Resumo

  • Um relatório da Universidade Técnica da Moldávia diz que a ligação de 9,6 kb/s pela Romênia levava e-mail discado, enquanto um servidor separado da MoldNET usava uma saída satelital de 64 kb/s.
  • A rede de campus planejada continuava incompleta: seu único trecho em operação era administrativo, e estudantes e docentes não tinham acesso a esse recurso, segundo o relatório.

A Moldávia não “recebeu a Internet” em um único momento. Uma linha podia levar e-mails, uma saída internacional podia transportar tráfego de Internet e uma universidade ainda podia não ter um caminho completo entre seus laboratórios e a Web. Um trabalho apresentado no congresso EUNIS de 1997 registra essa diferença com detalhes incomuns.

Em “TUM-Net: an Internet/Intranet Project”, Veacheslav Sidorenco descreve a Universidade Técnica da Moldávia (TUM), em Chișinău. O autor chama de primeira conexão à Internet da universidade a rota que atendia ao domínio utm.md. Ela passava pela filial moldavo-romena da Rede Europeia Acadêmica e de Pesquisa, identificada como mdearn.cri.md, por um enlace coaxial até a Romênia de 9,6 kilobits por segundo. O documento diz que essa filial era usada apenas para correio eletrônico por acesso discado e que não permitia navegação séria na Web.

Isso não significa que a Moldávia tenha ficado sem Internet até 1997. Em reportagem publicada em junho daquele ano, Julie Moffett, da Radio Free Europe/Radio Liberty, afirma que o país tinha acesso discado não permanente desde 1992 e acesso permanente desde 1995 por uma linha alugada até Bucareste. As duas fontes descrevem escalas diferentes: a RFE/RL retrata o acesso nacional; Sidorenco, um enlace associado ao domínio da universidade. A data da conexão de um país não revela quais serviços estavam disponíveis em determinado campus.

Vários caminhos dentro da mesma cidade

O relatório da TUM descreve outra rota, sob outro nome de rede. O servidor central da MoldNET acessava a Internet por um canal satelital de 64 kb/s fornecido através do ponto de acesso da Taide em Estocolmo. Em Chișinău, equipamentos de radiomodem de 128 kb/s distribuíam o sinal a cinco pontos: Fundação Soros, Academia de Ciências, Universidade Estatal, Universidade Técnica e Academia de Estudos Econômicos. A TUM aparecia como um dos nós dessa rede acadêmica compartilhada.

As velocidades se referem a trechos distintos. O cabo coaxial de 9,6 kb/s para a Romênia estava ligado ao domínio utm.md e ao e-mail discado. O canal satelital de 64 kb/s era a saída externa da MoldNET; os rádios de 128 kb/s faziam a distribuição local. Nenhuma dessas taxas, isoladamente, mostra quem podia entrar, quais aplicativos funcionavam ou se cada faculdade tinha uma rede completa.

O problema interno da universidade também é documentado. As faculdades ocupavam quatro regiões de Chișinău, algumas separadas por dois a seis quilômetros sem comunicação de dados entre elas. Os computadores eram escassos, muitos antigos, e em sua maioria funcionavam isoladamente. A TUM-Net pretendia unir as redes locais das faculdades em uma estrutura metropolitana em estrela e conectá-la ao ponto de acesso da MoldNET. O desenho indicava um caminho a ser construído entre prédios e serviços, não prova de que toda a rota já estivesse operacional.

O relatório descreve o andamento com clareza. Apenas um braço da estrela planejada funcionava: uma linha subterrânea de cobre alugada e um par de modems externos entre as regiões Norte e Oeste. O trecho atendia às funções administrativas do centro de computação do reitorado. Estudantes e docentes não tinham acesso a esse recurso, segundo o texto. O restante da TUM-Net permanecia em construção, enquanto a universidade buscava apoio para linhas alugadas, servidores, modems, equipamentos de roteamento e comutação.

“Conectada” em qual escala?

A rede acadêmica moldava também avançava por outras frentes. A RFE/RL informou que, em 1996, o programa regional de Internet da Fundação Soros financiou conexões via satélite para universidades e centros de pesquisa, além de ajudar escolas secundárias e organizações não governamentais. Um relato da EUNIS de 1999 situa em 1996 os primeiros resultados práticos da MoldNET, identifica a Academia de Ciências e várias universidades entre os primeiros participantes e apresenta AMNET e RENAM como etapas posteriores de integração.

A história institucional da RENAM também distingue as redes universitárias separadas, a iniciativa MoldNET, o projeto AMNET de 1997 e o esforço subsequente para formar uma rede nacional de pesquisa e educação.

A sequência dos nomes importa porque cada um responde a uma pergunta diferente. Um projeto, um bloco de endereços, um gateway e um serviço ao usuário não são a mesma coisa. Um domínio podia trocar e-mail por uma linha internacional estreita; um servidor central podia dispor de uma saída satelital mais rápida; uma universidade podia aparecer como ponto de rádio sem que seus prédios estivessem interligados. O plano descreve como montar as partes, mas não prova que a montagem recebeu verba, foi construída ou ficou aberta aos usuários.

As fontes não permitem calcular quantos estudantes da Moldávia podiam usar e-mail ou navegar pela Web em 1997. Sidorenco afirma que o trecho operacional da TUM-Net servia à administração e não era acessível a estudantes e docentes, mas não apresenta um censo completo dos usuários. A observação de que a linha não permitia navegação séria na Web tampouco é um teste de desempenho documentado. A RFE/RL apresenta a cronologia nacional e o alcance dos programas, mas não uma auditoria de tráfego. Os dois registros ajudam desde que cada um seja mantido dentro do próprio escopo.

A mudança não foi um salto único do isolamento para uma rede universitária pronta. Foi a soma de caminhos parciais: acesso discado nacional, uma linha permanente para Bucareste, um ramo de e-mail, um gateway satelital compartilhado, distribuição local por rádio e a ligação entre prédios ainda dependente de equipamentos e recursos. Em uma escala, dizer que a Moldávia estava conectada podia ser correto; em outra, um estudante num prédio específico ainda não tinha uma rota utilizável para a Web. O registro de 1997 é valioso justamente por mostrar a distância entre essas afirmações.

Fontes