Resumo

  • Sanjaya e Carlos Martinez apresentaram três sequestros do espaço de endereços da LACNIC em 9, 10 e 12 de julho de 2025.
  • O invasor usou papel timbrado falso e um domínio parecido com o de um pequeno ISP para obter trânsito; o titular do ASN também foi lesado.

Um e-mail aceito pelo servidor e nunca entregue parece assunto para a equipe de suporte. Na LACNIC, essa reclamação revelou três sequestros de rota em julho de 2025: dia 9 às 19h47, dia 10 às 20h34 e dia 12 às 10h13, no fuso UTC−3. Duraram cerca de 20, 15 e cinco minutos. O criminoso ligava a torneira e sumia.

Na apresentação da APNIC 61, Sanjaya, da APNIC, e Carlos Martinez, da LACNIC, contam o caminho da investigação. A LACNIC acionou a APNIC, que procurou a APJII/IDNIC na Indonésia. O verdadeiro dono do ASN era um pequeno provedor e não havia pedido trânsito algum. O fraudador produziu papel timbrado em seu nome, adotou um domínio semelhante e convenceu uma operadora multinacional a ativar uma sessão BGP. O AS roubado virou caminho de trânsito para anúncios rápidos com outros ASN de origem falsificados.

O relato assinado pelos dois especialistas na LACNIC identifica o pequeno ISP como vítima. Depois da denúncia do titular, a operadora encerrou a sessão fraudulenta. APJII/IDNIC e o provedor enviaram o relatório final às duas entidades; a APNIC registrou a apresentação conjunta. Não há número público para o tráfego desviado. Há prova suficiente de que uma porta de entrada indevida foi aberta.

Sanjaya mostra onde a rota ganhou credibilidade: no cadastro do cliente. O roteador anunciou o que a empresa havia permitido anunciar. A pergunta vem antes do comando de ativação: quem falou com o titular real daquele ASN?