Summary

  • O bloco 103/8 deveria dar a quem chegasse depois uma pequena entrada para a Internet ainda dependente de IPv4. As regras gerais de transferência permitiam que o endereço mudasse de mãos logo após a delegação.
  • Tomohiro Fujisaki apresentou a prop-116 para fechar essa passagem. O texto saiu de uma proibição total, passou por uma espera de dois anos e chegou a cinco anos após o debate na APNIC 44.
  • A contagem começa na delegação original. Fusões e aquisições entram na restrição; se o motivo original desaparece durante o prazo, o bloco volta à APNIC.

A última fatia tinha saída de emergência

A última fornada de uma padaria vem com aviso: uma fatia por freguês. No balcão ao lado, as fatias podem ser revendidas. A APNIC tinha um problema parecido com o 103/8, sua última grande reserva de IPv4. A regra de distribuição entregava pequenas parcelas aos membros; a regra comum de transferências podia recolocá-las em circulação de imediato. Em seu relato de 2016, a própria APNIC descreveu o incentivo a abrir contas novas, receber várias parcelas e reuni-las depois numa operação já estabelecida. Para o próximo operador da fila, pouco importa qual dos dois balcões esvaziou a prateleira.

Tomohiro Fujisaki assinou a prop-116 para lidar com a saída. A primeira versão, de setembro de 2016, pretendia proibir a transferência de blocos do 103/8. Não houve consenso na APNIC 42. Uma versão seguinte permitia transferir após dois anos; também não passou na APNIC 43, em março de 2017. O propósito de preservar a reserva soava simples. Escrever a restrição que um titular pudesse cumprir e a APNIC pudesse administrar exigiu mais de uma rodada.

O relógio ganhou três anos no plenário

Na APNIC 44, em setembro de 2017, os participantes pediram que a espera subisse de dois para cinco anos. Fujisaki aceitou. Saiu também a frase que encerraria a restrição quando o 103/8 se esgotasse. A página oficial da reunião registra as duas mudanças. A sexta versão obteve consenso no Policy SIG e na reunião dos membros. O Conselho Executivo suspendeu temporariamente as transferências afetadas enquanto o resultado era consolidado. A norma entrou em vigor em 20 de novembro.

O detalhe operacional está no começo da contagem. Segundo a nota de implementação, transferências já concluídas continuaram válidas; um bloco que já tivesse sido transferido, porém, só poderia sair de novo depois de cinco anos da delegação original. O novo dono não recebe um relógio novo. A política atual mantém a exigência, e as condições de transferência incluem fusões, aquisições e reorganizações. Se o motivo do pedido inicial deixa de existir durante o prazo, o recurso deve ser devolvido à APNIC.

A APNIC não publicou uma contagem de transferências oportunistas que a medida impediu. O arquivo mostra o que a política fez com o mecanismo: o endereço passa a carregar a data de nascimento da sua delegação por cinco anos. O cadastro vira a peça central; quem compra um bloco recebe também a idade dele. Fujisaki chegou com a ideia de fechar a porta; a comunidade preferiu colocar nela um temporizador.

Registros originais