Summary

  • Em 2023, Robert Kisteleki propôs conservar o máximo de histórico de RIPE Atlas e RIS que fosse financeiramente sustentável, com acesso possivelmente mais lento aos dados antigos ou pouco consultados.
  • O desenho mantinha os resultados acessíveis, previa protocolos e metas de tempo por serviço e idade, incentivava pedidos autenticados e garantia ao dono ao menos um mês para recuperar medições Atlas não públicas.

O passado ocupa espaço

Toda medição de rede ganha um horário. Com milhões de horários novos a cada dia, o arquivo vira uma decisão de engenharia. Robert Kisteleki participou do desenvolvimento de RIPE Atlas e RIPEstat e liderou por anos a área de pesquisa do RIPE NCC. Em novembro de 2023, com colaboração de Paul de Weerd, perguntou quanto custava oferecer a mesma porta rápida para o dado da véspera e o registro de uma década atrás.

A proposta de princípios mostrava a escala. RIS coleta rotas desde 1999; Atlas faz medições ativas desde 2010. Ao fim de 2023, Atlas gerava cerca de 15 mil resultados por segundo, 1,3 bilhão por dia. Mais de 90% das medições eram pontuais, mas as contínuas respondiam pela maior parte dos resultados entregues. Quem investiga uma falha agora procura a amostra recente; quem reconstrói mudanças de roteamento precisa de uma série antiga.

Naquele momento, os arquivos comprimidos de RIS somavam aproximadamente 50 TB, 80% dos quais coletados nos cinco anos anteriores. Representações dos dados para RIPEstat ocupavam cerca de 800 TB. São estoques diferentes, ambos caros de manter acessíveis. Kisteleki propôs preservar tanta história quanto o orçamento pudesse sustentar, alterando protocolo e meta de tempo de recuperação conforme idade e frequência de uso. O dado antigo poderia sair da API original ou chegar mais devagar. Atlas e RIS poderiam ter camadas próprias. Pedidos autenticados seriam incentivados; transferências anônimas poderiam dividir um teto de banda.

O proprietário de uma medição Atlas não pública teria acesso ao resultado por pelo menos um mês.

O ponteiro decisivo era o tempo de espera. Um arquivo enorme serve a poucos quando a busca histórica vira uma surpresa durante uma investigação. Kisteleki levou a regra para consulta, sem apresentar um prazo universal ou um número de segundos para todos os serviços. Seus slides no RIPE 87 colocaram valor e custo na mesma tela. Em uma conclusão publicada na lista da RIPE em maio de 2024, a equipe reconheceu poucas respostas e afirmou estar implementando recursos de armazenamento e acesso conforme os princípios.

Assim aparece um construtor de ferramentas olhando para o futuro usuário do passado. A pergunta dele era simples: quando alguém pedir uma medição velha, qual porta se abrirá e em quanto tempo?

Registros originais da RIPE