Resumo

  • Desde 1971, o ALOHAnet conectava terminais remotos aos recursos computacionais da University of Hawaiʻi por rádio, compartilhando o canal de subida em vez de reservar uma linha para cada usuário.
  • A experiência via satélite teve duas rotas distintas: um canal comercial INTELSAT IV usado por um nó operacional da rede ARPA e o experimento da NASA Ames com o transponder VHF do ATS-1 como repetidor de difusão para pacotes de acesso aleatório.
  • O ATS-1 ampliou o alcance do teste, mas expôs interferência, potência recebida e limites das estações terrestres. A conexão foi mais longe; o controle não se distribuiu com ela.

Compartilhar o canal não era descentralizar a rede

Em junho de 1971, a rede de rádio por pacotes ALOHA começou a oferecer acesso entre as ilhas aos computadores da University of Hawaiʻi. Na computação interativa, o terminal envia uma entrada curta e depois espera a resposta do sistema. Uma linha alugada para cada terminal ficaria ociosa durante boa parte dessa espera. O canal compartilhado fazia sentido para um tráfego que chegava em rajadas.

Quando tinha um pacote pronto, cada terminal tentava transmitir pelo canal de subida. Se os sinais se sobrepunham e a estação central não recebia o pacote corretamente, a falta de confirmação não significava entrega. Confirmações e retransmissões tornavam o compartilhamento utilizável; um canal separado levava as respostas do computador aos terminais. Dividir a capacidade não transformava cada terminal em roteador.

A configuração terrestre inicial tinha forma de estrela em torno do MENEHUNE, processador e multiplexador central de comunicações. Repetidores instalados depois ampliaram a cobertura de Oahu para outras ilhas. Essa expansão posterior não deve ser confundida com a configuração de junho de 1971. A rede podia alcançar mais lugares sem descentralizar quem coordenava o tráfego.

Dois caminhos por satélite

Na retrospectiva técnica de 1981, Franklin Kuo relata que, em dezembro de 1972, o sistema ALOHA se tornou um nó satelital operacional na rede ARPA por meio de um canal comercial de voz da INTELSAT IV usado para dados. Kuo descreve uma configuração de portadora única por canal e uma tarifa cobrada como canal de voz. Era uma conexão em operação, com condições econômicas definidas pelo serviço comercial.

O ATS-1 pertence a outro projeto. O relatório de David Wax de 1974 descreve instalações computacionais da University of Hawaiʻi e da University of Alaska conectadas à rede ARPA por um enlace VHF do ATS-1 até a NASA Ames. O transponder funcionava como repetidor de difusão, enquanto a rede usava rajadas ALOHA de acesso aleatório. O teste tratava de pacotes em um canal compartilhado; não criava uma malha de computadores conectados diretamente por satélite.

Kuo comparou depois as pequenas estações VHF do ATS-1 com estações terrestres convencionais da INTELSAT. Segundo ele, a antena do ATS-1 podia ter apenas dez pés, com eletrônica abaixo de US$ 5 mil; uma estação padrão da INTELSAT tinha antena de 97 pés e custava vários milhões de dólares. São números históricos sobre equipamentos terrestres, não uma comparação completa do custo das redes. Ainda assim, mostram por que o teste era relevante: era possível estudar comunicação por pacotes via satélite com uma infraestrutura de solo menor.

O rádio continuava impondo limites

O relatório de 1974 não trata o acesso via satélite como um serviço sem atrito. Em testes diurnos com o ATS-1 na potência máxima, a equipe registrou taxa de erro da ordem de 10⁻³ a 10 kbps e atribuiu os erros restantes principalmente a ruído impulsivo e interferência. É uma medida sob condições específicas, não uma garantia de serviço. A lógica de confirmação e retransmissão não eliminava as falhas físicas do enlace.

O satélite também trouxe questões de sincronização e coordenação: captura de rajada, codificação, interferência e atraso para aplicações interativas. Um formato de pacote que funcionava em um enlace UHF local ainda precisava ser avaliado em outro transponder e com outras estações terrestres. “Comutação de pacotes” descreve o método, não certifica a qualidade de cada enlace.

Análise

O episódio separa alcance de controle. A INTELSAT IV ofereceu um canal comercial para um nó operacional da rede ARPA. O ATS-1 permitiu estudar acesso por difusão com equipamentos VHF menores e outra exposição à interferência. Os dois caminhos ampliaram as possibilidades da computação remota, mas não substituíram o processador central, o gateway ou as instituições responsáveis pelo canal.

As fontes sustentam uma conclusão delimitada: o acesso compartilhado do ALOHA podia funcionar por um enlace experimental via satélite, e os testes expuseram limites de potência, interferência, captura de rajadas, codificação e atraso. Elas não provam que o ATS-1 virou um serviço público, que todos os locais remotos ganharam conexão contínua ou que uma única experiência causou as redes sem fio posteriores. A demonstração PRNET–ARPANET–SATNET de 1977 foi outro episódio.

Fontes