Resumo

  • A RFC 787 distribuiu o argumento de A. Lyman Chapin para que a transmissão sem conexão tivesse lugar ao lado dos serviços orientados a conexão no Modelo de Referência OSI.
  • A carta de julho de 1981 pediu comentários antes de uma possível análise no comitê ANSI X3T5 e de uma apresentação posterior à ISO. A capa do estudo avisava que faltavam aprovação do comitê e consenso dos Estados Unidos.

Algumas comunicações pedem uma conversa longa. Outras são um termômetro enviando a próxima leitura. A. Lyman Chapin aproveitou essa diferença para cutucar o desenho do modelo OSI em 1981. Sua RFC 787 distribuiu um estudo sobre transmissão de dados sem conexão: uma unidade completa podia ser enviada sem preparar uma associação naquela camada de serviço. A proposta sobre essa unidade, entretanto, precisava ouvir revisores, passar pela ANSI e talvez alcançar a ISO. O processo de padronização tinha seus próprios cumprimentos de entrada.

A carta de abertura especificava o percurso. Organizações americanas interessadas em padrões internacionais de comunicação de dados receberiam o trabalho e poderiam comentar até 1º de setembro de 1981. Chapin prepararia uma revisão. O comitê X3T5, responsável pelas questões do modelo OSI dentro da ANSI, poderia examiná-la. Se aprovada, serviria de base para uma posição dos Estados Unidos perante grupos pertinentes da ISO. Um quadro destacado na capa afirmava que o comitê técnico apropriado ainda não a havia revisto nem aprovado e que ela não representava, naquele momento, consenso americano.

A publicação no arquivo RFC abriu a discussão para os leitores; o carimbo do comitê continuou em outra mesa.

O problema técnico estava na forma prevista para o serviço. Um serviço orientado a conexão estabelece uma associação antes de transferir dados e pode manter ordem, recuperação e outros estados durante uma conversa duradoura. O serviço sem conexão descrito no estudo envia uma unidade autossuficiente sem negociação prévia nessa camada e sem sua garantia usual de entrega. A aplicação acima pode usar temporizadores, confirmações, novas tentativas e números de sequência quando precisar. A arquitetura ganharia duas maneiras de organizar a comunicação, cada uma com seus custos.

Chapin trouxe exemplos fáceis de visualizar. Sensores espalhados poderiam transmitir leituras periódicas a um centro. Uma leitura perdida seria logo seguida por outra; uma ausência prolongada justificaria alarme. Um endereço novo de servidor ou um aviso de desligamento poderia ser distribuído a muitos participantes. Uma pergunta seguida de uma resposta servia a reservas, estoques ou operações bancárias, entre os casos citados. Centros de controle de sistemas elétricos reuniam medições, consultas e comandos enviados a vários pontos.

O texto também discutia comunicação para grupos, voz digital e telemetria sensível ao tempo, situações em que recuperar um dado velho podia valer menos do que receber o próximo.

O estudo não deixou a palavra “sem conexão” fazer trabalho demais. Um serviço que confirma a entrega ou a falha de cada datagrama parece curto na interface, mas Chapin o descreveu como híbrido porque inclui uma promessa de entrega. A aplicação podia construir confiabilidade numa camada superior. O desenho do OSI precisava dizer em que lugar ficavam negociação, sequência e recuperação. Um relatório de temperatura e uma conversa de meia hora não tinham de pagar a mesma conta de preparação.

No fecho, Chapin mostrou que a disputa não era apenas acadêmica. Durante a votação do projeto de referência DP7498, um participante reclamou que publicá-lo sem tratar da transmissão sem conexão faria pouco caso dos interesses americanos. O X3T5 queria perseguir a inclusão dessa capacidade como primeira grande ampliação do modelo básico e manter uma versão revista, chamada DP7498-prime. O documento transformou uma conta miúda — quanto custa preparar cada mensagem? — numa briga pelo desenho que fabricantes diferentes passariam a compartilhar. O termômetro tinha pressa; o projeto de norma tinha consequências. A RFC 787 guardou os dois na mesma página.