Summary

  • O registro da APNIC mostra que a prop-166 obteve consenso da comunidade e endosso do Executive Council, e que sua implementação técnica foi concluída, mas as alterações na Certification Practice Statement e nos Termos e Condições de RPKI continuam pendentes.
  • A política permitiria revogar o certificado de recursos de uma CA RPKI auto-hospedada quando seu Manifest e sua lista de certificados revogados atuais não puderem ser descobertos e validados por mais de 60 dias.
  • A questão de governança que permanece não é a capacidade de detectar uma CA obsoleta, mas a clareza dos avisos, da decisão, das evidências e do caminho de recuperação.

A linha mais reveladora no histórico da prop-166 não é a data do consenso. É o registro de 11 de fevereiro de 2026: “Technical Implementation complete – Awaiting Updates CPS/RPKI ToC”. No fechamento desta reportagem, em 5 de setembro, o índice da APNIC ainda listava a prop-166 como “In Implementation”. O software pode estar pronto, mas a autoridade pública que explica quando e como ele será utilizado ainda não aparece como concluída.

Essa distinção é central para a política. A prop-166 trata das autoridades certificadoras RPKI auto-hospedadas, também chamadas de delegadas. No modo hospedado, a APNIC administra o certificado e a infraestrutura de publicação do titular dos recursos. No modo auto-hospedado, o titular opera sua própria CA e seu ponto de publicação, ou combina sua CA com o serviço de publicação da APNIC. Ele ganha controle operacional, mas também assume a responsabilidade de manter utilizável a cadeia de publicação.

A proposta enfrenta uma falha específica. Se a APNIC não conseguir descobrir e validar o Manifest atual e a Lista de Certificados Revogados de uma CA auto-hospedada por mais de 60 dias, poderá remover essa CA como filha e revogar seu certificado de recursos. O texto pede esforços razoáveis de descoberta e notificações ao operador quando a validação falhar e quando ocorrer a revogação. A avaliação de impacto da APNIC acrescenta que e-mails de alerta seriam enviados aos contatos conhecidos antes da remoção.

O proponente apresenta a medida como redução de desperdício para as partes que confiam no RPKI. Os validadores percorrem repetidamente pontos de publicação para obter e validar objetos assinados. Uma CA cujo repositório continua quebrado deixa de fornecer conteúdo atual e validado, mas ainda consome tentativas de sincronização, processamento, tráfego de rede e atenção operacional. A proposta afirma que uma configuração incorreta pode gerar centenas de milhares de tentativas inúteis. Esse número faz parte da justificativa do proponente; a avaliação de impacto da APNIC não publica uma medição independente.

O escopo pretendido é deliberadamente estreito. As CAs RPKI dos National Internet Registries estão excluídas. O alvo é a pequena população de CAs auto-hospedadas que permanecem sem funcionar, não um operador que enfrenta uma interrupção breve. A APNIC converte os “dois meses” da proposta em um limite fixo de 60 dias. Também espera que os objetos assinados da CA afetada, inclusive ROAs, já tenham expirado antes de esse limite ser alcançado.

Assim, a revogação não é apresentada como invalidação imediata de autorizações de roteamento ainda vigentes. É o registro encerrando um ramo abandonado ou quebrado depois que seu estado de publicação assinado já ficou obsoleto. O titular pode recriar uma CA auto-hospedada pelo processo normal. A ação é relevante, mas não deve ser uma exclusão permanente.

O registro público estabelece a trajetória da política. A versão 1 foi publicada em 31 de julho de 2025. A APNIC divulgou a avaliação de impacto em 15 de agosto. A proposta alcançou consenso na APNIC 60 em 11 de setembro, concluiu a chamada final para comentários em 14 de outubro e recebeu o endosso do Executive Council em 4 de dezembro. A implementação técnica foi registrada como concluída em 11 de fevereiro de 2026. O que o registro ainda não estabelece é uma data de início da aplicação em produção, a cadência final de avisos, o número de CAs afetadas, qualquer revogação já realizada ou a economia mensurada para os validadores.