Resumo
- Quando a mesma faixa de sequência é transmitida duas vezes antes de um ACK cumulativo, o ACK confirma a entrega, mas não identifica qual instância o causou; por isso normalmente não constitui uma amostra RTT válida e não deve atualizar o estimador.
- A cada timeout sucessivo, o RTO é duplicado, sujeito ao limite máximo opcional permitido pela RFC 6298. Dados novos, enviados e reconhecidos, podem então produzir uma medição inequívoca. Timestamps são a exceção quando removem a ambiguidade.
O emissor envia um segmento TCP e inicia o temporizador. O prazo vence antes do ACK, então a mesma faixa é retransmitida. Quando o ACK cumulativo chega, a informação de confiabilidade é suficiente: os bytes foram confirmados. Para a latência, porém, faltam dados. A resposta pode ter sido causada pela primeira transmissão, pela retransmissão ou por ambas.
A RFC 793 descreve a base: dados com números de sequência são mantidos numa fila de retransmissão; o vencimento do temporizador provoca o reenvio do segmento não confirmado. Seu procedimento ilustrativo mede o tempo entre o envio de um octeto numerado e a chegada do ACK que o cobre, suavizando o RTT. Ele não identifica a instância correta quando a faixa foi transmitida novamente.
A RFC 1122, na seção 4.2.3.1, usa explicitamente “MUST implement” para os algoritmos de Karn e Jacobson e “MUST include” para a duplicação sucessiva do RTO. Karn seleciona medições admissíveis; Jacobson incorpora a variação do RTT. São funções diferentes. Quando a RFC 6298 menciona depois a passagem de SHOULD para MUST, refere-se ao suporte do algoritmo geral de RTO; não transforma essas duas frases explícitas da RFC 1122 em recomendações.
A RFC 6298 determina que não se coletem amostras RTT de segmentos retransmitidos, pois o ACK pode pertencer à primeira instância ou a uma posterior. No vencimento, o emissor retransmite o segmento não confirmado mais antigo, dobra o RTO —sujeito ao limite máximo opcional permitido pela seção 2.5— e reinicia o temporizador. A próxima medição comum depende de dados novos enviados e reconhecidos. Timestamps podem identificar a instância e permitir a amostra.
Karn não é detecção de perda, retransmissão rápida, controle de congestionamento ou SACK. Também não define o atraso do ACK no receptor nem o mecanismo de timestamps; estes são apenas a exceção capaz de remover a ambiguidade. Sua função é separar prova de entrega de prova de latência.
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