Resumo

  • O desenho da revisão 01 deixava o agente Self-Heal reexecutar tarefas em camadas degradadas sem uma exclusão expressa para falhas na cadeia.
  • A revisão 02 organiza o poder do Remediator em BR0, BR1, BR2 e BR3, do simples exame à alteração de evidência que jamais pode ser autônoma.
  • Falhas periféricas recebem no máximo uma tentativa automática por episódio; uma divergência de Link ou Braid deve ser preservada, bloquear novas inclusões e chegar a uma pessoa.
  • Não há, nas fontes examinadas, vetores de teste, implementação de referência, implantação ou ensaio de interoperabilidade que confirme esse comportamento fora do papel.

O defeito estava no mandato do agente

O anúncio de Internet-Draft registra a revisão 02 do Reilly Government Integrity Protocol em 4 de setembro de 2026. A proposta combina múltiplos hashes, ancoragem pública de tempo, armazenamento distribuído e depósitos de arquivo. Seu objetivo declarado é tornar verificáveis registros como legislação, contratos públicos, contas orçamentárias, decisões judiciais e materiais eleitorais.

Na revisão 01, o Agente 11 procurava periodicamente uma camada de permanência degradada e reexecutava o componente responsável. O Agente 13 recalculava a cadeia e alertava. O Agente 14 transformava riscos e achados em diretivas de correção e as entregava ao Self-Heal. O arranjo prometia verificação contínua sem supervisão humana constante.

Essa sequência dava à automação três posições muito próximas: descobrir a anomalia, classificá-la como algo reparável e modificar o ambiente que guardava o vestígio. A cadeia de integridade não aparecia como zona proibida. Tampouco havia um número máximo de reexecuções quando o erro continuava presente.

A revisão 02 chama isso de falha na governança da ação automática. O Sentinel novo recalcula valores e compara as declarações do envelope com as camadas reais, mas não pode modificar nenhum registro. O Remediator recebe o achado como uma solicitação a ser autorizada, não como uma ordem pronta para executar.

Uma escada de impacto substitui a permissão genérica

BR0 é leitura: verificar, consultar e relatar. BR1 cobre um reparo idempotente na distribuição, como fixar novamente uma cópia ou reenviar um pedido de arquivamento, desde que o núcleo assinado e a história da cadeia não mudem. Só essa faixa de reparo pode operar de forma autônoma.

Em BR2, surge um bloco novo ou uma mudança visível no estado do protocolo, como um registro de ponte ou de substituição. A proposta exige aprovação humana registrada. BR3 alcança a matéria probatória: alterar, excluir ou reconstruir blocos, mudar uma âncora sem prova, agir no registro de revogações ou tocar em chaves e sais. Essas ações não podem ser automatizadas.

O critério deixa de ser “qual agente chamou a função?” e passa a ser “o que deixará de ser igual depois dela?”. Uma nova tentativa de distribuição e uma reconstrução histórica podem aparecer como reparos no painel, mas transferem poderes radicalmente diferentes. Cada implantação deve declarar seu modo de supervisão e gravar qual modo estava ativo em cada intervenção.

Há ainda a semântica once-per-episode. Mesmo um evento permitido só recebe uma ação automática. Se o achado voltar, ele sobe para revisão humana em vez de alimentar outro ciclo. Essa trava impede que a busca por disponibilidade destrua a informação de que a causa nunca foi resolvida.

Corrupção e adulteração chegam com o mesmo sintoma

Se o Link ou o Braid recomputado divergir do valor armazenado, a revisão 02 proíbe a remediação automática. O único caminho permitido é registrar o achado, suspender novos acréscimos à cadeia e escalar.

A proibição não transforma qualquer diferença em prova de ataque. O texto diz justamente que o agente não consegue distinguir corrupção de armazenamento e adulteração intencional. Escrever o valor correto sobre a primeira pode recuperar o serviço. Fazer isso sobre a segunda pode apagar o que um examinador precisava preservar. A aparência de consistência passaria a ser produzida pelo mesmo mecanismo criado para detectar sua ausência.

O limite vale na recuperação de uma perda maior. Uma cadeia reconstruída precisa coincidir com um Chain Head previamente atestado antes de voltar a receber registros. Uma divergência passa a ser um achado de integridade, não uma condição comum que o agente possa encerrar como recuperada. Também dependem de autorização humana a promoção de uma âncora sem prova resolvida, a emissão de revogação, a destruição de sais e o recálculo de blocos históricos.

Há uma disciplina externa compatível. O RFC 3227 aconselha reduzir mudanças durante a coleta, coletar antes de analisar e registrar quem encontrou, manuseou e recebeu a evidência. O NIST SP 800-86 insere técnicas forenses na resposta a incidentes. O RFC 4810 trata de evidência em arquivos de longo prazo e requer a possibilidade de detectar mudanças feitas inclusive por administradores.

Nenhum deles aprova o RGIP. A comparação só reforça a necessidade de dois caminhos: uma cópia de trabalho para restaurar disponibilidade e uma cópia preservada para explicar o evento.

A posição do documento impõe limites à notícia

O Datatracker classifica RGIP como Internet-Draft individual ativo. Não há endosso do IETF, posição formal no processo de padrões, fluxo RFC ou Area Director responsável. O texto também exclui de seu próprio alcance a decisão sobre admissibilidade, autoridade e efeito jurídico de um registro.

Uma comparação de hashes pode mostrar diferença entre bytes. Uma prova temporal pode apoiar a existência anterior de dados. Nenhuma delas determina se um servidor público tinha competência, se um descarte era legal ou qual emenda prevalece. Bloquear tecnicamente uma escrita não converte o operador do bloqueio em autoridade pública.

A falta de implementação também precisa permanecer visível. A revisão 02 examinada não oferece seção de vetores de teste, código de referência, relatório de implantação ou resultado de interoperabilidade. O NIST SP 800-61r3 fornece contexto atual de gestão de resposta a incidentes, mas não testa o classificador nem o alto proposto pelo RGIP.