Resumo

  • Em 14 de fevereiro de 2013, o W3C publicou o primeiro rascunho público de HTML Templates, propondo subárvores DOM inertes que poderiam servir de base a novas instâncias.
  • Os documentos HTML de 2014 incorporaram <template>. Seu conteúdo fica em um DocumentFragment acessível por template.content, pronto para ser copiado e inserido no documento ativo.

O plantão começa com três notícias e termina com trinta. Todas precisam de cartão: imagem, manchete, resumo, endereço para leitura. Repetir a estrutura à mão seria pedir ao repórter que fabricasse a mesma moldura toda vez que chegasse uma fotografia. Páginas dinâmicas recorriam a marcação escondida ou a longas strings de HTML. O navegador já sabia interpretar esse idioma; faltava uma gaveta oficial para guardar uma peça interpretada, mas ainda fora de circulação.

O rascunho público do W3C de 14 de fevereiro de 2013 trouxe a gaveta. O autor escreve HTML dentro de <template>. O navegador transforma o texto em nós e conserva a árvore em estado inerte. Um programa pode fazer uma instância depois. A moldura fica pronta antes de se saber qual será a manchete; o plantão decide a hora de publicar cada cópia.

O rascunho HTML 5.1 de fevereiro de 2014 explica o truque de armazenamento. O conteúdo mora no DocumentFragment devolvido por template.content, sob um documento separado sem contexto de navegação. Scripts ali não rodam, controles não participam do formulário visível e o próprio modelo não aparece na tela. Quem procura os nós como filhos comuns da tag erra a gaveta. A etiqueta da gaveta diz content.

O exemplo do documento é uma tabela de gatos. O programa copia uma linha do modelo, escreve os dados de um gato nas células e acrescenta a linha à tabela. Em seguida repete a tarefa. A redação pode fazer igual com cartões: copiar, inserir texto e imagem, publicar. Cada cópia recebe seus próprios dados. O molde continua em silêncio, aguardando o próximo acontecimento.

A Recomendação HTML5 de 28 de outubro de 2014 colocou o elemento no texto principal da linguagem. O histórico de publicações do W3C registra o documento autônomo de 2013 e a nota de 2014. O mecanismo deixou a pasta de proposta e entrou na rotina do HTML.

O padrão HTML atual mantém a função: declarar fragmentos que scripts podem clonar e inserir. O modelo não ocupa espaço no desenho da página; o fragmento possui regras próprias de cópia. O navegador cuida da estrutura adormecida e da cópia fiel. O autor ainda precisa escolher o texto certo, conferir o link e colocar o cartão em circulação.

Há uma graça nessa divisão. O browser trabalha enquanto parece não fazer nada. Analisa a marcação, organiza os nós, mantém tudo fora de cena. O leitor só percebe o resultado: uma sequência de cartões que não exigiu um truque diferente para cada notícia. Até a notícia mais urgente merece uma moldura que já estava pronta.