Resumo

  • A FAQ de compatibilidade do Chromium mostrava uma única identificação do Chrome contendo Mozilla/5.0, AppleWebKit, Chrome e Safari. A própria equipe relatou sites que liam mal esse campo e diziam que Chrome não era aceito.
  • O Chrome 11 modificou alguns elementos em 2011 para acompanhar outros navegadores. A partir de 2023, o Chrome 110 passou a substituir gradualmente a versão do Android e o modelo do aparelho por valores fixos, sem retirar os nomes herdados do formato.

Um crachá com nomes emprestados

A FAQ de compatibilidade do Chromium dava um exemplo do campo User-Agent do Chrome: Mozilla/5.0, informações do sistema, AppleWebKit, Chrome/2.0.167.0 e Safari/525.13. O usuário não estava abrindo quatro navegadores. O site lia palavras conhecidas e escolhia uma resposta. Segundo o documento, testes em JavaScript ou no servidor frequentemente deixavam de reconhecer o Chrome; algumas páginas o classificavam como não aceito. A recomendação era verificar os recursos reais do navegador.

Ler o crachá parecia mais barato que testar uma função. O problema vinha quando milhares de páginas passavam a decidir seu comportamento pelo crachá. Cada palavra antiga virava uma condição. Mudar a identificação do navegador significava mudar o resultado de programas que não pertenciam ao seu fabricante.

Saiu um idioma errado, ficaram os nomes antigos

No anúncio de 31 de março de 2011, Chromium comparou as cadeias do Chrome 10 e do 11. Retirou o U, lembrança das antigas limitações de exportação de criptografia, e a informação de idioma. Esta sempre aparecia como en-US por causa de um erro do Chrome, qualquer que fosse a preferência do usuário. O lugar certo para consultar idiomas era Accept-Language. Marcadores do Windows também mudaram. A equipe queria acompanhar o Firefox 4 porque sites usavam analisadores comuns; bibliotecas do próprio Google já tinham apresentado problemas.

As duas versões do exemplo ainda exibiam Mozilla/5.0, AppleWebKit, Chrome e Safari. A RFC 9110, de 2022, definiu User-Agent como identificadores de produtos e comentários usados para contornar incompatibilidades e analisar acessos. Pediu menos detalhes desnecessários, que ajudam a formar impressões digitais, e desaconselhou tomar o nome de outro produto como declaração de compatibilidade. A norma descrevia o propósito do campo; a prática tinha de conviver com as ramificações já escritas nos sites.

O aparelho sumiu; a forma ficou

O aviso do Chrome de fevereiro de 2023 disse que, a partir do Chrome 110, versão do Android e modelo do aparelho passariam gradualmente a valores fixos. O exemplo troca um telefone específico com Android 13 por Android 10 e modelo K. A finalidade declarada era diminuir o rastreamento passivo entre sites. A estrutura, inclusive os nomes herdados, continuou no campo.

O mesmo identificador ajudava sites a escolher código e ajudava terceiros a distinguir aparelhos. O Chrome retirou parte do segundo uso sem desmontar o primeiro. Uma medição histórica das decisões tomadas pelos sites e da identificação antes e depois da redução mostraria o tamanho do efeito. Os documentos originais deixam clara a escolha: o modelo do celular pôde sair, o velho crachá permaneceu.

Fontes