Resumo
- A CMC iraquiana cancelou em 2 de junho de 2026 o acordo de conciliação de setembro de 2025 com a Korek, citando descumprimento de obrigações contratuais, ordenou a suspensão das operações e afirmou que adotaria medidas legais, regulatórias e técnicas para recuperar cerca de US$ 1,5 bilhão em dívidas.
- Entre agosto e setembro de 2026, o regulador fechou a sede da Korek em Jadriyah e centros de venda em Bagdá e depois em Karbala, Najaf, Diwaniyah, Babil, Kirkuk, Nineveh e Salah al-Din, atingindo oito províncias; um tribunal de Bagdá derrubou em fins de agosto a liminar temporária que a Korek havia obtido.
- A quantia da dívida é contestada e mudou ao longo das declarações oficiais: US$ 375 milhões ligados ao leilão de licença móvel de 2007; cerca de 1,4 trilhão de dinares (aproximadamente US$ 1,06 bilhão) sob o acordo cancelado; e mais de 2 trilhões de dinares (cerca de US$ 1,5 bilhão) mais dívidas externas acima de US$ 1 bilhão, segundo o chefe da CMC Baligh Abu Kalal em setembro de 2026.
- O prazo operacional concreto é 30 de setembro de 2026: depois dele, a CMC disse que desligaria progressivamente os switches da Korek, orientando os assinantes a não destruírem chips nem abandonarem números.
O que efetivamente mudou
A diferença de estado entre anúncio e fato é o eixo deste briefing. O que já tomou efeito, com base nos relatos retidos: o cancelamento do acordo em 2 de junho de 2026, comunicado pela CMC (Rudaw; Shafaq News); a suspensão ordenada das operações; o fechamento em 20 de agosto de 2026 da sede Jadriyah e de três centros de venda em Bagdá — Arasat, Mansour e Palestine Street (Rudaw); e a reversão, no fim de agosto de 2026, da liminar temporária que a Korek havia obtido, com o Tribunal de Primeira Instância de Rusafa mantendo a suspensão (Shafaq News). As datas do desfecho judicial divergem entre as fontes: a 964media registra o cancelamento da liminar em 24 de agosto, após recurso (964media), enquanto a Shafaq News publicou a notícia do tribunal em 26 de agosto (Shafaq News); este briefing trata a reversão como ocorrida no fim de agosto e atribui cada datação à sua fonte.
A campanha de fechamento então se expandiu: em 3 de setembro de 2026 para Karbala, Najaf, Diwaniyah e Babil — incluindo um centro de atendimento no Aeroporto Internacional de Najaf — e em 6 de setembro para Kirkuk, Nineveh e Salah al-Din, somando oito províncias do Iraque federal, com fiscalização conduzida junto ao Serviço de Segurança Nacional (964media; The Baghdad Telegraph). Em 9 de agosto, a CMC já havia anunciado um plano para desligar a rede da Korek e colocar penhoras sobre seus ativos, e em 19 de agosto orientou os usuários a migrarem para outros operadores licenciados e a organizarem autenticação e recuperação alternativas (Rudaw). Em 14 de setembro de 2026, a CMC fixou o prazo de 30 de setembro para que os assinantes protegessem suas contas digitais, após o qual desligaria progressivamente centrais e switches em Bagdá e outras províncias (Rudaw).
A base da dívida contestada
A alegação subjacente remonta a US$ 375 milhões ligados ao leilão de licença móvel de 2007. A Korek sustenta que o pagamento estava condicionado à transferência da base de assinantes da antiga Iraqna, que, segundo a empresa, nunca ocorreu, e que a conciliação originou-se de comitê criado pelo gabinete do primeiro-ministro e dependia parcialmente de uma licença 4G (964media). A trajetória dos números oficiais mostra o quantum em disputa e em evolução: cerca de 1,4 trilhão de dinares (aproximadamente US$ 1,06 bilhão) sob o acordo de setembro de 2025, hoje cancelado (964media); e, em setembro de 2026, mais de 2 trilhões de dinares (cerca de US$ 1,5 bilhão) mais dívidas externas superiores a US$ 1 bilhão, segundo Baligh Abu Kalal, chefe da CMC, que descreveu as negociações como sem saída (Rudaw).
A posição da Korek e o impasse jurisdicional
O presidente do conselho da Korek, Sirwan Barzani, classificou as medidas da CMC como ilegais e fora dos marcos regulatórios; a empresa afirmou ter adotado medidas judiciais em três tribunais iraquianos, e o The Baghdad Telegraph noticiou que a Korek pediu ao primeiro-ministro Ali al-Zaidi que intervenha (Rudaw; The Baghdad Telegraph).
Do lado curdo, o ministro de Transportes e Comunicações da Região do Curdistão, Ano Jawhar, afirmou que a CMC federal não pode desligar a Korek na Região do Curdistão, que a operadora ali funciona sob decisões do KRG e do ministério e continuará operando, que mais de 4 milhões de cidadãos usam números Korek, e pediu um comitê conjunto para resolver a disputa (Rudaw, serviço turco). Trata-se de declaração de um ministro do KRG, não de um registro operacional independente; a divisão federal-versus-Curdistão é, ela própria, um dos mecanismos por onde este caso pode se romper.
Disputa paralela em tribunais estrangeiros
A disputa de propriedade e controle em torno da Korek também corre em tribunais estrangeiros. Os DIFC Courts (Dubai) registram julgamento da Corte de Apelação datado de 16 de junho de 2025 no caso Iraq Telecom Limited e International Holdings Limited contra Korek Telecom Company LLC, Korek International Management Ltd e Sirwan Saber Mustafa (Jus Mundi). Desambiguação necessária: o sujeito deste artigo é a Korek Telecom Company for Communications LLC, a operadora móvel iraquiana registrada no diretório da BTW (página da entidade), nome que a imprensa também grafou como "Korek Telecom Company LLC" e "Korek Telecom"; ela é distinta da Korek International Management Ltd (corré no caso DIFC), dos autores Iraq Telecom Limited e International Holdings Limited e dos demais operadores iraquianos citados na cobertura. O registro retido não caracteriza o teor do julgamento, e este briefing não afirma seu resultado.
Estrutura de mercado em jogo
A Korek é um dos três operadores móveis do Iraque, com base histórica no Curdistão e presença em províncias federais (Wikipedia). A campanha da CMC realoca, na prática, assinantes e pontos de presença comercial para os concorrentes licenciados — o regulador disse que direcionaria queixas de assinantes ao seu Departamento de Voz do Consumidor e recomendou que entidades públicas e privadas não firmassem novos contratos com a Korek (Rudaw). O ministro das comunicações do Iraque, por sua vez, propôs uma quarta licença móvel estatal com a Vodafone como operadora (Rudaw) — um item anunciado, não efetivado, que, se aprovado, alteraria ainda mais a estrutura de mercado.
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