Resumo

  • Ofcom não concluiu que a competição no atacado eliminou suas preocupações. A pausa combina compromissos de quatro operadoras com incerteza sobre a força futura dos canais alternativos.
  • Os compromissos cobrem preços-padrão específicos de terminação “on-net”, não todas as rotas ou todos os contratos. A questão é se outros canais recebem tráfego suficiente para pressionar o custo no ponto em que o SMS chega à rede do destinatário.

O que a pausa não resolveu

SMS A2P sustenta tarefas que muitas empresas consideram básicas: códigos de acesso bancário, lembretes de consulta médica, avisos de entrega. O percurso costuma envolver o remetente, um provedor de mensagens, um agregador e a operadora móvel do destinatário. Essa última rede realiza a terminação no número de telefone correspondente.

Em janeiro de 2025, Ofcom propôs um teto para o preço de atacado dessa terminação. Na consulta, avaliou provisoriamente que cada operadora que entrega o SMS poderia ter poder significativo de mercado, além de capacidade e incentivo para cobrar valores excessivos no futuro. Era uma avaliação preliminar, não uma constatação final.

Em 31 de outubro de 2025, o regulador decidiu, por prioridade administrativa, não continuar a revisão “neste momento”. A decisão diz expressamente que Ofcom não estava chegando a conclusões definitivas sobre as etapas da análise de mercado. A incerteza sobre a concorrência que outros canais poderiam gerar, os compromissos de quatro grandes operadoras e o princípio de evitar regulação desnecessária pesaram na escolha. Ofcom também preservou a possibilidade de intervir rapidamente se o risco voltasse a crescer. A decisão final não diz que o mercado se tornou competitivo.

Isso altera a pergunta, mas não encerra o caso. A proposta de teto nunca virou regra. A pausa tampouco demonstra que as altas anteriores deixaram de importar. O próximo teste é observar se a mudança de canal realmente limita o preço de atacado ou se permanece como uma opção teórica para alguns remetentes grandes.

Cada mensagem ainda encontra uma rede de destino

Uma empresa pode contratar um provedor de mensagens e usar um agregador para alcançar clientes em várias redes. Pode também transferir parte dos avisos para WhatsApp Business, RCS ou um aplicativo próprio. Mas, quando escolhe SMS para determinada pessoa, a rede móvel à qual essa pessoa está conectada continua sendo necessária para concluir a entrega.

Ofcom descreveu aumentos repetidos, alguns acentuados, entre 2021 e 2024. Em menos de três anos, os preços nominais subiram mais de 15% e menos de 75%. Mudanças com pouco aviso dificultavam a oferta de contratos empresariais de preço fixo, e parte do custo maior começava a chegar ao remetente. Desde abril de 2024, houve menos reajustes; os dois aumentos observados por Ofcom ficaram, em geral, próximos à inflação. A desaceleração reduz a pressão imediata, mas não prova que o poder de barganha mudou.

Os limites da promessa de cobertura

BT/EE, Sky, Virgin Media O2 e VodafoneThree apresentaram compromissos separados em outubro de 2025, válidos de 1º de janeiro de 2026 a 31 de dezembro de 2028. Considerando também as operadoras virtuais abrangidas, Ofcom estima cobertura superior a 90% da oferta total de terminação A2P aos agregadores.

Isso não significa que 90% de todas as faturas de SMS tenham um teto. Os compromissos restringem os preços-padrão máximos de terminação “on-net” cobrados diretamente dos agregadores. As operadoras podem reajustá-los no máximo uma vez em cada período de 12 meses relevante e precisam avisar com 60 dias ou dois meses de antecedência, além de notificar Ofcom. Ficam fora os preços de interconexão “off-net”, descontos e valores personalizados. O custo efetivo continua sujeito a rota, volume e contrato.

O documento público também oculta os valores máximos. Ofcom afirma ter recebido os níveis ou fórmulas, mas o leitor não consegue comparar as cifras na versão não confidencial. A estimativa de 90% mede a cobertura da prestação atacadista para agregadores; não mede quanto de cada preço de varejo está protegido contra qualquer mudança.

Os compromissos podem reduzir risco. Mais aviso e menor frequência de reajustes ajudam o agregador a renegociar contratos e talvez oferecer preços fixos a empresas. Isso é um mecanismo de estabilidade, não prova de que o preço caiu ou de que a economia chegou ao cliente final.

Uma rota alternativa só disciplina quando o tráfego muda

Ofcom citou preços menores em algumas mensagens do WhatsApp Business, maior disponibilidade de RCS/RBM, soluções de agregadores que alternam entre canais com retorno ao SMS e mais aplicativos de serviços públicos. Algumas grandes empresas estudavam migrar; uma delas já havia transferido a maior parte do volume para o WhatsApp Business.

A mesma decisão descreve evidência limitada de mudanças efetivamente realizadas ou já decididas. A avaliação geral era mista e o SMS deveria continuar importante no curto e médio prazo. Ofcom tampouco havia observado reação clara de preços das operadoras às reduções do WhatsApp, além de não ocorrerem novos aumentos. Um canal mais barato pode melhorar a negociação de um remetente, mas não necessariamente limita a tarifa cobrada por cada rede de destino.

O uso faz diferença. WhatsApp exige aplicativo instalado e conexão de dados ou Wi-Fi; alguns casos também precisam de consentimento separado e ajustes nos sistemas da empresa. SMS chega ao número sem que o remetente saiba qual aplicativo o destinatário usa. Um agregador multicanal pode desviar mensagens adequadas e manter SMS como contingência. Isso reduz a dependência em parte do tráfego, sem eliminar a necessidade de terminação para todos os usos.

A consulta de Ofcom reuniu entrevistas com 30 remetentes empresariais e uma pesquisa online com 2.086 adultos do Reino Unido em outubro de 2024. Os resultados indicavam uso complementar de outros canais em situações específicas. É uma linha de base histórica, não uma medição de migração em 2026. Ofcom também informou que as grandes redes móveis terminaram 21,4 bilhões de mensagens A2P em 2024/25, alta anual de 3,2%. O crescimento total pode coexistir com mudanças em alguns segmentos; não mostra, sozinho, qual efeito prevalece. A consulta de janeiro de 2025 explica a pesquisa.

A trilha dos dados também precisa fechar

A capacidade de substituição depende, em parte, de dados fornecidos pelas plataformas. Em setembro de 2025, Meta informou a Ofcom que dados anteriores sobre volumes de conversas do WhatsApp Business, enviados após uma solicitação de julho de 2024, estavam incorretos. Meta reenviou números de outubro de 2023 a março de 2024 e novas estimativas de julho de 2022 a setembro de 2023, incluindo vendas diretas e indiretas. Ofcom retirou uma correção anterior e ajustou a consulta. A nota de setembro registra o ajuste.

Em janeiro de 2026, Ofcom abriu uma investigação separada sobre o cumprimento de avisos formais enviados a Meta em julho de 2024 e junho de 2025 sob a seção 135. O regulador afirmou que parte das informações poderia estar incompleta ou imprecisa e que a investigação apuraria se houve descumprimento. Na data editorial, a página do caso ainda o mostrava como aberto. Isso não é uma conclusão de infração nem prova que os dados corrigidos estavam errados ou determinaram a decisão de outubro. A investigação ainda não apresenta uma decisão final.

A implicação mais estreita é metodológica: ao rever volumes declarados, é preciso separar migração real de mudança de definição, estimativa ou correção retroativa. Uma diferença de preço só vira restrição competitiva quando pode ser confrontada com uso, alcance dos destinatários e comportamento das tarifas.

A pausa precisa de um medidor visível

Ofcom prometeu acompanhar periodicamente os compromissos e os preços dos provedores que não participaram. A decisão publicada não define um limite numérico automático para retomar a análise. Agregadores e empresas ainda precisam saber qual evidência pública mostraria que a alternativa funciona ou que o risco original voltou.

Um monitoramento útil separaria preço-padrão “on-net” de interconexão “off-net”, mostraria que parcela do tráfego está coberta e acompanharia os volumes por tipo de mensagem em SMS, WhatsApp Business, RCS e aplicativos. Também distinguiria intenção de migração concluída, identificaria quando SMS segue como contingência e verificaria se a economia no atacado aparece nos contratos empresariais.

Ofcom não prometeu divulgar todos esses dados, e a confidencialidade pode limitar o detalhe. Ainda assim, sem um quadro público de monitoramento, o mercado não consegue saber se a cobertura estimada gerou pressão competitiva ou apenas estabilizou uma parte da rota antiga. Esse é o teste que continua aberto.