Summary

  • Ondřej Caletka relatou na RIPE 92 que a rede do evento passou a filtrar caminhos inválidos por ASPA e deixou de alcançar CZ.NIC por IPv6. O único provedor da rede enviara como melhor caminho justamente aquele que o filtro descartou.
  • CZ.NIC atualizou sua lista de provedores ASPA e, segundo Caletka, a correção apareceu na base de rotas em cerca de dez minutos. A pergunta que ficou na sala era onde aplicar a rejeição quando o provedor é a última saída disponível.

O roteador cumpriu a ordem. Essa é a parte engraçada, até a chamada para o suporte. Ondřej Caletka levou o episódio ao plenário da RIPE 92: o time do encontro havia assinado um objeto ASPA para o próprio ASN e começado a descartar caminhos inválidos. Então chegou o recado de outro Ondřej, ligado à CZ.NIC. Seu destino sumira da visão IPv6 da rede da conferência. Em vez de guardar o teste numa pasta de lições internas, Caletka mostrou a topologia ao público.

A transcrição oficial descreve uma rede pequena: um único trânsito, tabela BGP completa e nenhuma rota padrão. Para chegar à CZ.NIC, o melhor caminho recebido passava pelo AS6939, Hurricane Electric. Ele fornecia trânsito IPv6 gratuito, mas não constava nas listas ASPA relevantes como provedor. O caminho foi classificado como inválido e rejeitado. O trânsito da conferência só havia exportado a melhor rota; qualquer alternativa autorizada que existisse mais adiante não chegava ao roteador local. O filtro fechou a porta que conseguia ver. A porta dos fundos estava no prédio vizinho.

O operador da CZ.NIC incluiu o AS6939 na autorização ASPA, e Caletka disse que a atualização entrou na base de informação de rotas em aproximadamente dez minutos. A orientação do RIPE NCC põe a responsabilidade no lugar certo: o painel de RPKI não adivinha os provedores reais de um ASN. Um par que também entrega trânsito precisa aparecer na lista; mudanças de conectividade pedem atualização da assinatura. Preço zero não transforma um provedor em decoração.

A conversa após a apresentação teve arestas. Job Snijders defendeu corrigir a autorização no destino ou a relação de trânsito e criticou atribuir o problema à validação. Caletka insistiu no campo de visão de uma rede com um único provedor: a rota válida alternativa nunca lhe fora anunciada. Gert Doering sugeriu aceitar o caminho do trânsito de último recurso e filtrar nas interconexões entre pares. A discussão registrada oferece algo melhor que um mandamento universal: mostra qual decisão cabe a cada operador.

Caletka trabalha nos ambientes de laboratório usados nos treinamentos do RIPE NCC, conforme seu perfil institucional. Na RIPE 93, seu tutorial de ASPA incluiu configuração de validação e diagnóstico de falhas. O caso de Edimburgo rende uma primeira pergunta excelente para o laboratório: quantos caminhos o provedor realmente entrega?