Summary

  • O primeiro enlace acadêmico internacional transportava correio por BITNET e EARN; a adoção do TCP/IP foi outra etapa técnica.
  • Os registros divergem sobre a data e o primeiro ponto na Áustria; em 1996, o acesso ainda dependia de enlaces internacionais e locais lentos.

“Conectado” pode significar etapas diferentes

A chegada da Internet ao Irã costuma ser resumida em um ano. Os registros descrevem ao menos dois acontecimentos: uma conexão acadêmica para correio por BITNET e pela European Academic and Research Network (EARN), seguida pela transição para TCP/IP. Trocar mensagens, operar um nó IP e oferecer serviço ao público são formas diferentes de conectividade.

O projeto nasceu de uma necessidade de pesquisa. Siavash Shahshahani, então vice-diretor do Institute for Studies in Theoretical Physics and Mathematics (IPM), contou que o instituto queria manter contato com universidades estrangeiras. Segundo ele, o International Centre for Theoretical Physics, de Abdus Salam, apresentou o IPM à EARN. Shahshahani recordou uma conexão telefônica com a University of Linz no fim de 1992 e, depois, uma linha alugada para a University of Vienna. O levantamento de 1999 da Open Research Network data de janeiro de 1993 uma linha de 9.600 baud até Viena, inicialmente usada para BITNET/EARN.

As fontes não resolvem a primeira data nem o primeiro ponto austríaco.

A palavra “Internet” também exige precisão. Shahshahani situa a operação de IP no fim de 1993; no início, os endereços iranianos apareciam sob o espaço UNIVIE.AT de Viena. O levantamento de 1999 coloca a adaptação do gateway TCP/IP em meados de 1994: o IPM modificou um gateway MicroVAX para a IREARN e continuou usando a linha de 9,6 kbps. O relatório cita uma alocação de classe C, mas diverge entre 500 e 512 endereços. O número é incerto; a mudança de arquitetura é mais clara. As universidades chegavam à rede externa por meio do IPM.

Um registro de administração de redes de abril de 1994 lista um domínio .ir, servidores de nomes e vários hosts do IPM, mas uma mensagem diz que as conexões pareciam indisponíveis naquela manhã. É uma observação datada, não prova de queda nacional. Domínio registrado e host listado não bastam para demonstrar alcance.

Em 1996, a rede tinha crescido, mas o acesso seguia desigual. Um levantamento contemporâneo descreve duas linhas de 9.600 baud entre o IPM e Viena, enlaces acadêmicos domésticos na maioria nessa velocidade e apenas dois circuitos de 64 kbps na rede interna observada. Também aponta congestionamento e problemas de roteamento. A estimativa de dezenas de milhares de usuários não é censo de domicílios: muitas das 1.100 contas do servidor principal do IPM eram compartilhadas por instituições. O levantamento diz que um enlace via satélite com capacidade potencial de 2 Mbps estava pronto tecnicamente, mas aguardava documentação entre DCI e Intelsat.

Não aponta a causa nem a data de operação.

Não houve um único interruptor de “chegada”. O correio atravessou fronteiras antes do TCP/IP; as rotas locais, a capacidade e os serviços comerciais seguiram seus próprios calendários. Juntar tudo em uma data faz a rede parecer mais completa do que as fontes permitem afirmar.

Fontes