Resumo

  • Uma nota de reunião de 1995 registra que a NCS oferecia acesso discado à Internet nos arredores de Acra por um enlace de satélite de 14,4 kbit/s com a Pipex, em Londres; a empresa dizia que seu serviço de dados não gerava tarifas devidas à Ghana Telecom.
  • Uma estação terrena entrou em operação em Acra em outubro de 1996, depois que esse serviço já existia. As fontes descrevem um novo gateway e uma mensalidade menor, mas não comprovam cobertura nacional, ganho de desempenho medido ou uma única data do “primeiro acesso à Internet” em Gana.

Uma fronteira comercial antes de um novo gateway

A frase mais reveladora do relato de 1995 sobre o começo da Internet em Gana não trata de velocidade. A Network Computer Systems (NCS) disse a uma equipe do World Resources Institute que, por fornecer dados e não comunicações de voz, não pagava tarifas à Ghana Telecom, então estatal, e podia negociar diretamente com empresas internacionais de telecomunicações. Essa é a descrição da NCS, registrada em notas contemporâneas de uma reunião. Não é decisão judicial, licença de telecomunicações, contrato verificado nem livro de cobranças.

A mesma nota informa que os usuários ligavam para a NCS pela rede telefônica pública para iniciar uma sessão PPP. O acesso discado não eliminou a telefonia local. A afirmação da empresa dizia respeito ao tratamento de seu serviço internacional de dados e às cobranças aplicadas a ele; o documento não discrimina os custos das chamadas locais dos assinantes nem cada encargo de interconexão. “Dados, não voz” deve ser lido como o relato de uma operadora sobre uma fronteira regulatória e comercial, não como prova de que o serviço era independente da infraestrutura da Ghana Telecom.

A rota de Londres já atendia usuários

A nota do WRI, datada de 6 de setembro de 1995 e baseada em uma reunião com Nii Narku Quaynor, presidente da NCS, e dois funcionários, diz que a empresa oferecia acesso PPP em Acra e arredores desde janeiro. O serviço internacional usava um enlace de satélite de 14,4 kilobits por segundo para a Pipex, provedora de Internet em Londres. O relatório registrou 82 assinantes, cada um pagando 100 dólares por mês e uma taxa única de 100 dólares por cadastro, instalação no local e software. São valores da época, informados pela empresa e pelos participantes da reunião, não contas auditadas.

A conexão permitia email, FTP, Telnet e World Wide Web. A nota diz, contudo, que o correio eletrônico internacional era o uso mais comum e que a Web e outras aplicações interativas de maior largura de banda tinham pouco uso. A NCS também observou que a proporção do tráfego local em relação ao internacional aumentava à medida que organizações aderiam. É uma observação relevante, mas o documento não traz uma série de tráfego, método de medição ou divisão por perfil de assinante.

O acesso local continuava sendo outra restrição. O documento descreve as comunicações dentro de Gana como uma combinação de rádio de banda lateral única, enlaces de micro-ondas e cobre, com velocidade máxima de 9,6 kbit/s. A NCS planejava instalar pontos de presença em Kumasi, Takoradi e Tamale até o fim de 1995, permitindo que os moradores ligassem para um número local. O registro confirma um plano, não que os locais tenham sido abertos. Também diz que a NCS conseguia monitorar apenas as comunicações internacionais, sem oferecer um quadro completo do tráfego interno.

O que mudou em outubro de 1996

Uma matéria do Daily Graphic reproduzida no arquivo do Network Startup Resource Center informa que uma estação terrena Intelsat foi inaugurada em Acra em 31 de outubro de 1996 como gateway internacional. Segundo a matéria, a rede adquirida e instalada pela NCS ofereceria conexões diretas de Gana para os Estados Unidos e outras regiões. Quaynor disse que a instalação se conectava diretamente à Virgínia, onde, segundo ele, ficava o núcleo do negócio de Internet. Essas declarações mostram o que o anúncio afirmou; não são uma rota rastreada, um diagrama de topologia nem uma medição independente do caminho dos pacotes.

A matéria também registra a nova assinatura mensal da NCS por 45 dólares, frente aos 100 dólares mensais citados na nota de 1995. Os preços vêm de documentos distintos e não constituem uma comparação tarifária completa. As fontes disponíveis não mostram que a estação, sozinha, tenha causado a redução, qual capacidade acrescentou, se melhorou a confiabilidade ou quantos clientes novos se conectaram em seguida.

O anúncio também apresentou a estação como parte da reforma das telecomunicações e de uma concorrência limitada. O ministro esperava que a economia de custos e a flexibilidade permitissem à NCS ampliar o atendimento às pessoas com computador. Ele disse que ao menos três outras empresas haviam sido autorizadas a iniciar atividades. Autorização não prova que cada uma já operava. Um estudo de 2004 descreveu três ISPs em competição em 1996, mas essa retrospectiva não informa a data exata de início de cada serviço.

Por que as datas não se reduzem a um único “primeiro”

A história do registro .GH diz que a conectividade de Gana evoluiu dos sistemas de email de 1992 para uma linha alugada de 9,6 kbit/s em 1993 e um serviço IP via satélite de 128 kbit/s em 1995. Um relatório posterior da União Internacional de Telecomunicações afirma que o país tinha conectividade completa de Internet por linha fixa desde 1993. O resumo de uma entrevista publicado pela Harvard Business School em 2014 situa em 1994 a criação do primeiro provedor de Internet pela NCS. Já a nota de 1995 diz que a oferta pública PPP da empresa começou em janeiro daquele ano.

Esses relatos podem tratar de marcos diferentes — email, conexão fixa, criação de um provedor, acesso discado público ou um gateway internacional posterior —, mas as fontes não uniformizam as definições.

As evidências sustentam uma cronologia mais estreita. Em 1995, a NCS descrevia um serviço discado público usando um provedor londrino. Em 1996, foi anunciado um gateway internacional direto com estação terrena em Acra. A rede acadêmica e de pesquisa de Gana seguiu outro percurso institucional: a GARNET diz que sua ideia surgiu em 1995, ganhou reconhecimento em 2006 e foi incorporada em 2010. Ela não deve ser confundida com o serviço comercial da NCS.

O episódio trata da fronteira entre serviço e infraestrutura. Um provedor podia vender acesso à Internet antes de controlar um gateway internacional direto, enquanto seus clientes ainda dependiam da rede telefônica local e de um acesso lento. A estação de 1996 mudou o arranjo internacional anunciado; por si só, não comprova disponibilidade nacional nem esclarece quem arcava com cada custo.

Fontes