Summary

  • Segundo o GAO, o FBI depende de pistas de universidades e empresas para identificar possíveis coletas de informação sensível em benefício de entidades estrangeiras. As quatro associações acadêmicas ouvidas disseram que a aproximação com as instituições poderia melhorar; duas apontaram diferenças entre localidades.
  • O programa central Academia terminou em 2023. O FBI ainda mantém coordenadores acadêmicos nos 56 escritórios regionais, mas não apresentou um plano de fortalecimento dessas relações. Aceitou a recomendação do GAO, que permanece aberta.

A distância entre pedir e receber

A primeira notícia de um risco à pesquisa pode surgir dentro de uma universidade, antes de existir um caso criminal evidente. O FBI quer receber esse aviso. A equipe de segurança da pesquisa, porém, precisa saber qual agente procurar, como proteger o processo interno e quais informações podem voltar à instituição. O relatório integral do GAO mostra que a qualidade dessa ligação depende demais do lugar.

Há contatos de sobra no papel. O FBI trabalha com sete associações acadêmicas em âmbito nacional, designa coordenadores em todos os seus 56 escritórios e promove apresentações. Depois que mudanças de política encerraram o programa Academia em 2023, executivos de cada unidade passaram a cuidar das universidades da sua área. Numa conferência sobre segurança da pesquisa em fevereiro de 2026, autoridades do FBI reconheceram publicamente a necessidade de fortalecer os vínculos. A auditoria não encontrou um plano correspondente.

Um exemplo contado ao GAO revela o atrito. Alguns agentes procuram pesquisadores diretamente, sem passar pelo escritório central de segurança da pesquisa da universidade. A instituição que deverá lidar com o assunto fica sabendo pela porta dos fundos. Todas as quatro associações entrevistadas pediram melhor interlocução; duas relataram diferenças na força das relações pelo país. A amostra é de entrevistas selecionadas, não uma pesquisa capaz de medir a proporção nacional de universidades afetadas.

Para o FBI, o que caracteriza um coletor não tradicional é a reunião de informação sensível em benefício de uma entidade estrangeira. Ser estudante ou pesquisador não basta. Agentes disseram ao GAO que parte da conduta pode permanecer legal até a transferência de dados. Associações acadêmicas também apontaram a dificuldade de receber exemplos úteis quando as informações sobre ameaças são sigilosas. O pedido de colaboração, portanto, chega antes de uma explicação estável sobre o caminho e os sinais.

O GAO recomendou desenvolver e executar um plano; o FBI concordou. A recomendação continua aberta. Um documento datado que atribua tarefas aos escritórios será mais revelador do que outra rodada de palestras.