Resumo

  • Em RIPE 93, Andrei Robachevsky descreveu uma proposta do grupo de revisão que tornaria o ROV um MUST e pediria uma ROA válida para cada prefixo anunciado por um participante do MANRS.
  • Operadores podem ficar sem a prova por motivos fora de sua conta: detentores de recursos legados sem contrato com a ARIN não acessam o RPKI da região, e clientes que alugam prefixos podem não ter criado suas ROAs.

Análise

O pacote sai pela rede do operador; a autorização do prefixo pode estar na mão de outra empresa. Essa divisão costuma sumir quando o assunto vira uma nota de conformidade. Na revisão do MANRS, ela decide se a promessa de cobertura RPKI de 100% é executável.

No dia 27 de outubro, Robachevsky apresentou em RIPE 93 o andamento da revisão do programa de operadores de rede do MANRS. As ações não recebiam uma mudança substantiva desde que o programa começou, em 2014. Para diminuir a margem de interpretação, o grupo separou os requisitos do guia de implementação e auditoria e passou a usar termos do IETF, como MUST e MUST NOT. No rascunho que ele descreveu, ROV seria MUST e cadastro no IRR, SHOULD. Para a ação de informação de roteamento, o grupo discutia cobertura RPKI total: cada prefixo anunciado pelo participante deveria ter uma ROA válida.

O novo texto ainda estava em construção. Robachevsky disse que o grupo faria uma última rodada interna e depois abriria comentários à comunidade. O objetivo era ouvir mais do que os integrantes do grupo ou as organizações já participantes. O transcript oficial da RIPE registra a proposta como trabalho em andamento.

A consulta do MANRS publicada em março recebeu 38 respostas, sobretudo de operadores. Clareza dos requisitos e capacidade de auditoria foram prioridades; metade dos respondentes escolheu o programa de operadores como principal objeto da revisão. A página não informa quantas pessoas receberam o convite. Sem esse total, não há taxa de resposta para avaliar o alcance do resultado.

A regra do RPKI encontra uma fronteira administrativa. A ARIN informa que detentores de recursos legados sem contrato com a entidade não têm acesso aos serviços RPKI e IRR da região. Quem firma o acordo pode usar esses serviços. A ARIN também limita cada ROA aos recursos incluídos no certificado do titular. Um operador não pode publicar com seu próprio certificado a autorização para um recurso controlado por outra organização.

Robachevsky citou justamente os casos que expõem essa fronteira: alguns detentores legados na região da ARIN não acessam o RPKI; e há prefixos alugados por clientes que chegam às rotas dos operadores sem ROA. O operador anuncia a rota, mas o cliente ou o titular pode controlar o registro necessário. Se a auditoria só olhar o prefixo anunciado, o operador recebe a cobrança por uma etapa que talvez não consiga executar sozinho.

O IRR continua no desenho, embora abaixo do ROV. O grupo tratava o cadastro no IRR como SHOULD e o ROV como MUST. Parte das redes ainda depende de IRR, e a escolha de quais registros e objetos contam permanecia aberta. Chamar qualquer entrada IRR de substituta do RPKI apagaria a distinção do rascunho; ignorar IRR apagaria uma ferramenta que ainda ajuda operadores a publicar políticas e montar filtros.

Segundo Robachevsky, o MANRS cresceu de nove operadores em 2014 para cerca de 1.400 participantes no momento da palestra. O valor do programa vem da adoção ampla de um mínimo comum, não de um selo perfeito para poucos. Uma regra que expulsa redes presas a uma fronteira de titularidade pode melhorar a taxa de conformidade dos membros e reduzir a cobertura do sistema que pretende proteger.

Antes de escrever “100%” no requisito final, o grupo precisa dizer quais anúncios entram na conta, quem cria cada ROA, como tratar prefixos controlados pelo cliente e qual prazo os atuais participantes terão. Sem esse percurso, a auditoria distribui a responsabilidade entre empresas e deixa a autorização ausente.

Fontes

sessão e transcript oficial de RIPE 93; consulta à comunidade MANRS; grupo de revisão do programa; atualização de agosto do grupo; serviços ARIN para recursos legados; regras da ARIN para ROAs.