Resumo

  • Em janeiro de 2026, o próprio blog da Oracle nomeou as cinco comunidades que abrigam seus projetos de infraestrutura de IA em parceria com a OpenAI: Abilene e o condado de Shackelford, no Texas; o condado de Doña Ana, no Novo México; Port Washington, em Wisconsin; e Saline Township, em Michigan.
  • Abilene, no Texas, é o único canteiro com capacidade operacional confirmada por registros fora da Oracle: dois prédios de 980.000 pés quadrados, com mais de 200 MW de carga de TI, em operação e em uso pela Oracle Cloud Infrastructure para a OpenAI, segundo o desenvolvedor Crusoe em reportagem do Data Center Dynamics; a subestação de 1 GW e 345 kV foi totalmente energizada em 10 de março de 2026, conforme o registro da contratada Mortenson.
  • No Novo México, o Project Jupiter estava 26% completo segundo o executivo da Oracle Mahesh Thiagarajan, em declaração às autoridades do condado em 8 de setembro de 2026; o processo de licença de qualidade do ar foi suspenso pelo New Mexico Supreme Court e um aviso de força maior enviado pela Oracle ao desenvolvedor foi noticiado, com efeito contratual explicitamente incerto.
  • Em Saline Township, em Michigan, registros municipais e estaduais e a imprensa local confirmam obra ativa — dois dos três prédios de 550.000 pés quadrados com a estrutura erguida e mais de 1 milhão de horas de trabalho concluídas —, enquanto Port Washington, em Wisconsin, tem licenças emitidas, mas a interconexão da American Transmission Company segue sob análise da Public Service Commission of Wisconsin.
  • O condado de Shackelford, no Texas, tem o registro público mais fino dos cinco: aparece na lista da Oracle e em uma única reportagem de junho de 2026 cujos detalhes não puderam ser verificados nesta auditoria.

O roster e o método

A lista de janeiro de 2026 é o documento de referência da própria Oracle sobre onde sua capacidade de IA declarada deve existir. No blog da empresa, a descrição da parceria com a OpenAI nomeia as cinco comunidades — Abilene e o condado de Shackelford, no Texas; o condado de Doña Ana, no Novo México; Port Washington, em Wisconsin; e Saline Township, em Michigan — como os abrigos dos projetos de infraestrutura de IA construídos com a OpenAI.

Por isso a lista é o ponto de partida deste levantamento, e não a sua conclusão. Um anúncio de capacidade não energiza um prédio; quem paga por capacidade de IA — e quem financia, licencia ou regula os canteiros que a produzem — precisa responder a uma pergunta diferente: o que, em cada comunidade, os registros fora da Oracle já conseguem demonstrar hoje?

O método aqui é deliberadamente restritivo. Cada comunidade é avaliada por quatro tipos de registro: capacidade operacional (prédios energizados e efetivamente servindo a carga do inquilino nomeado), datas de energização e interconexão em escala de rede elétrica, licenças e ações judiciais, e financiamento documentado.

O resultado é posicionado em uma escada de quatro níveis: nível 1, capacidade operacional confirmada; nível 2, construção verificada e inacabada; nível 3, licenciamento inicial, com progresso físico visível apenas em registros únicos ou de manchete; nível 4, apenas a lista do fornecedor ou uma fonte única, sem qualquer registro independente de status.

Três regras de fonte sustentam a escada. Primeira: registros oficiais — a suspensão imposta pelo New Mexico Supreme Court, as licenças emitidas pela EGLE e pelo Wisconsin Department of Natural Resources, os registros municipais, a revisão conduzida pela Public Service Commission of Wisconsin — formam o nível mais alto de evidência e podem ser enunciados como fatos. Segunda: declarações de empresas — da Oracle, da Crusoe, da Mortenson, da Lancium — são atribuídas à empresa que as emite e nunca convertidas em fato verificado.

Terceira: fontes de manchete confirmam existência, não detalhe; onde o texto integral é inacessível ou o registro é único, o texto diz.

Duas fronteiras fecham o método. A escada é a metodologia desta auditoria, não um veredito sobre projeto nenhum. E nenhum total agregado de capacidade aparece aqui — nem contratado, nem entregue: o que existe é uma lista de cinco comunidades e, para cada uma, um registro específico, datado e nomeado.

Abilene: a única operação confirmada

Abilene, no oeste do Texas, é o único ponto da lista em que registros fora da Oracle confirmam capacidade entregue. O quadro tem três camadas — física, elétrica e de obra — e cada uma tem uma fonte nomeada.

A camada física: segundo o desenvolvedor Crusoe, em reportagem do Data Center Dynamics, os dois primeiros prédios do campus — 980.000 pés quadrados, comportando mais de 200 MW de carga de TI — estão operacionais e em uso pela Oracle Cloud Infrastructure para a OpenAI. Em um campus de data centers, "operacional" é uma afirmação forte: significa prédios fechados, energia distribuída e carga de TI instalada. É a única afirmação desse tipo, entre os cinco canteiros, corroborada por registros fora da Oracle.

A camada elétrica: o registro do projeto mantido pela contratada Mortenson data as etapas — o primeiro transformador foi energizado em 19 de dezembro de 2025; a subestação de 345 kV projetada para 1 GW foi totalmente energizada em 10 de março de 2026, usando transformadores temporários; e a troca pelos equipamentos permanentes é esperada até outubro de 2026. Duas observações. Primeira: datas de energização com esse nível de detalhe são a evidência de energia mais forte entre os cinco canteiros. Segunda: o registro é da empreiteira, não da concessionária — mais forte que um comunicado, mais fraco que um registro regulatório, e lido aqui nessa posição exata.

A camada de obra: em reunião com autoridades de Abilene, relatada pelo KTXS, executivos da Lancium e da Crusoe descreveram um canteiro que não parou — oito prédios em construção até o primeiro trimestre de 2027, cerca de 9.000 trabalhadores de ofício por dia, em um campus de aproximadamente 4 milhões de pés quadrados, em terreno e infraestrutura elétrica de propriedade da Lancium, com a Crusoe como construtora e a Oracle como cliente.

As molduras de escala divergem entre as fontes: os dois prédios e os 980.000 pés quadrados descrevem a fase em operação; os cerca de 4 milhões de pés quadrados descrevem o campus completo em construção. Este artigo não tenta reconciliar os dois números — registra os dois, com os respectivos contextos. O que a divergência evidencia é o hábito que organiza este levantamento inteiro: perguntar, a cada figura, qual escopo ela mede.

Colocadas lado a lado, as três camadas dão a Abilene uma propriedade que nenhum outro canteiro da lista tem: progresso físico, energia e inquilino nomeado aparecem em registros distintos, de origens distintas, apontando na mesma direção. É isso que o nível 1 mede — e é por isso que, na prática, a fase um de Abilene é o único tramo do roteiro da Oracle que pode ser tratado como entregue.

Project Jupiter, no Novo México: o canteiro contestado

O Project Jupiter, no condado de Doña Ana, no sul do Novo México, é o canteiro mais consequente da lista — projetado para 2,45 GW — e o mais contestado. É onde a distância entre anúncio e registro deixa de ser abstrata e ganha datas, tribunais e um aviso contratual.

Comece pelos números da própria Oracle. Na página que a empresa mantém sobre seus centros de dados, o Project Jupiter aparece com quase US$ 80 milhões em receita tributária para o estado e o condado, cerca de 700 residentes do Novo México trabalhando no canteiro, marcos de construção datados de 2026 e uma medição própria de 42% entregue. São afirmações do fornecedor sobre o próprio projeto — úteis como linha de base, sem valor de verificação.

A medida de progresso que circula fora dessa página também vem da Oracle — só que em declaração, diante de autoridades. Segundo o Albuquerque Journal, o executivo da Oracle Mahesh Thiagarajan disse a autoridades do condado, em 8 de setembro de 2026, que o centro de dados de IA construído para a Oracle e a OpenAI estava 26% completo, com 3.686 profissionais de construção no canteiro, dos quais 466 residentes do condado de Doña Ana. Duas ressalvas importam: o número é da empresa, replicado pela imprensa local — não é uma avaliação de engenharia independente — e ele fixa uma linha de base datada com a qual qualquer afirmação posterior de progresso pode, e deve, ser confrontada.

O contexto regulatório é o mais duro dos cinco canteiros. O New Mexico Supreme Court suspendeu o processo de licença de qualidade do ar do projeto. A precisão importa: é uma suspensão do processo de licenciamento — não uma decisão de mérito sobre o projeto em si. Duas datas reportadas completam o quadro: a linha de gás da Energy Transfer que serve o site foi adiada para 1º de fevereiro de 2027, e o prazo para a decisão sobre a licença de qualidade do ar das células de combustível foi reportado para 23 de novembro de 2026.

Sobre o contrato, o que existe é reportagem — não documento público, e não decisão judicial. O TechCrunch, citando a Bloomberg, noticiou que a Oracle enviou um aviso de força maior ao desenvolvedor do Project Jupiter, uma unidade da Blue Owl Capital. Segundo a Bloomberg, por meio do Financial Post, o aviso é descrito como uma busca de adiamento de pagamentos caso o campus de 2,45 GW perca a meta de entrada em operação em 2028 — e não como saída da relação de inquilino; a mesma reportagem descreve a arquitetura financeira do projeto: cerca de US$ 18 bilhões em empréstimos de construção vindos de aproximadamente 20 bancos, a Stack Infrastructure como desenvolvedora e células de combustível a gás da Bloom Energy planejadas para o campus. A Oracle, publicamente, afirma que o projeto segue o cronograma planejado. O efeito contratual do aviso é, explicitamente, incerto na própria reportagem — e este artigo não o trata como decisão judicial, porque não é.

A cobertura nacional também chegou ao projeto: o The Wall Street Journal publicou uma análise sobre o complexo do Novo México. O texto integral está atrás de paywall; esta auditoria usa apenas o parágrafo de abertura verificado e não atribui a ele nenhum número adicional.

E a obra, segundo a reportagem da Searchlight New Mexico, seguiu em curso mesmo sob a suspensão — com o procurador-geral do estado figurando na disputa e as preocupações com a água no centro do debate local. É o retrato de um canteiro que avança fisicamente enquanto o seu licenciamento mais sensível está parado em tribunal.

Saline Township, em Michigan: construção verificada, capacidade pendente

Saline Township, em Michigan, é o segundo nível da escada: construção verificada por registros oficiais, sem capacidade entregue. Os registros da própria Saline Township documentam a rede que serve o campus — água, esgoto e drenagem pluvial — e ancoram a camada física do projeto.

A camada de licenças vem do Michigan Department of Environment, Great Lakes, and Energy (EGLE): as autorizações emitidas incluem uma permissão de bombeamento e rebaixamento do lençol freático de até 681 galões por minuto. O número diz algo específico sobre a obra: mover água nessa vazão é condição para escavar fundações em escala industrial, e a autorização estadual é o registro de que o projeto passou por esse crivo. Os mesmos registros municipais apontam a expectativa de construção da subestação em meados de junho de 2026.

O progresso vertical vem da imprensa local: segundo reportagem do MLive, de início de setembro de 2026, dois dos três prédios de 550.000 pés quadrados já têm a estrutura erguida e mais de 1 milhão de horas de trabalho haviam sido concluídas. O vínculo do canteiro com a Oracle vem da relação oficial da própria empresa — não há, até o fechamento desta auditoria, registro público independente que nomeie o inquilino.

O que o registro de Michigan não mostra é entrega. Nenhum dos três prédios aparece em operação servindo carga; o que existe é estrutura erguida, redes enterradas, uma autorização para mover água e uma subestação em expectativa de construção. Falta também uma peça regulatória: a audiência do pedido de permissão de descarga de águas residuais permanece pendente — o próximo marco do canteiro. É construção verificada — a definição exata do nível 2.

Port Washington, em Wisconsin: licenciado, com a rede pendente

Port Washington, em Wisconsin, é o nível três: o licenciamento está documentado, a interconexão à rede ainda não.

Os registros do Wisconsin Department of Natural Resources mostram a cronologia: cobertura de áreas úmidas e drenagem pluvial emitida em 11 de dezembro de 2025 e, em 12 de junho de 2026, a licença de ar para 45 geradores de emergência a diesel. Os mesmos registros estaduais descrevem o terreno: o campus ocupa 672 acres dos 1.644 acres que a Vantage Data Centers mantém na região. Vale decodificar a licença de geradores: 45 unidades de emergência a diesel não alimentam a carga de IA — cobrem falhas. A peça que decide quando, ou se, o campus entra em operação está em outro balcão: a interconexão da American Transmission Company segue sob análise da Public Service Commission of Wisconsin.

O progresso físico é visível, até agora, apenas em registros de manchete. O Data Center Dynamics noticiou, em junho de 2026, o fechamento da estrutura do segundo prédio do campus. E o Ozaukee Press estampou, em setembro de 2026, a reação da comunidade à escala do projeto, com a manchete que descreve o tamanho como "insane". Ambos são registros de manchete: confirmam que a obra existe e que a vizinhança a percebe, mas não permitem verificar a capacidade nem o estado de conclusão do campus — e este artigo não afirma nenhum dos dois.

O que falta em Port Washington não é papel: são os dois registros que separam um campus licenciado de um campus ligado — a decisão da Public Service Commission of Wisconsin sobre a interconexão e qualquer evidência de carga operando. Até que um dos dois apareça, o canteiro permanece onde o registro o coloca: licenciado, inicial, com a rede pendente.

Condado de Shackelford: o registro mais fino dos cinco

O condado de Shackelford, no Texas, a leste de Abilene, é o nível quatro — e é o motivo de a escada existir.

O condado aparece na relação oficial da Oracle como um dos cinco abrigos de sua infraestrutura de IA em parceria com a OpenAI. Fora disso, há uma única reportagem, do The Texas Dispatch, publicada em junho de 2026. Nesta auditoria, os detalhes dessa reportagem não puderam ser verificados em registros independentes: nenhuma licença lida aqui confirma a escala, o cronograma ou os termos do contrato da Oracle no condado.

É exatamente por isso que o caso de Shackelford importa metodologicamente. Se a lista do fornecedor fosse tratada como capacidade, este condado entraria na conta com o mesmo peso de Abilene — e o registro disponível não sustenta o trato simétrico. Pelo que os balcões públicos mostram, ele é um nome em uma página e uma reportagem não confirmada. Nada mais, nada menos.

O que a distância entre anúncio e registro significa

Somando os cinco: um canteiro com prédios energizados servindo a carga da OpenAI via Oracle Cloud Infrastructure (Abilene); dois com obra ativa verificada por registros oficiais ou imprensa local, um deles com o licenciamento de ar suspenso em tribunal e um aviso de força maior reportado (condado de Doña Ana e Saline Township); um licenciado com a interconexão pendente (Port Washington); e um que existe quase apenas na lista do fornecedor (condado de Shackelford). A distância entre anúncio e registro não é um detalhe retórico: ela é específica, datada e verificável.

Nenhuma parte disso significa que os projetos não existam. Significa que "anunciado" e "entregue" são estados diferentes — e que os registros públicos permitem distinguir os dois com precisão de calendário: subestação energizada em 10 de março de 2026 em Abilene; declaração de 26% em 8 de setembro de 2026 no condado de Doña Ana; licença de ar para 45 geradores em 12 de junho de 2026 em Port Washington. Cada uma dessas datas vem de um balcão público — contratada e concessionária, audiência municipal, registro estadual — e é por balcões assim que a diferença entre os dois estados se mede.

Para o leitor que compra, financia, regula ou constrói neste mercado, a recomendação prática sai do próprio registro: exija, antes de tratar capacidade anunciada como real, os artefatos que só os balcões emitem — licenças, pedidos de interconexão, decisões judiciais e datas de energização. O levantamento foi fechado em 27 de setembro de 2026 e cobre o que registros públicos legíveis mostram até esta data; a ficha de diretório vinculada a este artigo segue a mesma disciplina, e é por marcos como os listados aqui que a distância entre o anúncio e a entrega deve continuar sendo medida.