• O plano de ação divulgado em novembro de 2017 fixa marcos de IPv6 para o fim de 2018, de 2020 e de 2025; não menciona prazo em 2030.
  • Onde IPv4 e IPv6 coexistem, as aplicações devem preferir IPv6, e novos endereços de rede deixam de usar IPv4 privado após 2020.
  • O texto prevê uma plataforma nacional de monitoramento do desenvolvimento do IPv6 e a instalação nacional de testes de redes futuras.

Em 26 de novembro de 2017, a Xinhua publicou o texto integral do Plano de Ação para Promover a Implantação em Larga Escala da Sexta Versão do Protocolo de Internet (IPv6), emitido pelos gabinetes gerais do Comitê Central do Partido Comunista da China e do Conselho de Estado. As versões que o apresentam como um projeto de rede de pilha única até 2030 não correspondem ao documento: ele organiza uma implantação escalonada até 2025 e dá preferência ao IPv6 onde os dois protocolos funcionam juntos.

Três etapas até 2025

No fim de 2018, a meta era 200 milhões de usuários ativos de IPv6, pelo menos 20% dos internautas, com suporte exigido nos 50 sites e aplicações comerciais mais acessados, nos sites de governo de nível ministerial e provincial, nos portais de estatais centrais, nos sites de notícias e radiodifusão centrais e provinciais, em aplicações de internet industrial, nos servidores DNS de provedores de hospedagem e registradores, em grandes data centers, nas cinco maiores redes de distribuição de conteúdo e em metade dos produtos de nuvem das dez maiores plataformas.

Redes de backbone, metropolitanas e de acesso, redes a cabo, LTE e todos os equipamentos e terminais novos entravam na lista.

No fim de 2020, a meta subiu para mais de 500 milhões de usuários ativos, acima de 50% dos internautas. Novos endereços de rede deixariam de usar endereços IPv4 privados. A cobertura passou a incluir os 100 principais sites e aplicações comerciais, sites de governo e mídia de nível municipal ou superior, grandes data centers, as dez maiores CDNs e todos os produtos de nuvem das dez maiores plataformas, redes de radiodifusão, 5G, todos os novos terminais móveis e fixos e gateways internacionais.

No fim de 2025, a China pretendia ocupar o primeiro lugar mundial em escala de rede, de usuários e de tráfego IPv6, com redes, aplicações e terminais plenamente compatíveis e a migração concluída.

Pilha dupla primeiro, desativação depois

O plano não trata a coexistência como proibição. Numa conexão IPv4/IPv6, as aplicações devem preferir IPv6. Terminais incapazes de operar com IPv6 devem ser conduzidos fora de serviço de forma gradual, não desligados de uma vez. A regra de 2020 sobre endereços IPv4 privados trata da alocação de novos endereços; não retira a conectividade IPv4 existente. O texto examinado não fixa proibição do IPv4, ordem de desligamento ou prazo nacional de pilha única em 2030.

Monitoramento, DNS e testes

Duas infraestruturas sustentam o programa. O plano pede aceleração da instalação nacional de testes de redes futuras, uma das grandes infraestruturas de pesquisa do país, para ensaiar novas arquiteturas e aplicações. Também prevê uma plataforma nacional de monitoramento do desenvolvimento do IPv6, medindo redes, aplicações, terminais, usuários e tráfego, com relatórios periódicos.

Em nomes e endereços, o texto menciona a introdução de servidores espelho da raiz, experimentos com uma nova arquitetura de serviço raiz e gestão coordenada de solicitação, alocação e registro de endereços IPv6 com o sistema de identidade real. A capacidade de interconexão entre backbones foi fixada em 1 Tbps para 2018 e 5 Tbps na fase de 2019-2020.

Xiong’an como caso local

O exemplo mais claro de projeto com IPv6 em primeiro lugar está fora do plano nacional. Um artigo do BTW baseado em post do blog da APNIC descreve a Nova Área de Xiong’an, criada em abril de 2017 a cerca de 100 quilômetros a sudoeste de Pequim, como uma cidade que opera apenas com IPv6: sistema municipal de transição IPv4-IPv6, fatiamento de rede com SRv6, centro de computação urbano com eficiência energética abaixo de 1,1, segurança com IPsec e blockchain e mais de um milhão de terminais de IoT por quilômetro quadrado. É um modelo municipal, não uma obrigação nacional.

O que os operadores devem retirar disso

Para operadoras, data centers e provedores de hospedagem, os marcos viram decisões de compra e configuração: padrões de roteadores domésticos, atualização de CDNs e nuvem, suporte em resolvedores DNS, planejamento e registro de endereços. A regra de preferência em pilha dupla afeta política de roteamento e acordos de peering. Medições independentes são publicadas pelo APNIC Labs, que acompanha a capacidade IPv6 da China; são medições, não política.

Três afirmações circulam amplamente sem apoio no texto examinado: um prazo nacional de pilha única em 2030, uma proibição legal do IPv4 e uma infraestrutura de testes “Future Internet” de 2021 com meta de 800 milhões de usuários ativos de IPv6 em 2023. O plano de 2017 define os marcos acima, e eles terminam em 2025.