Resumo

  • Andrew Alston e quatro coautores propuseram, em 2016, separar um /13 para novos entrantes e deixar o restante do IPv4 ser distribuído pelas regras usuais de necessidade. A proposta não alcançou consenso na AFRINIC-25.
  • O grupo retirou o próprio texto após pedir que os autores das duas propostas rivais recomeçassem juntos. Soft Landing BIS voltou à discussão; mais tarde, uma decisão de consenso sobre ela foi anulada em recurso.

Um bloco /13 parece uma fração de planilha. Na AFRINIC-25, era o tamanho do futuro que Andrew Alston queria guardar para quem ainda não tinha rede para registrar. O resto, dizia a proposta, deveria circular conforme a demanda real até acabar. O relógio do IPv4 ganhou um ponteiro visível.

Alston, Kris Seeburn, Mark Elkins, Michele McCann e John Walubengo assinaram o Soft Landing Overhaul em fevereiro de 2016. A ideia trocava a política de desaceleração gradual por distribuição baseada em necessidade, preservando /13 para novos entrantes quando o pool comum não pudesse atender um pedido. Cada um receberia, no máximo, /22, pela ordem de chegada. Os autores sustentavam que esticar artificialmente o uso do IPv4 atrasava a adoção do IPv6. Era uma hipótese política com consequências práticas para quem precisava crescer naquele momento.

Na reunião de novembro nas Ilhas Maurício, Alston, Seeburn e Elkins apresentaram o plano. Críticos o chamaram de pouso brusco: o IPv4 ainda seria necessário enquanto redes implantavam o IPv6. Outro participante viu tensão entre acelerar o consumo local e, em debate paralelo, permitir a entrada de IPv4 vindo de fora da região. Os copresidentes não encontraram consenso. A conta do /13 era simples; decidir quem esperaria era outra matemática.

A divergência cabia até num prefixo igual. Na versão de junho de 2016 registrada na ata da AFRINIC-24, BIS preservava as fases, reduzia de /10 para /15 o teto da primeira, exigia IPv6 antes de um pedido do último /8 e guardava um /13 para situações imprevistas. O /13 de Alston tinha destinatário definido: novos entrantes. Tamanho igual, fila diferente.

Veio então a cena decisiva. Autores do projeto concorrente Soft Landing BIS sugeriram que os dois grupos trabalhassem numa definição comum do problema. O lado de Alston pediu a retirada de ambos os rascunhos antes de começar, e retirou o seu. BIS voltou à lista de discussão. A ata distingue as duas saídas. Um convite à colaboração não removeu automaticamente a proposta concorrente do processo.

O arquivo da AFRINIC marca a retirada em 29 de novembro de 2016. Depois, Alston recorreu de uma declaração de consenso sobre BIS. A ata da AFRINIC-28 registra que o comitê de recursos reverteu a decisão dos copresidentes e devolveu BIS ao debate. A disputa já incluía uma pergunta sobre o modo de declarar acordo numa comunidade dividida.

O percurso de BIS terminou depois do recurso. A ata da AFRINIC-29 informa que seus autores deixaram o projeto expirar em 1º de dezembro de 2018. A reversão da decisão de consenso reabriu a discussão; a política não saiu dali. Overhaul havia sido retirado em 2016, e o rival caducou dois anos depois.

Alston conhecia os dois lados da mesa. O relatório anual de 2016 registra seu mandato no conselho, de 2014 a 2017, e sua participação no comitê de auditoria. Em março de 2026, foi nomeado para o comitê de revisão dos estatutos da AFRINIC. Dez anos depois do /13, volta a uma sala onde as regras definem quem terá vez.