Resumo
- A WRC-27 estudará possíveis alocações para satélites não geoestacionários de baixa taxa, voltados a mensagens intermitentes de IoT, e não a chamadas telefônicas.
- A faixa de 1880–1920 MHz se sobrepõe a usos britânicos de DECT, da futura rede ferroviária FRMCS e de gateways da ESN; 2010–2025 MHz também é importante para enlaces profissionais de vídeo.
O caso mais claro de que essa faixa não está à espera de um único usuário já apareceu na política britânica. Em janeiro de 2026, a Ofcom autorizou os gateways da rede de emergência ESN a começar a usar 1910–1915 MHz antes de abril de 2029. Até 4 de abril de 2029, porém, os gateways devem operar sem causar interferência e sem reivindicar proteção contra outros usos; depois, essa condição provisória deixa de valer. É uma solução ligada a uma implantação e a uma licença específicas, mas ilustra a quantidade de detalhes que a palavra “compartilhamento” costuma esconder.
A WRC-27 não decidiu que satélites poderão usar esses 40 MHz. A Resolução 252 da WRC-23 pediu estudos sobre novas alocações e medidas regulatórias para sistemas móveis por satélite não geoestacionários de baixa taxa de dados. A Ofcom explica que os sistemas considerados servem a aplicações como o IoT via satélite, com dados enviados de forma periódica ou intermitente, não a telefonia. Entre as faixas em estudo estão 1880–1920 MHz e 2010–2025 MHz.
O documento da Ofcom é uma consulta sobre posições preliminares do Reino Unido. Publicado em 1º de setembro de 2026, ele recebe contribuições até 24 de novembro. A conferência acontecerá em Xangai de 18 de outubro a 12 de novembro de 2027. O calendário dá tempo para preparar um argumento técnico; não transforma a proposta em autorização doméstica. As regras internacionais organizam serviços que cruzam fronteiras e podem ampliar a escala dos equipamentos, enquanto cada país continua tomando decisões sobre o uso do espectro em seu território.
A banda tem partes e prazos diferentes
Segundo a Ofcom, a parte inferior de 1880–1920 MHz é usada no Reino Unido por sistemas DECT. O plano de outubro de 2025 destinou 1900–1910 MHz ao FRMCS, futuro sistema móvel de comunicação ferroviária, e 1910–1915 MHz aos gateways da ESN na Grã-Bretanha. A faixa de 1915–1920 MHz aparecia como não alocada naquele plano. Não se trata de um bloco homogêneo: cada segmento dá suporte a equipamentos, contratos e ciclos de substituição próprios.
A licença antecipada da ESN ajuda a mostrar o lado operacional. O acesso antes de 2029 foi considerado para não atrasar a migração da rede de emergência. A decisão também registra a preocupação de uma operadora móvel com filtros em sites próximos às ferrovias, devido ao FRMCS. A Ofcom concluiu que, naquele cenário, o uso eventual e localizado dos gateways, combinado às condições técnicas da licença, tornaria baixo e temporário o risco adicional de interferência em canais adjacentes. Essa avaliação não se transfere automaticamente a uma constelação de satélites, que tem outra geometria, outra área de cobertura e outro padrão de transmissão.
A segunda faixa estudada pela pauta 1.12 traz outro tipo de incumbente. A Ofcom descreve 2010–2025 MHz como importante para links de vídeo sem fio e câmeras usados em produções e eventos. Os enlaces profissionais precisam de risco muito baixo de interferência e podem operar a longa distância ou com edifícios e árvores no caminho. Uma análise feita apenas a partir da demanda por cobertura móvel perderia esse usuário, mesmo que ele não transmita continuamente.
O contraste com 1645,5–1646,5 MHz é instrutivo. Essa faixa está ligada a regras de socorro e segurança marítima; a posição preliminar da Ofcom é manter as regras sem alteração. Para as demais faixas, o regulador diz que qualquer nova alocação móvel por satélite precisa proteger adequadamente os usos existentes e pergunta aos interessados quais condições seriam necessárias. Isso não prova que haverá interferência, nem estabelece uma hierarquia entre usuários. Define a obrigação de mostrar como a proteção funcionará em cada caso.
A pergunta de investimento é concreta: quais equipamentos transmitem e recebem em cada subfaixa, que limite de potência e emissão fora de banda será aplicado, quais locais precisam de coordenação e quem mede um problema? Se o sistema depender de filtros, quem instala e financia? Sem respostas verificáveis, “compartilhar” não é um plano de operação.
Fontes
- Ofcom: preparação do Reino Unido para a WRC-27, chamada de contribuições
- Ofcom: autorização futura da faixa de 1900–1920 MHz
- Ofcom: decisão sobre o acesso antecipado da ESN a 1910–1915 MHz
- UIT: Resolução 252 (CMR-23)
- UIT: calendário e mandato da WRC-27
- Ofcom: documento completo da consulta (PDF)
- Ofcom: informações sobre a faixa de 1900–1920 MHz
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