Summary

  • draft-ietf-bmwg-powerbench-03 mede potência de dispositivos de rede em laboratório com um medidor externo e estímulos controlados. Não administra energia em produção nem certifica produtos.
  • O EER divide capacidade ponderada por potência ponderada. Níveis, pesos, forma do numerador e regra de perda precisam ser definidos antes; caso contrário, resultados com o mesmo rótulo respondem a perguntas diferentes.
  • Idle+ envia 1 pacote por segundo, nos dois sentidos, em toda interface ativa. A carga minúscula pode ativar o plano de encaminhamento, separando condição de medição de Power State interno.

Um medidor fiel pode acompanhar um teste ruim

O wattímetro ligado à entrada do DUT responde com honestidade ao que atravessa aquela fronteira elétrica. Ele não sabe se os pacotes saíram pela porta correta. Não sabe se o equipamento descartou carga, se o software mudou, se o intervalo pegou apenas um transiente ou se a ponderação representa a rede do comprador.

O PowerBench revisão 03 tenta impedir que a fidelidade do instrumento seja emprestada ao restante da conclusão. Seu objeto não é um watt solto. É um resultado composto por potência, trabalho encaminhado e condições suficientemente declaradas para permitir comparação.

O status público limita a autoridade do texto. O Datatracker o mostra como Internet-Draft ativo do BMWG, revisão 03 de 30 de setembro de 2026. O cabeçalho anuncia intenção Standards Track, mas a API congelada não contém nível pretendido. Não é RFC, aprovação final nem laudo de um modelo comercial.

A eficiência depende do perfil escolhido

O Energy Efficiency Ratio é EER = T/P. T soma throughput de interfaces ponderado em vários níveis de carga. P aplica os mesmos pesos às medições de potência. O exemplo usa 100%, 30% e 0% com pesos 0,1, 0,8 e 0,1, mas classes distintas podem adotar outros perfis.

Essa liberdade é necessária e perigosa. Um roteador de acesso passa muitas horas em uma distribuição; um equipamento de núcleo, em outra. A comparação só é justa quando a pergunta operacional foi fixada antes de conhecer os resultados.

O rascunho também admite capacidade total em lugar da capacidade ponderada no numerador. O valor continua proporcional, mas já não é a mesma métrica. Somar as duas variantes numa coluna de Gbps/W produz uma ordenação visualmente exata e semanticamente falsa.

Há uma trava ainda mais básica: o tráfego deve sair pela porta correta. A exigência padrão é perda zero, coerente com o Non-Drop Rate de RFC 2544. Qualquer tolerância positiva deve ser explicitada e justificada. Um procedimento referenciado invalida o teste se o equipamento não voltar à carga NDR completa.

Sem isso, o caminho mais fácil para “melhorar” potência seria evitar o trabalho. A metodologia preserva a relação entre numerador e denominador: menos watts só interessa dentro de uma entrega definida.

Idle+ é o teste da palavra “ocioso”

Base mede a configuração de fábrica após boot, placas e componentes ativos, sem transceptor. Idle mantém o equipamento totalmente configurado para encaminhar, interfaces levantadas e tráfego zero. Idle+ adiciona fluxo bidirecional de 1 pps em cada interface ativa. Typical usa uma porcentagem indicada do throughput máximo e uma distribuição RFC 6985 IMIX. A condição carregada nomeia portas, placas e taxa.

O 1 pps foi escolhido para ativar o plano de encaminhamento sem introduzir potência dinâmica mensurável de processamento. Um único pacote por segundo pode, portanto, separar dois regimes internos. Pipeline, relógio, memória, óptica ou ventilação podem reagir.

A revisão 03 diz explicitamente que essas condições não são Power States. Um estado interno pode permanecer ou mudar durante qualquer condição. Quando observável ou configurado, ele deve ser informado com o mecanismo de verificação, como contexto adicional.

A mudança em relação à revisão 02 é instrutiva. Em vez de declarar que Idle+ tira o DUT de “seu modo de baixa potência”, o novo texto diz que a medição pode capturar potência associada a uma transição. O número mostra uma diferença; não nomeia sozinho a causa.

Controle, gestão, telemetria e mecanismos térmicos podem ficar ativos em Idle e Idle+. Seu estado deve constar, pois desligar esses processos em um laboratório transforma o dispositivo testado sem trocar o chassi.

A jurisdição termina na entrada do DUT

O medidor cobre a potência elétrica consumida na entrada do equipamento. Refrigeração externa fica de fora. Ventoinhas internas e controle térmico ficam dentro. Por isso, a metodologia controla 23–27 °C, 25–75% de umidade relativa e 812–1060 hPa, e pede que a mudança de temperatura do dispositivo seja conhecida.

A revisão 03 acrescenta precisão documentada do medidor, apropriada à faixa utilizada, e exige seu registro nos resultados. Diferença numérica não significa diferença metrologicamente resolvida. Se dois produtos se separam por menos que a incerteza, a tabela pode ordenar, mas a medição não autoriza o ranking.

Preservar identificação, faixa, especificação de precisão, leituras brutas e calibração disponível permite auditar a materialidade. A mesma cautela vale para o escopo: o rascunho declara ser metodologia de laboratório, não estrutura de monitoramento ou gestão operacional. O resultado pode complementar telemetria de produção, não substituí-la.

Consequentemente, o benchmark não prova consumo de instalação, carbono, custo anual, resiliência ou economia de frota. Essas conclusões precisam de suas próprias fronteiras e dados.

Duas janelas impedem que o transiente vire baseline

Aplicar tráfego altera filas, caches, frequência, temperatura, ventoinhas e processos. O PowerBench exige registrar o intervalo de estabilização entre aplicar carga/configuração e iniciar a leitura, depois o intervalo de medição ou janela de média e o método usado.

Não há duração única obrigatória. Essa flexibilidade respeita classes de dispositivo, mas cobra transparência. Se os intervalos variam por carga, todos devem ser informados. Outro laboratório precisa saber se capturou o mesmo regime.

No acompanhamento do mesmo equipamento ao longo de atualizações, o cuidado é maior. Software B pode parecer melhor por causa de outra óptica, programa, telemetria, temperatura ou janela. Comparação longitudinal atribui causa apenas quando o restante é mantido.

Programa e compilador entram no passaporte

Para data planes programáveis, a revisão 03 recomenda registrar programa/carga instalada, versão do compilador ou toolchain e descrição de tabelas ou operações stateful. Um switch físico pode tornar-se outra máquina de encaminhamento após compilação.

Profundidade de tabela, matches, contadores e registradores alteram atividade e memória. Modelo, sistema e portas são identidade insuficiente. O passaporte precisa unir hardware, software, placas, portas habilitadas e ativas, interfaces, transceptores, utilização, trace, programa, compilador, ambiente, medidor e janelas.

Essa é a linha comum nas mudanças da história da revisão: esclarecer laboratório versus operação, precisão e fronteira do medidor, data plane programável, condição versus estado e linguagem causal.

Ela melhora o relato, não cria evidência de adoção. As fontes congeladas não trazem resultado de fornecedor, implantação, interoperabilidade, economia ou carbono. O documento prefere muitos pontos com incerteza declarada a poucos testes quase impossíveis de repetir. Assim, a comparabilidade nasce da exposição das diferenças, não da aparência de uniformidade.

Fontes e limites

Foram usados texto, HTML e XML da revisão 03, Datatracker, histórico, revisão 02, RFC 2544, RFC 6985, RFC 6988, RFC 7460 e terminologia GREEN. Nenhum dado privado foi usado.