Resumo

  • O relatório anual da ARIN contabiliza 78.234 blocos IPv4 /24 em sua tabela de fluxos inter-RIR de 2025. Dos 34.689 /24 registrados como saída da região ARIN, 27.804 foram para a LACNIC; dos 43.545 registrados como entrada, 39.587 vieram da RIPE NCC.
  • Esses volumes indicam direção e tamanho de espaço, não preços, motivos, demanda não atendida ou a identidade de compradores e vendedores. A ARIN também distingue transferências concluídas, pedidos e chamados processados; são unidades diferentes.

Análise

Um total regional pode dar a impressão de que os recursos seguem uma única direção. A tabela da ARIN para 2025 mostra por que é importante preservar o sentido da movimentação. Há espaço IPv4 saindo da região ARIN e também entrando nela, mas cada lado tem um principal parceiro diferente. A LACNIC é o principal destino do volume de saída publicado. A RIPE NCC é a principal origem do volume de entrada. O total não representa um fluxo uniforme.

Os seis valores publicados, em blocos /24, são:

Direção Espaço IPv4
Região ARIN → LACNIC 27.804 /24
LACNIC → região ARIN 584 /24
Região ARIN → RIPE NCC 4.352 /24
RIPE NCC → região ARIN 39.587 /24
Região ARIN → APNIC 2.533 /24
APNIC → região ARIN 3.374 /24

As três linhas de saída somam 34.689 /24; as três de entrada, 43.545. Juntas, elas chegam exatamente aos 78.234 /24 do relatório. Na apuração de 2025, há 8.856 /24 a mais registrados como entrada do que como saída da região ARIN.

Essa diferença pode ser conferida, mas não é um balanço patrimonial do mercado. Ela não informa se os recursos foram vendidos, alugados, transferidos após uma fusão ou movimentados por outro motivo. O relatório não identifica as partes, o preço, a negociação, a finalidade operacional nem se o novo registro foi usado em uma rede ativa. O que aparece é a movimentação no registro, não a transação comercial que pode ter ocorrido antes.

A divisão por RIR é mais informativa que o saldo. A LACNIC representa cerca de 80% do volume de saída registrado: 27.804 dos 34.689 /24. A RIPE NCC representa cerca de 91% da entrada: 39.587 dos 43.545. A APNIC aparece nos dois sentidos, em volumes menores: 2.533 /24 saíram da região ARIN e 3.374 entraram. Esses são fluxos medidos no relatório da ARIN para um ano específico; não comprovam preferência, causa ou padrão regional duradouro.

Também é preciso manter as unidades separadas. Um /24 mede o tamanho de um bloco IPv4 e contém 256 endereços. Não é um pedido de transferência, uma organização ou uma transação. O relatório anual também lista 445 transferências inter-RIR. Não se deve dividir os 78.234 /24 por 445 para obter o tamanho típico de uma transferência. A orientação estatística da ARIN esclarece que um único pedido pode envolver vários blocos, enquanto o gráfico 8.4 do relatório mostra especificamente o volume IPv4. Contagem de transferências e volume de endereços respondem a perguntas diferentes.

As estatísticas históricas da ARIN distinguem ainda uma categoria que costuma confundir: chamado “processado” é aquele que foi encerrado, independentemente do resultado final do pedido. Registro de transferência concluída, chamado encerrado, quantidade de pedidos e volume de endereços não são medidas intercambiáveis. Misturá-las pode fazer a atividade de uma fila parecer movimentação concluída, ou transformar volume de endereços em contagem de contrapartes. Preservar cada rótulo é uma condição básica para interpretar os dados.

Para operadores, a tabela oferece uma visão delimitada de como o espaço IPv4 registrado cruzou a fronteira da ARIN em 2025. Para quem avalia a política de registros, ela mostra que é possível publicar a direção das movimentações sem revelar as partes ou os termos contratuais. O que falta é uma visão por transação dos resultados e motivos. O agregado permite questionar o desenho da divulgação, mas não responde qual é a demanda do mercado: o registro público consegue manter separados direção, tamanho do recurso, quantidade de transferências e estado do pedido desde o resumo anual até o log de origem?

A leitura mais segura não é “a ARIN importa recursos líquidos” nem “o espaço está saindo para um destino”. É mais específica: o registro da ARIN para 2025 mostra uma saída concentrada na direção da LACNIC e uma entrada ainda mais concentrada com origem na RIPE NCC, além de um fluxo menor nos dois sentidos com a APNIC. O relatório não explica essas diferenças; não cabe acrescentar uma causa que ele não apresenta.

Fontes

Relatório anual da ARIN de 2025, p. 8 · Arquivo de estatísticas da ARIN de 2025 · Log de transferências especificadas e definições da ARIN