Resumo

  • Entre 11 de junho e 4 de setembro de 2026, a LACNIC registrou seis transferências de /16 da mesma origem, TELEFONICA MOVIL DE CHILE S.A. São 393.216 endereços IPv4 sem sobreposição.
  • Três blocos chegaram à região da RIPE NCC, dois à ARIN e um à APNIC. Os três registros de destino confirmam suas parcelas, mas nenhum deles publica a dispersão inteira do titular de origem.

Há um jeito fácil de perder metade da história de uma transferência de IP: começar pelo destino. Quem consulta apenas a RIPE NCC vê três /16. Quem abre a ARIN vê dois. Na APNIC aparece um. A planilha original da LACNIC é o ponto em que as seis linhas ainda pertencem à mesma frase: uma titularidade de origem, cinco nomes de destino, três regiões de registro.

Cada /16 contém 65.536 endereços; seis blocos completos somam 393.216, equivalentes a 1.536 unidades /24. As faixas não se sobrepõem. A contagem é verificável até o último endereço. O valor pago, a estrutura contratual e qualquer migração de serviço não constam do arquivo. A precisão do inventário não autoriza uma biografia inventada para a transação.

O primeiro destino foi a RIPE NCC. Em 11 de junho, 181.201.0.0/16 foi para European ION Investment Group SL; em 16 de junho, 152.175.0.0/16 foi para SAKURA INTERNATIONAL INVESTMENT LIMITED; em 24 de junho, 181.202.0.0/16 foi para NXA Global Online Services Ltd. A lista de entradas da RIPE NCC confirma os três blocos e as datas. O primeiro nome aparece ali como European IO-N Investment Group SL. Uma checagem séria preserva essa diferença de grafia e usa as faixas e datas para fazer a junção.

Em 16 de julho, duas outras peças foram para Videotron Ltee, agora na ARIN. São 181.200.0.0/16 e 181.203.0.0/16, ou 131.072 endereços. O arquivo da ARIN repete origem, destinatário, faixas e dia. A sequência numérica engana: entre 181.200 e 181.203 ficam justamente 181.201 e 181.202, que já tinham tomado caminhos diferentes pela RIPE NCC. A carteira mudou de desenho; não virou um bloco contíguo sob um único novo titular.

O sexto /16, 191.124.0.0/16, foi para FASTMOS CO., LIMITED no espaço da APNIC. A LACNIC registra 4 de setembro. A lista histórica da APNIC traz a mesma faixa e as mesmas partes com data de 3 de setembro. Há um dia de diferença entre os arquivos; falta um registro público que explique por quê. O RDAP atual da APNIC mostra FASTMOS para a faixa inteira. Isso localiza a inscrição hoje, sem medir a operação da rede naquele dia.

Pela descrição de transferência inter-RIR da RIPE NCC, tanto o registro de origem quanto o de destino aprovam a mudança e atualizam suas bases. O processo é bilateral. O problema de leitura aparece quando um mesmo titular usa três pares bilaterais: a saída completa só se revela na origem ou numa reconciliação feita por fora. Nenhuma tabela de entrada da RIPE NCC, ARIN ou APNIC é um inventário das seis saídas.

Nem os códigos de país oferecem um atalho confiável. Nas seis linhas, o país do destinatário no arquivo da LACNIC difere do país correspondente no registro receptor. A divergência de campos já foi o assunto próprio de uma investigação sobre Vodafone ONO. Aqui ela reforça a regra prática: seguir o prefixo antes de seguir a etiqueta. Há outra quebra visível em 152.175.0.0/16 no RDAP da RIPE NCC: o registro atual nomeia Sakura Communications Limited, enquanto as listas da transferência nomeiam SAKURA INTERNATIONAL INVESTMENT LIMITED. Falta a cadeia pública que explique a passagem de um nome ao outro.

Um recibo inter-RIR com versão, prefixo, titular de origem, destinatário na data da aprovação, RIR de chegada e alterações posteriores resolveria a pergunta que importa. Os seis lançamentos provam a transferência registral. O recibo permitiria provar também a continuidade entre as páginas, sem transformar confidencialidade comercial em desculpa para um histórico quebrado.