecnologia Aplicada (IAT) iniciou a proposta e procurou a Khalifa University, então chamada KUSTAR. A United Arab Emirates University, a Zayed University e a Higher Colleges of Technology também demonstraram interesse. Em agosto de 2006, as cinco instituições assinaram um memorando para formar um consórcio. Uma reportagem de 2012 informa a data de 7 de agosto. O acordo reuniu os participantes em torno de uma tarefa; não colocou a rede em operação.

Antes era preciso definir o desenho e as fontes de recursos. A história institucional da Ankabut descreve um estudo de viabilidade sobre custos e financiamento, com referências a redes de pesquisa da América do Norte, Europa e Reino Unido. Depois, os participantes chegaram a um desenho consensual. O nome Ankabut e a função de coordenação da Khalifa University deram ao projeto um centro identificável. A mesma fonte ainda trata a estrutura final do consórcio e seu estatuto como tarefas futuras; os documentos consultados não mostram quando a governança foi concluída.

As conexões internacionais e a construção doméstica avançaram por caminhos diferentes. Uma reportagem setorial de 2012 diz que um acordo com a Internet2 veio alguns meses depois do memorando de fundação. Uma atualização de trabalho hospedada pela Internet2 registra uma interconexão em dezembro de 2006 e um acordo com a DANTE em maio de 2007. Como o arquivo não pôde ser baixado diretamente, convém tratá-lo como um retrato provisório de andamento. Esses acordos preparavam o intercâmbio entre redes de pesquisa; não conectavam automaticamente todos os campi do país.

Os compromissos de construção se tornaram concretos em 2009. Em abril, o ICT Fund e a Khalifa University acertaram o financiamento. Em julho, a universidade contratou a Etisalat por cinco anos para construir a infraestrutura. Em abril de 2010, a Emirates News Agency já descrevia uma rede de longa distância para pesquisa e educação e uma reunião de usuários da Ankabut com quatro universidades. A agência relatou que a Khalifa University administrava o projeto, financiado pela KUSTAR e pelo ICT Fund, enquanto a Etisalat fornecia a infraestrutura contratada.

Uma reportagem de 2012, baseada em entrevista com o diretor de operações da Ankabut, situa as primeiras conexões universitárias em 17 de junho de 2010. Segundo o texto, a Higher Colleges of Technology e a Zayed University foram as primeiras instituições conectadas. É uma data retrospectiva, não um registro completo de aceitação. Ainda assim, separa o acordo de 2006, que definiu a ambição, das conexões de 2010, que indicam que ao menos algumas instituições podiam começar a usar a rede.

O relatório de serviços de TI da UAE University para 2010–2011 mostra que integrar uma instituição exigia decisões próprias. Para usar um protocolo de roteamento não padrão, a universidade precisou da aprovação da Etisalat; também se registrou na RIPE e obteve sua própria sub-rede IPv6. É um caso de um campus, não uma regra para todos. Ele mostra, porém, que a operação distribuía autoridade entre a rede comum, a operadora e a instituição.

Em 2012, o COO Steven Winstanley atribuiu a adoção lenta ao fato de que o conceito de rede nacional de pesquisa ainda era pouco conhecido nos Emirados. Essa é uma avaliação atribuída, não uma série estatística de uso. Os números posteriores citados na mesma reportagem — vinte universidades e cinquenta e seis campi — descrevem um estágio seguinte, e não a escala no lançamento.

De 2006 a 2010, a Ankabut avançou por uma cadeia de compromissos com responsáveis diferentes. As universidades formaram a coalizão e concordaram sobre o desenho; recursos públicos viabilizaram a construção; uma operadora implantou a infraestrutura; e a conexão internacional e o roteamento nos campi exigiram acordos próprios. A rede começou a existir como serviço quando essas responsabilidades se conectaram, e não apenas quando recebeu um nome.

Fontes