Resumo

  • A Anatel registra HHI móvel nacional de 0,3048, abaixo do teto de 0,3594 para 2027.
  • No mesmo relatório, a mediana do HHI fica perto de 0,60 em municípios com até 30 mil habitantes, e o CR2 supera 80% em 4.889 municípios.

O indicador nacional passa pelo limite. Isso não descreve cada mercado onde vive um cliente de celular. Para uma família que avalia trocar de plano, o índice não mostra quais redes chegam ao seu endereço.

No relatório de competição publicado em 20 de outubro, a Anatel, reguladora brasileira de telecomunicações, informa um Índice Herfindahl-Hirschman (HHI) nacional de 0,3048 para o mercado móvel no terceiro trimestre de 2026. O valor fica abaixo do teto de 0,3594 estabelecido até 2027 pela Meta Estratégica 9. Pelo parâmetro escolhido para acompanhar o mercado nacional, a meta foi cumprida.

Em seguida, o relatório muda a escala. Nos municípios com até 30 mil habitantes, a mediana do HHI está em torno de 0,60 e o limite superior chega a 1,00. Para cidades com mais de 500 mil habitantes, o relatório situa o índice entre 0,30 e 0,35. Os índices de concentração revelam a extensão do padrão local: o CR4 passa de 90% nos 5.564 municípios considerados; o CR2 supera 80% em 4.889 deles. São cálculos da agência com base em registros de acessos e participação de mercado, não uma redefinição da meta nacional.

Essa diferença de escala é o ponto central. Um índice nacional pode avançar no sentido esperado enquanto as condições competitivas continuam desiguais entre localidades. A análise municipal da Anatel associa tamanho populacional e concentração: os municípios menores têm medianas mais altas e maior dispersão. Os resultados não se contradizem porque respondem a perguntas distintas. Um acompanha uma referência agregada; o outro observa como as participações se distribuem entre municípios.

Os números não provam que moradores de localidades concentradas pagam mais, recebem serviço pior ou não têm alternativa prática. Um índice de concentração não informa se uma rede atende um endereço específico, se um plano cabe no orçamento ou se a troca é viável. E HHI de 1,00 não significa que todo município de até 30 mil habitantes seja um monopólio: trata-se do topo da distribuição relatada, cuja mediana está perto de 0,60.

A própria Anatel delimita o exercício. O indicador nacional serve para acompanhar a meta do mercado móvel; o HHI municipal e os índices CR aparecem como complemento que pode orientar uma ação regulatória futura ou uma possível revisão da referência institucional. Isso abre uma agenda analítica, mas não promete mudar a meta. O relatório identifica uma questão de escala sem decidir como o parâmetro deve ser redesenhado.

A próxima comparação útil é verificar se os relatórios trimestrais continuarão a publicar juntos a série nacional e as distribuições municipais. Também importa saber se as faixas populacionais, medianas de HHI, limites de CR e dados de origem permanecem comparáveis. A agência informa que parte dos dados de assinaturas do terceiro trimestre é preliminar, até agosto de 2026, e pode ser atualizada. Portanto, é correto dizer que a meta nacional foi cumprida; dizer que a competição é uniforme em todo o país não é o que mostram as páginas municipais.

O Relatório de Monitoramento da Competição da Anatel do 3T2026 contém os números e a leitura da agência. O arquivo oficial reúne as edições anteriores. A Anatel também indica seu painel de acessos e participação de mercado como fonte dos gráficos municipais.