Resumo

  • Em maio de 2024, Marco Schmidt registrou mais de 6 mil alocações IPv6 com mudança de titular por transferência de política, cerca de um quarto das alocações que o RIPE NCC havia distribuído até então.
  • Em 17 de junho, o RIPE NCC passou a exigir que o destinatário já detentor de IPv6 documentasse a necessidade de outra alocação em novos pedidos de transferência. Redes ativas no bloco transferido podiam justificá-la; fusões e aquisições seguiam procedimento próprio.

O espaço é vasto; o expediente, não

No levantamento que assinou, Schmidt mostrou uma concentração pouco intuitiva. Sete dos dez membros com mais alocações tinham apenas uma conta LIR e haviam reunido blocos exclusivamente por transferência. Quatorze membros com mais de cinquenta alocações cada detinham quase 9% do espaço IPv6 alocado pelo RIPE NCC. A porcentagem se refere ao estoque distribuído por aquele registro, não ao universo IPv6.

O custo de cartório veio em horas. Para uma acumulação ilustrativa de 300 alocações, Schmidt estimou entre 100 e 150 horas de análise dos pedidos iniciais e mais cerca de 300 horas para as transferências. A conta chega a 400–450 horas de trabalho bancadas coletivamente pelos membros. Ele disse expressamente que a conduta observada respeitava as regras vigentes. Anúncios de rotas e ROAs mostravam alguma atividade, sem provar o uso final dos blocos.

Havia um descompasso entre caminhos. Uma conta LIR obtinha a primeira /29 com justificativa mínima. Para pedir espaço adicional diretamente ao RIPE NCC, precisava demonstrar necessidade e planos de implantação. Acumular alocações por transferências escapava daquela avaliação do destinatário. No aviso de 17 de junho, Schmidt levou o requisito aos novos pedidos de transferência feitos por quem já possuía IPv6: explicar o uso da alocação existente ou a razão da próxima.

Em 19 de junho, ele afinou a distinção. A transferência de uma rede em funcionamento continuaria apoiada; um bloco sem rede ativa seria examinado como nova solicitação de alocação. Mudanças decorrentes de fusão ou aquisição tinham rito separado. O comunicado do RIPE NCC confirmou a prática, mas não trouxe uma contagem posterior de recusas ou de blocos que deixaram de se acumular.