Resumo

  • A Anatel registrou R$5,36 por GB no indicador móvel do 2º trimestre de 2026, queda anual de 13,41%, enquanto o uso médio cresceu 16,84%, para 6,80 GB por usuário.
  • Os dados estaduais mostram diferenças amplas, mas o proxy não equivale ao preço de varejo, à fatura de uma pessoa ou a uma medida de acessibilidade.

O indicador não é a conta do assinante A primeira pergunta não é se o dado ficou “mais barato”, mas o que exatamente a cifra mede. No móvel, a Anatel informa R$6,19 por gigabyte no segundo trimestre de 2025 e R$5,36 no mesmo período de 2026, uma queda de 13,41%. O consumo médio por usuário subiu de 5,82 para 6,80 GB, avanço de 16,84%. A combinação descreve a relação entre receita e tráfego no setor; não mostra quanto um assinante pagou no mês.

Um proxy por GB pode cair porque a receita muda, porque o volume de tráfego cresce ou porque os dois se movem em ritmos diferentes. Ele não revela o preço de uma franquia, a mensalidade, a cobrança por excedente nem o valor marginal do consumo adicional. Portanto, não deve ser apresentado como se fosse uma tarifa observada no balcão ou na fatura.

Duas redes, duas bases de comparação

Na banda larga fixa, o indicador recuou de R$0,25 por GB no segundo trimestre de 2025 para R$0,23 em 2026, queda de 8%. O uso médio passou de 385 para 404 GB por usuário, alta de 4,94%. Juntar os resultados móvel e fixo em um preço único da conectividade apagaria diferenças de serviço, padrão de consumo e denominador. O gigabyte mede volume, não a equivalência entre produtos.

A tabela estadual mostra que a média nacional esconde amplitudes. No móvel, o proxy vai de R$3,87 no Amazonas a R$7,26 no Rio Grande do Sul, aproximadamente 1,88 vez. O uso médio varia de 4,79 GB no Maranhão a 10,57 GB no Distrito Federal, cerca de 2,21 vezes. No fixo, o Acre aparece com R$0,09 por GB e o Rio Grande do Norte com R$0,33, diferença aproximada de 3,67 vezes; o uso médio vai de 284 GB no Rio Grande do Norte a 938 GB no Acre, cerca de 3,30 vezes.

Esses números comprovam dispersão entre médias publicadas, não o valor pago por cada cliente. Não significam que alguém no Acre compre cada GB por nove centavos, nem explicam por que o indicador difere. A publicação não atribui os contrastes à renda, cobertura, qualidade, composição dos planos, intensidade da concorrência ou poder de mercado. Comparar duas médias não identifica a causa.

O limite da população observada

A nota da Anatel diz que a consolidação abrange prestadores fora da definição de Prestadora de Pequeno Porte (PPP). Esse recorte precisa acompanhar qualquer comparação: o panorama não é um censo de todos os provedores brasileiros. Uma análise de investimento estadual deve checar se a população e a metodologia permanecem comparáveis entre períodos.

O relatório também apresenta R$25,33 bilhões em receita operacional líquida móvel e R$6,82 bilhões em banda larga fixa no segundo trimestre de 2026; o total dos serviços listado é R$34,96 bilhões. O volume econômico ajuda a dimensionar o setor, mas não substitui faturas, preços de planos ou indicadores de qualidade para explicar o resultado vivido pelos domicílios.

A Nota 20 de Heng Lu serve apenas como disciplina editorial: separar o rótulo de uma medida da condição que pode ser observada e executada. Aqui, “preço por GB” é o nome de um proxy; tarifa contratual e acessibilidade exigem registros próprios. A nota não comprova preços brasileiros nem a metodologia da Anatel.

A série nacional pode acompanhar como receita declarada e tráfego se relacionam dentro do recorte escolhido. A tabela estadual mostra onde a relação difere. Para transformar isso em conclusão sobre acessibilidade, competição ou qualidade, é preciso cruzar preço por plano, renda, cobertura, desempenho e composição dos prestadores. Até lá, a queda do indicador é um sinal agregado, não a prova de que o acesso ficou mais barato para cada família.

Fontes