Resumo

  • O arquivo acumulado da ARIN de 3 de novembro contém 64 linhas IPv4 sem sobreposição de Micfo, LLC. para “U.S. Marshals Service in accordance with the Final Order of Forfeiture”. Todas trazem 8 de maio de 2024, 22h10min30s UTC, tipo MERGER_ACQUISITION, e 261.120 endereços efetivamente transferidos.
  • Em 2026, 56 linhas RESOURCE_TRANSFER têm origem chamada DOJ-USMS e cobrem 101.120 endereços daquelas faixas. São 34 nomes destinatários: 38 linhas para ARIN, 16 para RIPE NCC e duas para APNIC.

O banco de dados oferece uma piada involuntária. No arquivo original de transferências da ARIN, 64 linhas registradas no mesmo segundo de maio de 2024 trazem Micfo, LLC. como origem e “U.S. Marshals Service in accordance with the Final Order of Forfeiture” como destino. No campo type, porém, está MERGER_ACQUISITION. O campo descreve a classificação pública da ARIN. Ele não transforma uma ordem judicial em fusão empresarial. O mecanismo real ficou na descrição textual do destinatário.

Somando apenas os intervalos transfer_set, as 64 linhas abrangem 261.120 endereços IPv4 distintos. Duas delas repartem a mesma faixa original /21 em dois /22 contíguos; usar original_set para as duas duplicaria o pai. A especificação do formato diz que cada arquivo datado é uma fotografia do histórico acumulado. O esquema literal admite apenas MERGER_ACQUISITION ou RESOURCE_TRANSFER como tipo. A própria ARIN lembra, em sua página de estatísticas, que uma solicitação pode movimentar vários blocos. Sessenta e quatro linhas não são sessenta e quatro processos.

Em 2023, a ARIN explicou o caso Micfo: um tribunal ordenara o confisco de parte dos direitos sobre endereços IP, e o registro trabalhava com o governo para aplicar a decisão conforme suas regras. A orientação de transferência inclui ordens judiciais definitivas entre os documentos possíveis e descreve a via 8.2 para fusões, aquisições, reorganizações ou operações semelhantes. A tabela pública não traz um número de caso que ligue suas 64 faixas ao rol executável da ordem. É essa peça que falta para conferir a origem administrativa sem adivinhar.

O movimento seguinte veio com outro nome na coluna de origem. Entre 23 de janeiro e 14 de outubro de 2026, 56 linhas RESOURCE_TRANSFER dizem DOJ-USMS; cada intervalo está inteiramente contido nas faixas de 2024, e os 56 intervalos não se sobrepõem. Somam 101.120 endereços para 34 nomes distintos de destinatários. Em 38 linhas, 51.456 endereços, a ARIN permanece como registro de destino. Em 16 linhas, 37.376 endereços, o destino é a RIPE NCC. Outras duas linhas, 12.288 endereços, vão à APNIC. A abreviação do nome mudou. As faixas exatas mantêm a ligação verificável.

O bloco 104.222.192.0/19, de 8.192 endereços, está no conjunto de 2024 e na linha de 8 de junho de 2026 de DOJ-USMS para GLBB Japan KK, com APNIC como RIR de destino. O RDAP atual da APNIC cobre a mesma faixa. Os 4.096 endereços de 107.182.112.0/20 também aparecem no grupo antigo e depois na transferência de 7 de abril de 2026 para Netrouting B.V.; o RDAP atual da RIPE NCC confirma o intervalo. Os objetos atuais mostram o fim visível da trilha; as linhas datadas mostram o percurso.

Uma reportagem anterior de Theo examinou três /20 repartidos em seis /21 de origem DOJ-USMS. O problema aqui é mais amplo: o lote de entrada identificado por confisco, a categoria sob a qual foi arquivado e a dispersão posterior por três RIRs. O arquivo não registra preço, forma de seleção dos destinatários nem anúncio de rotas. Tampouco revela onde estão hoje os demais endereços daquele lote de 2024; isso pede uma auditoria dos outros anos e dos registros atuais. O que ele mostra já basta: quando o rótulo jurídico vira apenas uma categoria genérica, a proveniência passa a depender de quem guardou os números.

Originais dos registros