• Samsung e Verizon usaram uma rede 5G virtualizada e 40 MHz do espectro CBRS para produzir um mapa de calor da densidade da multidão quase em tempo real
  • O teste em Dallas mostrou que a infraestrutura móvel pode dar suporte tanto ao sensoriamento quanto às comunicações, mas não foram divulgados dados sobre precisão nem implantação comercial

O fato

Samsung Electronics e Verizon concluíram um teste de sensoriamento e comunicação integrados, ou ISAC, durante um grande evento internacional para torcedores de futebol em Dallas. O teste usou uma estação móvel sobre rodas da Verizon que operava com 40 MHz do espectro do Citizens Broadband Radio Service.

O ISAC usa sinais de rádio para comunicações e, ao mesmo tempo, analisa como esses sinais mudam no ambiente ao redor. Em Dallas, o software da Samsung processou alterações nos sinais associados a um dispositivo 5G comercial e produziu um mapa de calor quase em tempo real que mostrava a densidade da multidão.

A Samsung afirmou que sua rede virtualizada de acesso por rádio, sua rede central e seu aplicativo de sensoriamento operaram em um único servidor de borda. Assim, o teste usou a própria rede móvel para o sensoriamento, em vez de adicionar um sistema de radar separado para essa tarefa. As empresas não divulgaram a precisão da contagem de pessoas, os limites de cobertura, as taxas de falsos positivos nem um cronograma de implantação comercial, e não disseram que o sistema substituía o monitoramento já existente no local.

A avaliação

Para o operador de um local de eventos, o atrativo é claro: a infraestrutura que já transporta tráfego móvel também poderia oferecer outra visão de onde as pessoas estão se concentrando. Se as leituras forem confiáveis o bastante, a equipe poderia usá-las em conjunto com câmeras, dados de bilhetagem e observações no local, sem instalar um sistema de radar separado para a mesma área.

Ainda não está claro até que ponto esse retrato permanece confiável quando as condições mudam. O tamanho da multidão, as condições de rádio, a atividade dos dispositivos e o posicionamento dos equipamentos de rede podem afetar os sinais analisados. Samsung e Verizon ainda não divulgaram dados de desempenho suficientes para mostrar em que medida o mapa de calor correspondia ao número real de pessoas ou à localização real delas.

Para os leitores da BTW, o teste de Dallas mostra um possível segundo uso para a infraestrutura 5G do local, mas ainda não um sistema pronto para a gestão de multidões. Antes de os operadores confiarem nele para decisões como redirecionar pessoas ou fechar uma entrada, serão necessárias evidências de que as leituras têm precisão suficiente e regras claras sobre como os dados de sensoriamento são tratados.

O que acompanhar

Acompanhe novos testes que comparem as estimativas do ISAC com contagens conhecidas de pessoas e divulguem dados sobre precisão, cobertura e desempenho sob condições de rádio variáveis. Detalhes sobre privacidade e retenção de dados também serão importantes. Uma implantação em que a equipe do local use um alerta do ISAC durante uma decisão operacional real forneceria evidências mais fortes do que mais uma demonstração isolada.