Resumo

  • O arquivo cumulativo da AFRINIC de 2 de novembro de 2026 mantém duas linhas MERGER_ACQUISITION de 30 de junho de 2025 para AFRIHOST SP (PTY) LTD. Oito faixas vindas de Afrihost (Pty) Ltd somam 306.176 endereços IPv4; outras oito, de Cipherwave, somam 8.192. Os registros estão separados por sete minutos e quinze segundos.
  • A primeira linha também transfere AS328871, AS37611 e duas faixas IPv6. A AFRINIC informa que fusões envolvendo IPv4, IPv6 e ASN são processadas por diretrizes fora do manual de políticas. A política de transferência ratificada posteriormente ainda aguarda a etapa técnica ligada ao MyAFRINIC V2.

O arquivo público tem uma qualidade rara: é possível refazer a conta sem acreditar em ninguém. No JSON de transferências da AFRINIC, os intervalos de IPv4 estão escritos por começo e fim. Basta contar. A dificuldade começa quando se tenta transformar uma soma de endereços em uma explicação da decisão. A lista foi feita para publicar o resultado do registro, não para abrir a pasta que o justificou.

Às 14h08min44s UTC de 30 de junho de 2025, uma linha marca Afrihost (Pty) Ltd como origem e AFRIHOST SP (PTY) LTD como destino. Suas oito faixas IPv4 contêm 306.176 endereços, incluindo 102.182.0.0/16, 165.255.0.0/16 e 169.0.0.0–169.1.255.255. No mesmo registro aparecem os ASNs 328871 e 37611 e as faixas IPv6 2c0e:7f00::/28 e 2c0f:f4c0::/32. É uma transferência de três tipos de recurso sob a classificação MERGER_ACQUISITION.

Às 14h15min59s UTC, a origem passa a ser Cipherwave. O destino permanece idêntico. São oito blocos /22, 8.192 endereços IPv4, sem conjunto de ASN ou IPv6 nessa segunda linha. Os dezesseis intervalos IPv4 não se sobrepõem. Juntos, somam 314.368 endereços, o tamanho de 1.228 blocos /24. A proximidade entre horários explica a curiosidade do leitor, mas o arquivo não dá um identificador comum às linhas nem revela a estrutura jurídica dos movimentos.

A orientação de transferência da AFRINIC exige mais do solicitante do que a planilha oferece ao público. É preciso descrever a mudança de organização, nomear as empresas e identificadores de membro, apresentar confirmações e contatos atualizados e mostrar a utilização dos recursos. Quando várias transações unem entidades antigas e novas, a documentação deve cobrir cada uma. O registro aberto guarda os nomes, a data, os recursos e a classe. A instituição guarda a trilha de verificação. É nessa trilha que se saberia como cada decisão foi sustentada.

O relatório de experiência de implementação dá nome ao problema normativo: transferências de fusão com IPv4, IPv6 e ASN têm sido aceitas sob diretrizes existentes que não são política, enquanto o manual consolidado não cobre todos os casos. As duas linhas Afrihost SP são de 2025. A ratificação da política mais ampla em fevereiro de 2026 é um fato posterior; não serve como carimbo retroativo.

Em AFRINIC-37, a equipe informou que os procedimentos da política ratificada estavam sendo coordenados com outros RIRs e que a implementação técnica viria depois do MyAFRINIC V2. O projeto do portal já sofrera anos de restrições orçamentárias e de pessoal; a meta anunciada era uma versão de escopo limitado até o fim de 2026. A página da política ratificada descreve a nova arquitetura. A ata mostra o gargalo: a norma pode ser aprovada antes que exista o fluxo para aplicá-la.

Para reconstituir o caso de 2025 com precisão institucional, falta uma ficha pública por decisão com versão da diretriz aplicável, identificadores das partes, recursos verificados e histórico de correções. O total de IPv4 já é verificável. Quantas operações societárias havia por trás das duas linhas continua sendo uma pergunta para o processo, não para a calculadora.