Resumo

  • A decisão de telecomunicações 2026-258 cria três níveis comuns para o sinal móvel externo, mas a próxima Pesquisa Anual de Instalações, no início de 2027, exigirá somente o Nível 1.
  • As operadoras enviarão previsões em resolução de 50 metros ou mais fina; os arquivos detalhados ficarão confidenciais, e o mapa público usará segmentos rodoviários de 250 metros.

Análise

O Conselho Canadense de Radiodifusão e Telecomunicações (CRTC) aprovou uma escala comum para descrever a cobertura móvel externa. O ponto central é menos a criação de uma nova obrigação de construir rede do que a padronização das previsões que alimentam os mapas. O regulador define os níveis, mas as operadoras continuam produzindo os modelos; o público verá uma camada mais agregada do que aquela enviada ao órgão.

Até agora, cada operadora estimava cobertura com seus próprios critérios. Uma área podia aparecer como atendida sem indicar que tipo de sinal havia ali, e métodos diferentes dificultavam a comparação entre redes. O CRTC diz que a falta de uma definição comum também torna mais difícil validar os dados. A decisão 2026-258 procura tornar as previsões comparáveis e úteis para identificar lacunas, sem afirmar que a modelagem reproduz a experiência de cada cliente.

Os três níveis usam limites de intensidade de sinal ao ar livre, distintos conforme a tecnologia. No Nível 1, os valores vão de -90 dBm para 2G a -100 dBm para 3G e -110 dBm para 4G e 5G. O Nível 2 estabelece -95 dBm para 3G e -105 dBm para 4G/5G; o Nível 3 define -100 dBm para 4G/5G. Nem todas as combinações de nível e tecnologia têm um limite próprio.

O CRTC associa o Nível 1 à capacidade de sustentar chamadas de emergência sem interrupção e com áudio adequado, além de transmitir alertas públicos. O Nível 2 acrescenta chamadas de voz ou vídeo de alta qualidade e velocidades de pelo menos 3 Mbps para download e 1 Mbps para upload; no Nível 3, esses patamares sobem a 10 Mbps e 2 Mbps. São capacidades atribuídas a limites de sinal modelados. Não significam que uma chamada, um alerta ou uma sessão de dados esteja garantida em qualquer ponto coberto no mapa.

A regra também não exige que as operadoras informem métricas da experiência individual, como latência, perda de pacotes, jitter ou chamadas interrompidas.

Essa ressalva ajuda a explicar a escolha dos nomes. O relatório técnico que serviu de base à proposta chamava os níveis de “Emergência”, “Básico” e “Avançado”. O Conselho adotou “Nível 1”, “Nível 2” e “Nível 3” porque o rótulo “Emergência” poderia ser entendido como garantia de que uma chamada emergencial funcionaria. Os modelos estimam o sinal a partir de configurações da rede, relevo, edifícios, vegetação e hipóteses de propagação. O próprio regulador reconhece que o resultado previsto pode divergir do uso real.

A escala de envio será mais fina que a exibição. As operadoras deverão entregar dados em células de 50 metros ou mais detalhadas, e esses arquivos continuarão confidenciais. No mapa público, cada trecho rodoviário de 250 metros indicará quais operadoras, tecnologias e níveis de sinal são previstos. A agregação permite comparação entre redes sem expor cada célula do modelo. Ainda assim, um trecho inteiro não comprova recepção dentro de um edifício nem em cada ponto da estrada.

A implantação será gradual. A próxima Pesquisa Anual de Instalações, prevista para o início de 2027, pedirá somente dados do Nível 1; os Níveis 2 e 3 virão em pesquisas posteriores. As empresas reportarão anualmente e poderão enviar atualizações entre pesquisas após uma grande implantação, mudança de rede ou correção. A regra abrange cobertura externa de tecnologias terrestres em uso, atualmente de 2G a 5G. Não cobre ambientes internos, usuários em movimento nem, por enquanto, serviços móveis por satélite de órbita baixa.

O CRTC planeja confrontar as previsões com várias fontes, como dados colaborativos, testes em percurso e informações sobre locais de transmissão. A amostragem deverá incluir comunidades rurais, remotas e indígenas. Diante de anomalias, o regulador avisará a operadora e lhe dará oportunidade para atualizar a entrega; não pretende substituir rotineiramente os dados por conta própria. A próxima versão do Mapa Nacional de Banda Larga deverá incluir uma função pública para contestar áreas e marcar os locais questionados. O processo de revisão ainda será desenvolvido, e uma etapa adicional poderá ser considerada se a divergência persistir.

Essa função ainda não é um mecanismo de recurso em operação. Também estão pendentes as instruções em linguagem simples e o procedimento de análise. O Conselho reconheceu que prestadoras indígenas com equipes pequenas podem ter dificuldade para modelar e enviar dados na granularidade exigida. Sua equipe dará orientação direta, mas os programas de financiamento existentes não foram desenhados para custear capacidade administrativa.

A consulta recebeu 99 intervenções de indivíduos, empresas, governos, organizações indígenas, grupos de acessibilidade e outros participantes. O número registra participação, não um voto sobre a regra; a decisão formal cabe ao CRTC. O próprio órgão afirma que a padronização não melhorará o serviço por si só. Mapas mais comparáveis podem ajudar governos, operadoras e comunidades a localizar lacunas e avaliar investimentos futuros, mas a decisão não financia obras nem promete cobertura em um lugar específico.

Fontes