Resumo

  • O fórum Reino Unido–Austrália discutiu reduzir a duplicação desnecessária na fiscalização de fornecedores críticos globais e marcou a próxima reunião para 2027.
  • Reguladores britânicos e europeus já assinaram um memorando de coordenação e compartilhamento de informações; a declaração australiana não publica um instrumento equivalente.

Uma pane em um fornecedor internacional pode atravessar fronteiras mais rápido do que a lista de quem depende dele. Um serviço de nuvem, pagamentos ou software pode sustentar operações críticas de várias instituições financeiras em países diferentes. Cada supervisor precisa saber quais serviços estão em risco, quem deve comunicar o incidente e qual autoridade pode agir. Sem coordenação, a mesma empresa recebe pedidos paralelos de evidência antes que os reguladores montem o quadro comum.

Esse foi o problema prático discutido em 27 de outubro no segundo Fórum Conjunto de Regulação Financeira Reino Unido–Austrália. Participaram representantes dos dois tesouros, do Bank of England, da FCA, da ASIC, do RBA e da APRA. A declaração publicada no dia 29 diz que regimes comparáveis poderiam permitir fiscalização eficaz com menos duplicação desnecessária. Também prevê cooperação por canais bilaterais, pelo G20 e pelo Conselho de Estabilidade Financeira, além de outro fórum em 2027.

No Reino Unido, HM Treasury escolhe quais fornecedores serão designados como terceiros críticos (CTPs). Bank of England, PRA e FCA podem definir regras, obter informações e aplicar exigências aos serviços sistêmicos desses designados. A supervisão dos quatro primeiros começou em 13 de julho de 2026.

Na Austrália, a CPS 230 da APRA coloca deveres importantes sobre as entidades reguladas. Elas devem administrar os acordos com prestadores, manter um cadastro de fornecedores de serviços materiais e enviá-lo à APRA todos os anos. O RBA, por sua vez, supervisiona sistemas de pagamento e infraestruturas de mercado financeiro sistêmicos relevantes. Os dois países não atribuem as mesmas funções às mesmas autoridades.

O relatório de estabilidade financeira do RBA de março ajuda a explicar por que importa. Algumas das maiores entidades reguladas australianas usam cerca de 150 fornecedores em operações críticas. Muitos atendem várias instituições ou todo o setor; muitos ficam no exterior e fora do perímetro regulatório australiano. O RBA não contou auditorias repetidas nem calculou o custo imposto aos fornecedores. A constatação é mais básica: o mapa de dependências não cabe inteiro dentro de uma fronteira nacional.

Em janeiro, os reguladores do Reino Unido e as Autoridades Europeias de Supervisão assinaram um memorando sobre CTPs e o regime DORA. O Bank of England afirma que o acordo organiza a coordenação e a troca de informações, inclusive em incidentes como apagões ou ataques cibernéticos, para reduzir duplicação. A declaração Reino Unido–Austrália não apresenta documento semelhante, campos de dados comuns, canal de incidentes, autoridade líder ou data de entrega.

O fato que falta é um plano público que diga quais dados de fornecedor e serviço serão compartilhados, quem liderará incidentes e quando o arranjo ficará pronto. A publicação desse plano mudaria a comparação. Por enquanto, há uma direção e uma nova reunião prevista para 2027. Calendário convoca autoridades; não concilia sozinho dois cadastros de fornecedores.

Fontes