Resumo

  • Alain Aina integrou a equipe fundadora do AFRINIC e apareceu, em 2014, entre as cinco pessoas escolhidas pela WACREN para apoiar pedidos de recursos IP de instituições acadêmicas.
  • A WACREN se oferecia para revisar solicitações antes do envio ao registro, recomendava IPv4 e IPv6 e citava desconto acadêmico de 50%. Não divulgou resultados dos atendimentos.

Há uma cena pouco heroica na expansão da Internet: alguém relendo um pedido antes de apertar “enviar”. Foi o serviço que a WACREN anunciou em 2014, depois de uma conversa em AIS14, no Djibuti. Muitas instituições africanas de ensino e pesquisa achavam complexo o processo do AFRINIC. A WACREN observou outro detalhe: pedir ajuda a uma pessoa podia ser mais confortável do que expor dúvidas numa lista de discussão. Abriu, então, um endereço de contato e formou um grupo de cinco nomes: Alain Aina, Seun Ojedeji, Hubert Asior, Emmanuel Togo e Omo Oaiya.

A habilidade de levar pessoas de um ponto a outro já tinha história. Em entrevista à Internet Society, Aina contou que trabalhou com sistemas de mensagens no Benim e com um gateway de email que telefonava duas vezes por dia para Acra e depois Montreal. A conta tornou o arranjo insustentável. Vieram um servidor web local e serviços IP completos no Togo e em outros lugares da África Ocidental. Não era uma carreira construída sobre a ideia abstrata de acesso: cada ligação tinha preço.

O AFRINIC o descreve como um dos seus primeiros funcionários e figura importante em sua criação. A entrevista da Internet Society registra ainda sua participação na fundação do AFNOG e no treinamento de operadores. É uma combinação útil para o balcão de pedidos: conhecer o raciocínio do registro e saber explicá-lo a quem administra uma rede universitária. O anúncio não diz quais processos Aina acompanhou pessoalmente; identifica a responsabilidade coletiva do grupo.

O anúncio indicava que a equipe aceitaria analisar o pedido antes da submissão ao AFRINIC. A WACREN incentivava solicitar IPv4 enquanto ainda havia recursos e, junto com ele, IPv6 para começar a implantação. Mencionava uma redução de 50% para educação e pesquisa ligada ao acordo de 2009 entre a Associação de Universidades Africanas e o AFRINIC. Desconto, porém, também tem documentação: o guia do próprio AFRINIC descreve a necessidade de comprovar o caráter acadêmico ou científico da instituição e o uso dos recursos exclusivamente em atividades sem fins lucrativos. O guia é posterior ao anúncio; deixa claro o tipo de prova que um candidato ao benefício precisa preparar. A equipe podia revisar a solicitação antes de ela chegar aos avaliadores.

Aina deixou o AFRINIC em 2015 e passou a atuar como diretor de tecnologia da WACREN, segundo o registro. Recebeu o prêmio Postel em 2019. Entre o custo da ligação telefônica dos anos 1990 e o trabalho de conferir provas para uma solicitação, mudou a tecnologia e mudou o formulário. Persistiu a mesma pergunta prática: quanto trabalho uma instituição precisa fazer antes de conseguir, enfim, conectar seus pesquisadores?